No Brasil, a principal empresa de mineração investigada é a Vale S.A.
Nos últimos três anos, as organizações como a Rede Igrejas e Mineração, o Movimento dos Povos Asiáticos sobre Dívida e Desenvolvimento e o Centro de Informação e Desenvolvimento Alternativo, buscaram investigar e combater ações de impunidade corporativa, fluxos financeiros ilícitos e a transferência de lucros cometidos por grandes empresas, especialmente do setor de mineração com presenças em países do Sul Global.
A injustiça fiscal é tema de projeto desenvolvido por essas organizações do Brasil, África do Sul e Filipinas, que têm em comum, no que diz respeito à ação de empresas multinacionais do setor da mineração. Todos são afetados pela forte presença empresarial, incontáveis problemas no desenvolvimento social, altos índices de desigualdades sociais, empobrecimento e práticas empresariais de exploração das classes trabalhadoras.
Com o objetivo de compartilharem as primeiras reflexões sobre pesquisas desenvolvidas em cada um dos países, essas organizações se encontraram durante a primeira semana de setembro na África do Sul. Realizaram também um processo formativo sobre fluxos financeiros ilícitos e os seus impactos em municípios que sofrem os efeitos da exploração mineral. O Brasil esteve representado pelas organizações Rede Igrejas e Mineração, Justiça nos Trilhos, Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração, Movimento pela Soberania Popular na Mineração e o Grupo de Pesquisa Mineração e Alternativas (MINAS), da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
Tadzio Coelho, pesquisador e coordenador da pesquisa desenvolvida no Brasil apresentou os dados coletados pelo grupo de pesquisa MINAS, sobre a principal empresa de mineração no Brasil, a Vale S.A. Ele destacou que “as transferências financeiras realizadas através das fronteiras por empresas como a Vale S.A., para a obtenção de lucros podem gerar evasão fiscal e abusos regulatórios”. Tais ações afetam diretamente a arrecadação dos recursos advindos da exploração mineral no Brasil, como a CFEM e impactam nos modos de vida das comunidades e na elaboração de políticas públicas nos municípios.
De acordo com o pesquisador, é importante analisar os fluxos financeiros das empresas a partir de uma dimensão também social, levando em conta que os preços dos minérios aumentaram nas últimas décadas e geraram processos de exploração em países do Sul Global, como o Brasil. A mineração afeta milhares de pessoas e a natureza e gera uma série de impactos negativos, por exemplo a morte de pessoas e a destruição do meio ambiente como nos casos de rompimentos de barragens no estado de Minas Gerais.
No Maranhão, a Estrada de Ferro Carajás (EFC), de concessão da Vale S.A., atravessa mais de 100 comunidades e transforma os modos de vida das populações, entre elas comunidades indígenas e quilombolas. São impactos que vão desde a poluição sonora, causada pelo transporte do minério de ferro a céu aberto até atropelamentos fatais de pessoas e animais. Problemas semelhantes são vivenciados em outros países como África do Sul e Filipinas, pelas ações de empresas que funcionam com o mesmo padrão da mineradora Vale S.A.
Quando as práticas de evasão fiscal cometidas por essas empresas são identificadas é possível também indicar as perdas de lucros que os municípios afetados pela mineração têm anualmente, e como eles poderiam ser utilizados para a melhoria da qualidade de vida e para a criação de outras alternativas econômicas. Esse é o objetivo das pesquisas realizadas em cada país. Para ter acesso aos dados preliminares coletados pela equipe de pesquisadores do Brasil, acesse aqui. Uma versão completa da pesquisa está sendo concluída e será lançada até o final de novembro de 2022.
porLarissa Santos – Coordenadora Política na Justiça nos Trilhos
A manhã do segundo dia (16/9) do IV Encontro Maranhense de Agroecologia foi marcada por intercâmbios e vivências em comunidades agroecológicas e territórios tradicionais. A ideia foi compreender como a relação de cuidado e pertencimento com a terra, por meio do sistema agroecológico, é um instrumento de resistência e enfrentamento contra os grandes empreendimentos e o agronegócio. Foram visitados o projeto Tapera Viva e as comunidades tradicionais do Cajueiro e Taim, na zona rural de São Luís.
O sítio agroecológico Tapera Viva, localizado na comunidade Quinta, em São José de Ribamar, é uma iniciativa de conexão com a terra e a produção saudável de alimentos por meio da construção de agroecossistemas ecologicamente equilibrados. “A nossa missão é cuidar da terra, do solo e produzir vida. A gente olha pra tudo o que há ao nosso redor como conexões, entendendo a função de cada organismo que vem para a nossa horta, ao invés de só aplicar algum tipo de veneno. Compreender e aproveitar o conhecimento e função que eles nos traz e aplicar na nossa atividade agrícola”, nos conta Taiguara dos Santos, integrante da família Tapera Viva.
