Com raízes firmes, Tauá-Mirim segue mobilizando pela criação da Resex

Com raízes firmes, Tauá-Mirim segue mobilizando pela criação da Resex

Comunidade na zona rural de São Luís reforça campanha por justiça ambiental e articula ações para o dia de lançamento e a Feira da Resex, mesmo diante dos impactos de grandes empreendimentos.

Fotos: Campanha Resex Tauá-Mirim Já

No último sábado, 5 de abril, a comunidade de Tauá-Mirim, na zona rural de São Luís (MA), recebeu uma visita de articulação e escuta como parte da mobilização pela campanha “Resex Tauá-Mirim Já”. A atividade teve como foco fortalecer o diálogo com os moradores sobre a urgência da criação da Reserva Extrativista e articular os preparativos da comunidade para a Feira da Resex, prevista para acontecer ainda neste mês.

A ação envolveu representantes de diversas organizações parceiras, entre elas o Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a Associação Tijupá e a Justiça nos Trilhos (JnT).

A acolhida foi calorosa. Os visitantes foram recebidos pelos moradores e pelo padre Brayan, da Paróquia de Boa Viagem, que celebrava a missa naquele dia. Antes da celebração, foram distribuídos panfletos informativos da campanha. Ao final da missa, Alberto Cantanhede (Beto – Taim), pescador e integrante do Movimento Nacional dos Pescadores (Monape) e da Comissão Nacional de Fortalecimento das Reservas Extrativistas e Povos Tradicionais Extrativistas Costeiros e Marinhos (Confrem), compartilhou com os presentes os objetivos da campanha e reforçou o convite para o lançamento oficial, no dia 26 de abril, no centro de São Luís.

“Trata-se de um território historicamente ocupado por famílias que vivem do extrativismo, da pesca artesanal e da agricultura familiar. A criação da Resex é fundamental para proteger essas formas de vida e garantir justiça ambiental para os povos e comunidades tradicionais da Ilha”, destacou Beto.

A fala foi reforçada pelo padre Brayan, que relacionou a defesa da Resex com os princípios da Campanha da Fraternidade 2025, propondo uma reflexão profunda sobre a ecologia integral. Em sintonia com os apelos do Papa Francisco, o padre também gravou um vídeo de apoio à campanha.

Em paralelo, estão sendo realizados diálogos e visitas in loco às áreas produtivas onde se observam os impactos da poluição na produção de frutas nativas e cultivadas nos quintais, nos roçados, bem como na atividade pesqueira e na coleta de mariscos. As visitas revelaram a urgência de enfrentar os danos provocados por grandes empreendimentos nos territórios da zona rural da capital. Carlos Pereira, da Associação Tijupá, destacou os prejuízos diretos à produção de frutas na comunidade:

“Tauá-Mirim, a exemplo das demais comunidades da Resex, tem uma grande diversificação na produção, mas também é impactada pelos efeitos perversos da poluição provocada pelos grandes projetos nesse território. Observamos que ela tem sido uma das mais atingidas, especialmente em termos de perda na produção de frutas, tanto nas espécies plantadas — como os vastos bananais, que praticamente desapareceram devido a uma doença — quanto nas frutas nativas, muitas com perda total. Vale lembrar que, há pouco tempo, a comunidade levava polpa de frutas para a Feira da Resex. Hoje, infelizmente, isso já não é mais possível”, relatou.

Mesmo diante das dificuldades, os moradores receberam com entusiasmo a proposta de se reorganizar para a Feira da Resex, espaço de celebração da resistência e dos saberes tradicionais. Uma comissão local será formada para garantir que Tauá-Mirim esteja representada com sua memória viva — mesmo que muitos de seus frutos não estejam mais presentes.

A visita foi encerrada com uma foto coletiva e a gravação de vídeos em apoio à campanha. Com gestos simples e firmes, Tauá-Mirim reafirma seu lugar na história de luta pelo reconhecimento dos territórios tradicionais da Ilha, transformando dor em mobilização e cuidado em resistência.

