Reunião com o grupo de leigos e leigas combonianas no escritório da Justiça nos Trilhos, em Açailândia.
Um grupo de cinco pessoas, leigos e leigas combonianas, visitou a Justiça nos Trilhos (JnT), no dia 17 de janeiro, para conhecer os eixos de trabalho da organização e os problemas que atravessam a região, assim como as comunidades impactadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC) no Maranhão.
O grupo era formado por pessoas que se interessam sobre as violações cometidas pela cadeia da mineração e que atuam como missionários e/ou em movimentos sociais. Entre os lugares visitados, conheceram o bairro de Piquiá de Baixo, e o reassentamento Piquiá da Conquista, assim como o projeto de Alternativas Econômicas à Mineração (Ciranda) e o assentamento Francisco Romão.
A visita durou três dias e fez parte de uma imersão numa das presenças combonianas em Açailândia, como a paróquia comboniana de Piquiá de Baixo. A presença dos missionários e missionárias na região de Açailândia se dá há pelo menos 30 anos, em especial na defesa dos direitos das comunidades violadas pela mineração. É o exemplo de Cármen Bascaran, leiga missionária comboniana que há 25 anos atrás criou o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos (CDVDH) de Açailândia.
Entidades membro da Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale em encontro no Rio de Janeiro, que durou três dias. Imagem: Divulgação Ibase
A Associação Justiça nos Trilhos (JnT), como uma das organizações que fazem parte da AIAAV (Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale), se reuniu no Rio de Janeiro, entre os dias 16 e 18 de janeiro, para planejamento e discussão de atividades futuras da articulação, após mais de dois anos sem reuniões presenciais devido a pandemia da COVID-19.
Durante o encontro, as organizações discutiram e avaliaram os últimos anos da articulação, a nova conjuntura sociopolítica, desafios e projetos futuros. As atividades se encerraram com a apresentação de projetos e atividades a serem realizadas ao longo dos próximos três anos, além da construção coletiva de um instrumento de avaliação e monitoramento das atividades.
Com isso, a Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale é importante porque consegue reunir várias organizações e movimentos do Brasil e do exterior, assim como sindicatos de trabalhadores/as da mineração e lideranças comunitárias que são afetadas diretamente pela atuação da empresa transnacional Vale S.A.
“Ter um espaço onde você se articula e discute a atuação de uma das principais mineradoras do mundo e a forma como ela viola os direitos humanos e socioambientais, nos ajuda a pensar em mecanismos de defesa dos territórios e em novas formas de mineração que não seja esse modelo exploratório e predatório que destrói a vida e a natureza. Então, essa articulação é importante não só por ser um espaço de denúncias, mas também por apontar caminhos de superação desse modelo de exploração mineral”, reflete Mikaell Carvalho, coordenador geral da JnT.
Na ocasião, participaram doze representantes das entidades membro da AIAAV, entre eles: Brigadas Populares de Minas Gerais, FASE (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional), Instituto Pacs (Políticas Alternativas para o Cone Sul), Justiça Global, MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração) e Sindicato Metabase Inconfidentes.
Além desses, estão representadas também a Secretaria e a Comunicação da Articulação e o Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), entidade parceira da AIAAV.
A obra tem como objetivo compilar e organizar os dispositivos legais, nacionais e internacionais, que versem sobre a proteção do bem viver das comunidades tradicionais, dos povos originários e comunidades quilombolas.
Reprodução: instagram.com/najupnegrocosme
A Justiça nos Trilhos apoiou a publicação do primeiro Livro Digital do Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (NAJUP) Negro Cosme, acompanhado de Audiolivro, da Coleção Esperança Garcia. A obra tem como objetivo compilar e organizar os dispositivos legais, nacionais e internacionais, que versem sobre a proteção do bem viver das comunidades tradicionais, dos povos originários e comunidades quilombolas.
O projeto surgiu a partir da resistência das comunidades quilombolas afetadas pela duplicação da rodovia BR 135, resultando na parceria do NAJUP com o Comitê de Defesa dos Direitos Quilombolas de Santa Rita e Itapecuru-Mirim/MA e demais organizações em defesa dos trabalhadores e povos e comunidades tradicionais.
A Coleção, que traz consigo a memória de Esperança Garcia — primeira advogada do Piauí: mulher negra, mãe e escravizada —, tem um texto mais legível, dinâmico e acessível, dispondo de gravação em áudio (audiolivro) realizada pelos integrantes do Núcleo, com o apoio financeiro da Justiça nos Trilhos.
Por meio deste projeto, busca-se facilitar o acesso ao arcabouço jurídico pelos seus reais destinatários, concretizando os princípios norteadores do NAJUP: valorização e proteção dos conhecimentos tradicionais, a horizontalidade dos diálogos, o fortalecimento da Educação Popular e dos ensinamentos de Paulo Freire, contribuindo para a validação de realidades Outras.
Para acessar e baixar o audiobook e a publicação em pdf clique aqui.
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