Caminhada na Tapera Viva | Foto: Ingrid Barros
Dentre a produção da família estão hortaliças, frutas, condimentos, alface, rúcula, milho, macaxeira, abóbora, banana, mamão, entre outros. “Essa experiência foi muito agradável, aprendi muito sobre o modo deles trabalharem. Fazendo a cobertura das folhagens nos canteiros, aproveitando os troncos de bananeira, achei muito interessante. Vou levar muito aprendizado para espalhar para minha comunidade”, Gersina Lopes, agricultora da comunidade Claridade, São Luís Gonzaga.
No dia 8/12 será a primeira vivência pedagógica para crianças voltada para a agroecologia e o brincar livre. O intuito é despertar percepções e aprendizados por meio do som, do cheiro e do tato com a terra. “Pensar no cuidado da terra, é pensar no cuidado de nossas crianças. A revolução será dos nossos filhos. Educá-las para que dêem continuidade a esse caminho que estamos trilhando”, reflete Júlia Monteiro, parceira do Tapera e também do território quilombola criativo Casulo Amarelo.
Agroecologia é semente da esperança | Foto: Ingrid Barros
No intercâmbio em Cajueiro e Taim, vivenciamos a defesa do Bem Viver e nos indignamos com as violações
Cajueiro é um lugar árvore na ilha de Upaon-Açu (São Luís). Árvore frutífera, que além de caju, brota outras vidas que pulsam por justiça, como por exemplo, as famílias, que têm sido atravessadas por grandes projetos do dito desenvolvimento. Lugar que ainda o verde e as demais cores da ilha insistem em florescer. A luta no território Cajueiro é pela permanência nele.
Entre as saídas os encontros de reexistências em territórios e resiliência às mudanças climáticas em São Luís, a parada em Cajueiro foi uma delas. A vivência foi no espaço da União de Moradores de Cajueiro. A prosa foi conduzida pelos moradores Davi Sá e Lucilene Costa. Ambos compartilharam sobre como Cajueiro vem resistindo e enfrentando o descaso da Justiça e a pressão política e econômica exercida pelas empresas com grandes interesses pela área, em especial, a instalação do Porto São Luís em parceria com o Governo Estadual.
“Aqui tinha um grande babaçual. Mais de 5 mil palmeiras de babaçu foram abaixo. 24 casas foram derrubadas de forma forçada. Para a justiça e governo, as vidas valem menos que toda essa especulação imobiliária e os interesses dessas empresas”, enfatiza Davi, ao relatar algumas violações que foram levadas para o Tribunal Permanente dos Povos, e lamentar por todas as ações que são emperradas pelo judiciário, dando tempo para o avanço nos investimentos do agronegócio na região.
“Só quem sabe é quem está dentro da história. Nós moradores de Cajueiro sabemos que tudo isso são estratégias para nos desmobilizar, nos fazer desistir e nos colocar uns contra os outros. Mas isso não vai me fazer desistir de ser resistência e de ser defensora da vida, do brincar dos meus netos no balanço e do tempo natural das coisas”, afirma Lucilene Costa, moradora de Cajueiro.
Vivência na comunidade de Cajueiro | Foto: Lanna Luz
Na roda de conversa entre os moradores e visitantes, vivenciamos a defesa do Bem Viver e nos indignamos com as violações sofridas pelas famílias e pela natureza. “Mais de 5 mil palmeiras de babaçu foram derrubadas em Cajueiro. Vidas foram mortas aqui. Porque as palmeiras são nossas irmãs. Somos filhas da mesma mãe Terra. Quando derruba uma é como se matasse a gente”, lamenta Vicença Alves, da União das Associações das Escolas Famílias Agrícolas do Maranhão, após a escuta das falas de Davi Sá e dona Lucilene Costa.
Dona Lucilene, força e resistência da comunidade do Cajueiro | Foto: Lanna Luz
Da mesma sorte, a comunidade de Taim, também localizada próximo ao Complexo Portuário do Itaqui, é uma rica reserva de recursos naturais. Há mais de 40 anos, a comunidade vem sofrendo com a instalação de grandes projetos de desenvolvimento econômico como empresas multinacionais de mineração, de fertilizantes e produtoras de grãos e soja. Aos olhos de quem visita Taim, é perceptível as grandes crateras, elevados barrancos e paisagens cinzentas ocasionados por grandes e pesadas máquinas e estruturas no meio da mata e do manguezal.
