Cómo Vale S.A. mató un arroyo que tenía fama de nunca secarse

Cómo Vale S.A. mató un arroyo que tenía fama de nunca secarse

En esta breve entrevista, el quilombola Libâneo Pires, uno de los líderes históricos del territorio de Santa Rosa dos Pretos (Itapecuru-Mirim / MA) cuenta cómo la compañía minera Vale S.A. destruyó el arroyo que apagaba la sede de los quilombolas y los alimentaba con peces. 

A continuación, Marciel y Fabiana, jóvenes líderes del territorio, hablan sobre la suerte que no tuvieron de conocer el arroyo antes de la destrucción causada en el por la compañía minera en la década de 1980. 

“Esses pretos são danados”: um cordel sobre Santa Rosa

“Esses pretos são danados”: um cordel sobre Santa Rosa

Neste cordel contado, a jovem quilombola Fabiana narra um pouco da história do Território Quilombola Santa Rosa dos Pretos, onde ela nasceu e vive. O cordel foi escrito por Joércio Pires e Anacleta Pires, e complementado por Fabiana, porque as coisas no quilombo são assim, vivas e em contínuo processo de transformação para a vida mais completa. As/os jovens da foto são os pretos danados do Coletivo Agentes Agroflorestais Quilombolas de Santa Rosa dos Pretos, que recuperam as matas, igarapés e buscam autonomia política e alimentar para a coletividade do quilombo. 

O colonial nunca acabou

O colonial nunca acabou

Prova de que o período colonial nunca teve fim para povos originários e quilombolas é que as expropriações de seus corpos e territórios continuam desde 1500, cada vez mais violentas e pelas mãos de diferentes colonizadores – empresas e governos subalternos – que se alternam e se apoiam no saque, seja por meio do trabalho escravo, por meio da invasão das terras indígenas e quilombolas, da destruição de seus rios e matas, seja por meio de processos abertos por empresas contra lideranças de povos tradicionais que lutam por seus direitos, na tentativa de silenciá-las, como os colonizadores fazem desde o século 16 nas Américas.

Há mais de 80 anos, as e os quilombolas de Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru-Mirim, Maranhão, enfrentam a poluição, assoreamento e aterramento de seus cursos d´água, como igarapés e rios, seja pela Estrada de Ferro Carajás, da transnacional de mineração Vale S.A., seja pela estrada de ferro Transnordestina, pelos três linhões de energia da Eletronorte e dois da CEMAR (Companhia Energética do Maranhão), seja pela BR 135, do governo federal.

Todos esses grandes empreendimentos violam o direito à água dos quilombolas de Santa Rosa dos Pretos, que também perdem sua fonte alimento e renda ao ficarem sem os peixes que sempre pescaram. Os empreendimentos também retalham o território quilombola, roubam porções de terras produtivas, causam poluição sonora, do ar, e centenas de mortes por atropelamento no caso da BR e das estradas de ferro.

As lideranças de Santa Rosa dos Pretos vem denunciando essas violações há anos, em diversas instâncias dos órgãos públicos, na imprensa, nas discussões junto a movimentos sociais e entidades aliadas da luta. 

Em 2011, o Ministério Público Federal (MPF) instaurou uma Ação Civil Pública (ACP) contra Vale S.A. e Ibama por violações cometidas por ambos contra quilombolas de Santa Rosa dos Pretos na duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), da Vale.

A transnacional foi condenada em 2012 a realizar uma série de reparações e ações de mitigação dos impactos causados. Entre as reparações, está a recuperação de um igarapé que a empresa concretou e fez praticamente secar – o igarapé tinha fama entre os quilombolas por ser rico em peixes e de não secar nunca, nem durante o verão nordestino.

Sete anos depois da condenação, a empresa nunca recuperou o igarapé e nem cumpriu com a maioria das obrigações às quais foi obrigada em juízo. Segue impune, como os colonizadores de 1500.