Representantes de 64 famílias buscam apoio da Prefeitura de Açailândia para garantir o andamento do processo e o acesso ao aluguel social, enquanto aguardam a entrega das casas no bairro Jardim Aulídia.
Após protocolarem um pedido urgente de aluguel social na Secretaria Municipal de Assistência Social de Açailândia (MA), na segunda-feira (3), mulheres de Piquiá de Baixo aguardam uma resposta concreta da Prefeitura. Representando 64 famílias que ainda vivem no bairro em condições precárias, elas alertam para a urgência da medida, uma vez que o abandono progressivo da área e a derrubada de casas pela Defesa Civil tornaram a permanência no local insustentável.
A maioria das famílias já foi reassentada em Piquiá da Conquista, mas aquelas que permanecem enfrentam um cenário cada vez mais hostil. O mato invade as ruas, as estruturas vazias expõem os vestígios do que um dia foram lares, e a falta de infraestrutura básica torna o cotidiano ainda mais difícil. Diante disso, as mulheres da comunidade assumiram a linha de frente da mobilização, reafirmando a luta histórica do povo de Piquiá por justiça e dignidade.
Agora, a expectativa recai sobre a resposta da Secretaria de Assistência Social. Enquanto isso, o movimento segue pressionando para que nenhuma família fique desamparada nesse período de transição. A possibilidade de reassentamento no Jardim Aulídia representa a promessa de um recomeço, mas, até lá, as famílias exigem medidas imediatas que garantam condições dignas de moradia.
Ato político em Piquiá da Conquista (MA) reforça solidariedade e resistência contra a mineração e o agronegócio
No Encontro Pré-ERAM de Mulheres Atingidas pela Mineração e o Agronegócio no Corredor Carajás, realizado no bairro Piquiá da Conquista, em Açailândia (MA), mulheres do Pará, Maranhão, Minas Gerais, Rio de Janeiro e de outros estados do Brasil se reuniram para fortalecer a resistência e articular estratégias de enfrentamento. No último dia de atividades, 25 de janeiro, um ato político foi realizado em solidariedade às vítimas de Brumadinho (MG) e a todas as comunidades impactadas pelo crime socioambiental da Vale S.A.
O encontro reafirmou a urgência da luta por justiça e reparação, conectando diferentes territórios afetados pelo avanço da mineração e do agronegócio. Do Rio Doce ao Maranhão, o grito coletivo ecoa: nenhum crime será esquecido, nenhum direito a menos!
Para Larissa Santos, coordenadora política da Justiça nos Trilhos (JnT), o evento simboliza a força da mobilização popular e a importância da memória:
“Este encontro é um espaço essencial para fortalecer a luta das mulheres atingidas pela mineração e pelo agronegócio, conectando histórias, dores e resistências que atravessam os nossos territórios. Realizar um ato político dentro da comunidade de Piquiá da Conquista, um bairro marcado pela luta contra a poluição e pela conquista de um novo lar digno, reforça o compromisso com a memória e a justiça. A solidariedade entre os povos atingidos é a nossa força para seguir denunciando crimes como os de Brumadinho e Piquiá de Baixo e para seguir exigindo reparação. Nenhum crime pode ser esquecido, nenhuma vida pode ser silenciada.”
Ao centro da foto, Mikaell e Fernanda junto com a turma da pós-graduação.
🔸 No último dia 16 de agosto, o coordenador de projetos e relações da Justiça nos Trilhos (JnT), Mikaell Carvalho, e a advogada popular Fernanda Souto representaram a organização em uma roda de conversa com alunos da pós-graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em São Luís. A atividade foi realizada na disciplina “Racismo Institucional e Conflitos Socioambientais”, ministrada pelo defensor público da União e professor Yuri Costa.
🗣️ Durante o encontro, foram discutidas a atuação da JnT ao longo do Corredor Carajás, com destaque para o caso da comunidade de Piquiá de Baixo, em Açailândia (MA). Este caso envolve a realocação de famílias da comunidade original para Piquiá da Conquista, como parte de um processo contínuo de luta contra as violações de direitos humanos decorrentes da mineração e outros empreendimentos ligados à logística mineral.
👉🏿 A conversa também proporcionou uma troca de experiências entre os/as participantes, que compartilharam seus campos de estudo e tiveram a oportunidade de compreender melhor as dinâmicas dos movimentos sociais.
À esquerda, Yuri Costa, Mikaell carvalho ao centro e à direita, Fernanda Souto.
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