“A gente vive e resiste aqui no meio do furacão, por causa de um desenvolvimento, que assola, maltrata e degrada nosso povo, nosso território. Antes, era tudo abundante aqui. Tínhamos uma diversidade de peixes, mariscos, plantas, caças e animais. Além da natureza, nossa forma de se alimentar foi também impactada. Tudo isso foi causado pelo capital e pelo agronegócio”, enfatizou uma das lideranças comunitárias de Taim, Francivania Gonçalves.
Toda essa situação de Taim não só altera drasticamente a paisagem física, geográfica e natural da comunidade, mas também muda e implica no modo de vida dessas pessoas, na sua ancestralidade com o território e nos seus laços sociais e afetivos com aquele lugar, além da ameaça constante de realocações das famílias.
Agroecologia no enfrentamento às mudanças climáticas
Vivência na comunidade Taim | Foto: Daniel Ferreira
A agroecologia surge como um modo de vida viável, sustentável junto às comunidades. A realidade das comunidades é marcada por territorialidade e ecossistemas, e elas são afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas quando são invadidas e destruídas. “O Maranhão vive uma guerra, os megaprojetos e o agronegócio impedem que as pessoas tenham um sistema de produção agroecológica, de agrofloresta. Essas pessoas têm amor, cuidado e pertencimento com a terra, mas vivem em constante ameaça e violações físicas e psicológicas ” pontua Ariana Gomes, secretária executiva da Rama.
Durante o segundo painel do encontro, foi discutido como as mudanças no clima são resultados de desequilíbrios ecológicos e destruição dos territórios. A agroecologia é a possibilidade de que tudo permaneça vivo. “Vimos que a construção de um porto é a destruição de várias comunidades que estão ali secularmente. Lá temos o manejo do extrativismo, da pesca e da agricultura. A comunidade sempre viveu de sua territorialidade, fundamental para a sustentabilidade dentro dos territórios e da manutenção das espécies em equilíbrio ecológico. A ação do Porto impacta diretamente em todo nosso espaço, campo, cidade e litoral”, reflete Paulo Gonçalves do grupo Carta de Belém.
A agroecologia é a possibilidade de que tudo permaneça vivo | Foto: Ingrid Barros
O sistema agroecológico, para além de canteiros de produção, demonstra uma garantia da soberania alimentar, em contraponto com a lógica de destruição do agronegócio. Ela concilia a vida no território com a natureza. “ Infelizmente no Brasil o campo não é pensado como um espaço de vida, mas como o lugar da soja e do boi. O campo é o espaço de vida dos camponeses e camponesas”, complementa. Trazendo ainda a reflexão que não é possível falar em compensação quando se trata de destruição ambiental. Uma área desmatada não se compensa com crédito de carbono, um Rio Doce morto pela Vale S.A, não se resolve com uma compensação em dinheiro aos atingidos.
Ato Político
Na segunda noite do IV EMA, foi realizado um ato político da Agroecologia nas Eleições, apresentando a Carta-Compromisso elaborada pela RAMA em sinergia com Articulação Nacional de Agroecologia. Durante o ato foi relatado os candidatos e candidatas aos poderes executivo e legislativos estadual e federal, que assinaram e se comprometeram com demandas referentes ao reconhecimento e ao fortalecimento da agroecologia e do debate para a construção de políticas capazes de responder a fome, a crise ambiental e a mitigação dos conflitos no campo.
“As pessoas se elegem e lá fortalecem projetos e políticas que vão contra a agroecologia e a agricultura familiar. Apoiam o latifúndio, o monocultivo. E a agroecologia nas eleições é esse espaço pra gente ouvir as demandas das comunidades, que não tem onde plantar, que não tem como ter o alimento. A carta-compromisso é uma forma de fazer pressão aos candidatos que se elegeram e se comprometeram com os termos dela”, pontua Cidvânia Oliveira da Associação Agroecológica Tijupá.
Nos pontos da carta temos a efetivação dos direitos territoriais e fundiários de agricultores/as familiares, povos indígenas, comunidades quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais; a democratização do acesso à terra e aos demais bens da natureza; a regulação ambiental; os direitos trabalhistas e previdenciários; apoio a processos de comercialização e abastecimento que garanta soberania alimentar e nutricional; e os serviços públicos de educação e saúde.