Lideranças da Guiné ameaçadas pelo projeto Simandou visitam comunidades maranhenses violadas pela mineração

Lideranças da Guiné ameaçadas pelo projeto Simandou visitam comunidades maranhenses violadas pela mineração

🛤️ Seja no Brasil, com o projeto Grão Pará-Maranhão, ou na cordilheira de Simandou, na Guiné, os grandes projetos de “desenvolvimento” da mineração demonstram sua capacidade de exploração e devastação da natureza, juntamente com a violência aos modos de vida das comunidades. 

📍Nos últimos dias, uma delegação composta por cerca de nove pessoas da Guiné, ameaçadas pelo projeto que visa destruir uma cadeia de montanhas para a construção de uma mina de ferro a céu aberto no sudeste do país, passou por cidades de Minas Gerais, Pará e Maranhão para conhecer as estratégias de defesa da terra pelas comunidades brasileiras.

“As minas serão abertas na cadeia de montanhas explorada, que é uma zona de floresta muito densa, com muita biodiversidade. Para chegar ao porto, que fica do outro lado, será construído um caminho de ferro que atravessará todo o país até o oceano. Com 600 a 700 km de comprimento, esse caminho entre as minas, o trem e o porto, que formam os três componentes, impactará o meio ambiente, as terras agrícolas, as terras de pasto e também as zonas de terra”, diz Ibrahima Sory Kourouma.

🤝🏿 A experiência de troca com os assentamentos Agroplanalto, João do Vale e Francisco Romão, próximos a Açailândia (MA), fez com que africanos e brasileiros se conectassem por meio da força da resistência, apesar das diferenças linguísticas aparentes.

✊🏾 Esse foi o conselho de Alzeneide Prates, mulher assentada e defensora da terra e dos direitos humanos: “Não podemos desistir daquilo que nos faz existir: a terra. Esses grandes projetos vêm para nos iludir, e depois voltamos à estaca zero. Que vocês não desistam da vida dentro dos territórios”.

Fotos: Yanna Duarte

Comitiva da Justiça nos Trilhos participa do Encontro de Espiritualidades em Minas Gerais

Comitiva da Justiça nos Trilhos participa do Encontro de Espiritualidades em Minas Gerais

Participaram do evento organizações de oito países, entre eles: México, Guatemala, Equador, Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina, Brasil.

Com o tema “Desmascarar o discurso do deus dinheiro”, o ‘Encontro de Espiritualidades: Comunidades que resistem a mineração’, ocorrido em Belisário, Zona da Mata em Minas Gerais, foi uma verdadeira imersão na vida e luta dos territórios que participaram: México, Guatemala, Equador, Venezuela, Colômbia, Peru, Argentina, Brasil.

O elã do encontro foi o da escuta, do silêncio, da contemplação, das histórias, dos cantos que fazem memórias. Onde foi possível enaltecer a doçura da unidade, mas também acessar força que mantém a luta dos povos viva: a única resposta possível é porque possuem fé. A comitiva da Justiça nos Trilhos contou com Anacleta Pires, do território quilombola Santa Rosa dos Pretos, Vanussa Guajajara, da indígena da T.I Piçarra Preta, no Maranhão, e o educador popular Alaíde Abreu.

“Hoje eu trago um coração cheio de aflição por causa das discussões que tivemos ontem e do relato dos companheiros. Quero ressaltar sempre a importância da preocupação com os nossos jovens que ultimamamente têm sido vítimas de tanta violência e o negacionismo ao seu direito tem sido implantado dentro dos territórios. Seja o direito dos originários, quilombolas, ribeirinhos, camponeses, na Venezuela, Peru, Equador, México, ou em qualquer outra parte do mundo. É uma violência tão grande porque tem tornado os nossos jovens zumbis dentro do mundo”, partilha Vanussa. A fala dela ainda trouxe uma crítica à violência do sistema capitalista contra as comunidades.

Neste ano de 2023, a Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara lançou recentemente a cartilha ‘Economia de Francisco e Clara: Denúncia às violências financeiras, anúncio às economias para o bem viver’. Esse trabalho é fruto de uma reflexão profunda trazida pelos integrantes da centralidade da violência financeira dos mega empreendimentos econômicos, que causam impacto profundo na vida das comunidades.

E, o mais importante desses mega empreendimentos, são os que se fundamentam num modelo econômico extrativista. A exploração mineral é um dos temas mais urgentes para discutir qual modelo econômico buscamos.

Com informações da Rede Igrejas e Mineração.