São Luís sediará encontro formativo sobre Fluxos Financeiros Ilícitos na Mineração

São Luís sediará encontro formativo sobre Fluxos Financeiros Ilícitos na Mineração


O evento promoverá a participação popular na discussão sobre controle social dos recursos advindos da exploração mineral

Realizado pela Justiça nos Trilhos (JnT) e a Rede Igrejas e Mineração (IyM) nos dias 25 e 26 de novembro, o evento reunirá comunidades impactadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), pesquisadores, ativistas e movimentos sociais do Maranhão, Pará e Minas Gerais. Os momentos de aprendizado têm como objetivo combater os fluxos financeiros ilícitos, a impunidade corporativa, as transações de lucros das multinacionais e os seus impactos em municípios que sofrem os efeitos da exploração mineral.

No Maranhão, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), de concessão da mineradora Vale S.A.,
atravessa mais de 100 comunidades e transforma os modos de vida das populações, entre elas, comunidades indígenas e quilombolas. Esses impactos vão desde a poluição sonora, causada pelo transporte do minério de ferro a céu aberto, até atropelamentos fatais de pessoas e animais. Problemas semelhantes são vivenciados nos estados do Pará e Minas Gerais pelas ações de empresas que funcionam com o mesmo padrão da mineradora Vale S.A.

Nos últimos anos, organizações como a Rede Igrejas e Mineração, Justiça nos Trilhos,
Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), o Grupo de Pesquisa Mineração e Alternativas (MINAS), da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Instituto de Justiça Fiscal (IJF), entre outras entidades de Direitos Humanos e Direitos da Natureza, têm buscado construir coalizões centradas nas questões que serão abordadas durante o encontro.

De acordo com a coordenadora política da Justiça nos Trilhos, Larissa Santos, criar espaços de trocas de saberes entre os territórios, movimentos sociais e pesquisadores é um caminho para fortalecer a autonomia das comunidades no processo de controle social. “Quando as práticas de evasão fiscal cometidas por essas empresas são identificadas, é possível também indicar as perdas de lucros que os municípios afetados pela mineração têm anualmente, e como eles poderiam ser utilizados para a melhoria da qualidade de vida e para a criação de outras alternativas econômicas”, ressalta.

A capital São Luís foi escolhida para sediar o evento por ser o primeiro município maranhense que mais recebe recursos financeiros advindos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), assunto que será amplamente abordado durante o encontro formativo com a apresentação dos estudos De Olho na CFEM. Outras pesquisas como: “Fluxos Financeiros Ilícitos: o caso da Vale S.A. no Brasil”; “Manobras Fiscais: O que fica para as comunidades?” e “Em busca da transparência: desvendando o setor extrativo brasileiro – Um estudo de caso de pesquisa-ação sobre a mina de minério de ferro Minas-Rio”, também conduzirão o debate nos espaços formativos.

Segundo o professor e pesquisador da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará
UNIFESSPA, Giliad Silva, durante do I Seminário Estadual Mineração, Evasão Fiscal e CFEM, realizado no município de Açailândia (MA), a organização dos povos é fundamental para decidir os rumos do orçamento que vem da extração do minério nesta região. “As formações populares definem um processo de autonomia, porque à medida que a sociedade compreende mais sobre a burocracia do orçamento das grandes empresas, e como isso impacta no orçamento público, mais a população terá o poder de decisão sobre o uso desses recursos”, afirma.

O evento também será um alerta sobre como a transferência de lucros tem legitimado que as mineradoras subsidiárias não tenham compromisso com o desenvolvimento comunitário e a reabilitação ambiental, violando cada vez mais os trabalhadores, as comunidades e aqueles que dependem de serviços públicos de qualidade.

Para Tadzio Coelho, pesquisador e coordenador da pesquisa desenvolvida no Brasil, os
dados coletados pelo grupo de pesquisa MINAS, sobre a principal empresa de mineração no Brasil, a Vale S.A., é vital que a população seja capacitada para entender e resistir a esses fluxos de base.

Ele destaca que as transferências financeiras realizadas através das fronteiras por empresas como a Vale S.A., para a obtenção de lucros podem gerar evasão fiscal e abusos regulatórios. “Essas ações afetam diretamente a arrecadação dos recursos advindos da exploração mineral no Brasil, como a CFEM e impactam nos modos de vida das comunidades e na elaboração de políticas públicas nos municípios. Por isso, é importante analisar os fluxos financeiros das empresas a partir de uma dimensão também social, levando em conta que os preços dos minérios aumentaram nas últimas décadas e geraram processos de exploração no Brasil”, finaliza.


Quando? 25 e 26 de novembro de 2022
Onde? Hotel Gree, São Luís – MA (Av. Castelo Branco, 375 – São Francisco, São Luís – MA, CEP: 65076-091).
Realizadores: Justiça nos Trilhos e Rede Igrejas e Mineração

EP #8 | Reassentamento, já! O sonho chamado Piquiá da Conquista

EP #8 | Reassentamento, já! O sonho chamado Piquiá da Conquista

Luta e resistência são duas palavras que acompanham diariamente a vida dos moradores e moradoras de Piquiá de Baixo. Aqui você vai ouvir um pouco da história de como Seu Edvard, Padre Dário e Dona Francisca Tida, dentre outras pessoas e organizações, fizeram do Reassentamento Piquiá da Conquista, uma realidade. 

Ouça aqui!

Ficha Técnica

Produção, Roteiro e Apresentação: Lanna Luiza e Yanna Duarte

Edição, Criação de Vinheta, Mixagem e Masterização: Isaías Alves (Puçá Records)

Entrevistados: Padre Dário Bossi, Francisca Tida e Antônia Flávia Design: 

Realização: Justiça nos Trilhos em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo Brasil.

Site: justicanostrilhos.org

Dica de Leitura: Folhetim Pinga Pinga

Dica de Leitura: Folhetim Pinga Pinga

Eleições, Agronegócio/Mineração e Formação Política são temas abordados pelo Coletivo Pinga Pinga nesta edição especial

Composto por comunicadoras e comunidadores populares de territórios afetados pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), o Coletivo Pinga Pinga lança a edição especial do folhetim sobre Eleições, Agronegócio/Mineração e Formação Política.

A retomada da produção do folhetim tem o objetivo de instigar o debate sobre os temas elencados, por meio de uma ferramenta de comunicação popular, que incentiva a filosofia Faça você mesmo e a produção midiática seguindo o lema do grupo: “Insurgente, Autônomo, Coletivo e Popular”.

De acordo com o comunicador popular Mateus Adones, de Santa Rita, do Coletivo Pinga Pinga. “Nosso grupo nasceu de uma brincadeira de jovens dos territórios que são afetados pela cadeia da mineração ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC), nos espaços de formação política realizados pela Justiça nos Trilhos.

Unimos nossas sabedorias e começamos a fazer comunicação.  Depois do primeiro folhetim feito, percebemos que seria necessário ocupar outros espaços. A folha chamex não cabia tudo que precisa ser dito“, ressaltou Mateus.

Leia o folhetim. Baixe aqui!