“A campanha agroecologia nas eleições é uma forma de apresentar a sociedade nomes e vozes que estão defendendo agroecologia no Maranhão”, finaliza Fábio Pacheco da coordenação executiva da Rama. Para conhecer a lista dos candidatos que já realizaram suas assinaturas, é só acessar o site da Articulação Nacional de Agroecologia.
Oficinas e partilhas
Na manhã do sábado (17), terceiro e último dia do encontro, foram ministradas oficinas temáticas. Os grupos se dividiram entre os temas Justiça Ambiental e Climática, Mulheres e Agroecologia, Fracking no Maranhão, além de Comunicação e Juventudes.
Oficina de Justiça Ambiental e Climática | Foto: Lanna Luz
Durante a oficina sobre o Fracking foi demonstrado como essa técnica de extração de petróleo e gás, causa impactos ambientais no solo, rios e aquíferos, bem como a probabilidade de doenças como câncer e problemas respiratórios e cardíacos. E como há projetos avançando nas comunidades e territórios tradicionais do Maranhão. “O governo federal está entregando uma área importantíssima do Maranhão de bandeja para as empresas de gás, sem ouvir as comunidades que vivem na região e nem os cientistas que pesquisam o tema e afirmam que o fracking é perigoso”, afirma Renan Pereira, organizador de campanhas da 350.org.
A oficina de comunicação e juventude trouxe a potência das narrativas e vivências territoriais. Genilson Guajajara, fotográfo e comunicador popular da Aldeia Piçarra Preta, Terra Indígena Rio Pindaré (MA), aproveitou o espaço para semear a comunicação, que tem como proposta o anúncio do Bem Viver, dos modos vida e a sabedoria do povo. “A cutia quando encontra um coco que esteja bom pra se alimentar, ela bate um coco no outro para convidar outras cutias para se alimentar. As cutias se comunicam e se sentem representadas por essa forma de se comunicar. Pra mim, esse é um dos maiores ensinamentos sobre o que é comunicação e sobre o que comunicar. Isso me fez levar para o meu trabalho, a comunicação com o cheiro e o jeito do meu povo”, pontua.
Relatoria Gráfica sobre as oficinas feita por Ricardo Wagner
A manhã seguiu com a socialização das oficinas na plenária e também com a apresentação das principais ações da Rede de Agroecologia do Maranhão, como a articulação com campanhas nacionais e regionais, a criação de minutas de leis, realização de encontros, incidência nas instituições públicas por meio de denúncias, fortalecimento da produção agroecológica nos territórios por meio de editais de fomento, entre outros. “As organizações que fazem parte da Rama entendem a agroecologia para além da técnica, onde trabalhamos o empoderamento das mulheres, da juventude, defesa dos territórios e contra uso de agrotóxicos”, comenta Ariana Gomes.
Socialização sobre a oficina Mulheres e Agroecologia – Sem feminismo, não há agroecologia | Foto: Ingrid Barros
Foram dias ricos de trocas, formações e fortalecimento político e agroecológico. O fomento da produção e da proteção dos territórios e comunidades tradicionais a partir do cuidado com a terra, é uma forte ferramenta contra as boiadas que querem passar, avanço do agronegócio, os desmontes das políticas sociais, das violações dos corpos-território perpetrados pelos grandes empreendimentos, da lógica do capital e do patriarcado, além de ser uma sabedoria potente de combate às mudanças climáticas por meio das tecnologias sociais, sabedorias tradicionais e do manejo da biodiversidade.
Foto: Ingrid Barros
Agradecemos a todes que estiveram presente conosco nesses três dias. Com violência doméstica, não há agroecologia. Com racismo, não há agroecologia. E sem juventudes, não há agroecologia. Seguimos organizados e em luta!
Cobertura Colaborativa realizado pelo GT de Comunicação da Rama.
Composto por comunicadoras e comunidadores populares de territórios afetados pela EFC, o coletivo participou da oficina Comunicação e Juventudes no Encontro Maranhense de Agroecologia
Neste sábado (17), o terceiro e último dia do IV Encontro Maranhense de Agroecologia (EMA), realizado pela Rede Maranhense de Agroecologia do Maranhão (RAMA), foi palco de um levante de vozes da juventude do Maranhão sobre os processos e experiências de comunicação. O espaço de troca de experiências foi responsável pelo fortalecimento da ideia de se comunicar a partir e pelo território.
OColetivo Pinga Pinga, representado no encontro pelos jovens comunicadores Mateus Adones (Santa Rita), Fran Silva (Taim) e Genilson Guajajara (TI Rio Pindaré), retoma o debate sobre a importância de instigar a comunicação popular e, com isso, democratizar os meios de comunicação, trazendo para a roda de conversa, durante a Oficina Comunicação e Juventudes, as diversas faces da comunicação popular desenvolvida no Maranhão.
Genilson Guajajara, fotográfo e comunicador popular da Aldeia Piçarra Preta, terra indígenaRio Pindaré (MA) e integrante do Coletivo, aproveitou o espaço para semear a comunicação, que tem como proposta o anúncio do Bem Viver, dos modos vida e a sabedoria do povo. “A cutia quando encontra um coco que esteja bom pra se alimentar, ali mesmo no pé da palmeira, ela bate um coco no outro para convidar outras cutias para se alimentar. As cutias se comunicam e se sentem representadas por essa forma de se comunicar. Pra mim, esse é um dos maiores ensinamentos sobre o que é comunicação e sobre o que comunicar. Esse ensinamento da natureza, me faz levar para o meu trabalho, a comunicação com o cheiro e o jeito do meu povo“, afirma Genilson.
Os ensinos do cantar do galo, os versos da terra e a necessidade de fazer as denúncias sobre as violações dos Direitos Humanos e os Direitos da Natureza chegarem mais longe, foram outros temas levantados pela comunicadora Fran Silva, da comunidade Taim, da zona rural de São Luís, e o pelo comunicador Mateus Adones, de Santa Rita, ambos do Coletivo Pinga Pinga. “Nosso grupo nasceu de uma brincadeira de jovens dos territórios que são afetados pela cadeia da mineração ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC), nos espaços de formação política realizados pela Justiça nos Trilhos. Unimos nossas sabedorias e começamos a fazer comunicação. Depois do primeiro boletim feito, percebemos que seria necessário ocupar outros espaços. A folha chamex não cabia tudo que precisa ser dito“, ressaltou Mateus.
A comunicadora Fran Silva, compartilhou sobre a sua experiência com a produção do documentário A retomada da farinhada, divulgado também nos canais da Agência Zagaia, um território digital de comunicação popular feita por e para comunicadoras e comunicadores indígenas, quilombolas e de outros povos e comunidades tradicionais. A agência fomenta e deságua a comunicação popular, sendo um veículo de força e propulsão para iniciativas independentes dessas comunicadoras e comunicadores.
O documentário traz a diferença entre o extrativismo feito pelo povo e o extrativismo empresarial. “O nosso foco mesmo é de valorizar a memória da comunidade sobre a nossa casa de farinha, que com o passar do tempo e o declínio da produção em consequência dos impactos dos empreendimentos, teve que ser desativada, mas durante a pandemia, como forma de retomar a autonomia alimentar ensinada pelos ancestrais, reconstruímos casa de farinha coletiva”, compartilha Fran.
Vanussa Guajajara, Genilson Guajajara, Fran Silva e Mateus Adones
Pegar as redes sociais, pintar de povo e fazer a revolução
Jovens de outros territórios, como é o caso de Mateus Alves, da comunidade Centro dos Cocos em Alto Alegre, socializa a experiência da juventude no território digital, com sucesso na comercialização dos produtos da agroecologia pelas redes sociais. “A gente precisa descobrir no que somos bons. Porque acredito que somos bons em tudo da era digital, e podemos usar isso ao nosso favor”, ressalta o jovem.
Outras iniciativas também foram citadas, como por exemplo, a experiência da TV Quilombo, do Quilombo Rampa, em Vargem Grande (MA), onde a comunicação é feita com muita criatividade e inovação, onde a riqueza dos saberes e da histórias é contado pelos os comunicadores por meio de materiais ancestrais e improvisados, como a câmera de papelão e o bambu drone. O objetivo é valorizar a representatividade dando visibilidade à cultura quilombola através de conteúdo audiovisual.
O trabalho Memória Viva Guajajara com a exposição Tenetehar que será realizada na Casa do Maranhão, a partur do dia 21 de setembro às 17h30, também foi citado. A exposição TeneteharYwy Pinare Iwar Rehe Har visa fortalecer a (Re)existência da cultura Guajajara através de registros fotográficos e audiovisuais realizados pelos artistas Anthonyo Guajajara e Genilson Guajajara, a partir dos relatos dos anciãos do povo Tenetehar e do cotidiano da T.I., como as imagens da Festa da Menina Moça.
Além da oficina de Comunicação e Juventude, foram realizados outros espaços de partilhas e produção de conhecimento, como as oficinas: Mulheres e Agroecologia; Conflitos e Justiça Ambiental e Clima; Fracking no Maranhão.
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