Campanha ‘Resex Tauá-Mirim Já’ reforça mobilização pelo reconhecimento da Reserva Extrativista no Maranhão

Campanha ‘Resex Tauá-Mirim Já’ reforça mobilização pelo reconhecimento da Reserva Extrativista no Maranhão

Pela defesa do território, dos modos de vida tradicionais e da biodiversidade maranhense

No dia 26 de abril, será lançada a campanha ‘Resex Tauá-Mirim Já’, iniciativa que busca fortalecer a mobilização social e garantir o reconhecimento oficial da Reserva Extrativista (Resex) Tauá-Mirim. O território, localizado na região costeira amazônica do Maranhão, é essencial para a biodiversidade, a cultura e os modos de vida tradicionais das comunidades locais.

O evento de lançamento ocorrerá a partir das 8h, no Sindicato dos Bancários, reunindo lideranças comunitárias, movimentos sociais e apoiadores da causa ambiental para atividades culturais e debates sobre a importância da reserva.

Uma Reserva Extrativista (Resex) é mais do que uma área protegida por lei: é um espaço de vida, trabalho e resistência, onde comunidades tradicionais se sustentam por meio do extrativismo e de outras atividades como pesca, mariscagem, agricultura de subsistência e criação de pequenos animais. É exatamente esse modelo que as comunidades da zona rural de São Luís reivindicam com a decretação da Resex Tauá-Mirim.

A Resex é vital para a proteção da natureza e a conservação da biodiversidade, garantindo a segurança alimentar e o sustento das comunidades locais. Além disso, ao preservar as práticas tradicionais e os ecossistemas, a reserva contribui para o equilíbrio climático, contrapondo-se aos impactos negativos provocados pelo avanço de empreendimentos industriais e portuários na região.

Uma luta de mais de 20 anos


O processo de criação da Resex Tauá-Mirim teve início em 2003, no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) no Maranhão. Estudos técnicos foram favoráveis à criação da reserva e, em 2007, o pedido foi encaminhado ao Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, onde permanece até hoje, sem a decretação oficial.

Ao longo dessas duas décadas, as comunidades têm enfrentado conflitos territoriais e resistido ao avanço do grande capital, que ameaça transformar a zona rural de São Luís em uma área industrial e portuária, ignorando sua importância ambiental e social. Em 2015, diante da demora na oficialização da reserva, foi realizada uma Assembleia Popular na comunidade do Taim, onde as comunidades autoproclamaram a Resex Tauá-Mirim e criaram um Conselho Gestor para seguir articulando a luta.

Apesar dessa autogestão, o reconhecimento legal da Resex é essencial para garantir a proteção integral do território e a conservação da biodiversidade. Como dizia Dona Maria Máxima Pires, liderança histórica da luta pelo território, “a Resex é o pulmão de São Luís”, assim como a Amazônia é para o Brasil e o mundo.


Como apoiar a campanha?

  • Participar das mobilizações e eventos;
  • Divulgar a campanha em redes sociais e outros meios;
  • Cobrar das autoridades o reconhecimento oficial da Resex;
  • Apoiar as comunidades locais na defesa do território.

A Resex Tauá-Mirim é alimento, vida, cultura. É morada de Encantados da tradição afro-indígena do Maranhão. É região costeira amazônica, rica em águas e florestas, com manguezais fundamentais para o equilíbrio ecológico e o sustento das comunidades.

O lançamento da campanha contará com atividades culturais e debates sobre a importância da reserva, reunindo lideranças comunitárias, movimentos sociais e apoiadores da causa ambiental.

Realização: Conselho Gestor da Resex Tauá-Mirim
Apoio: Fundo Brasil

Comunidades rurais no Maranhão têm acesso bloqueado após obras na Ferrovia Transnordestina

Comunidades rurais no Maranhão têm acesso bloqueado após obras na Ferrovia Transnordestina

Moradores de comunidades quilombolas em Itapecuru-Mirim enfrentam dificuldades de locomoção após manutenção na Ferrovia São Luís-Teresina (Transnordestina) destruir a principal via de acesso, comprometendo serviços essenciais e a rotina das famílias.

🚨 FERROVIA PASSA, MAS O POVO FICA ISOLADO! 🚨
🚂 Máquinas destruíram a única estrada de acesso das comunidades quilombolas Boa Vista e Barreira, no Maranhão.

Nesta sexta-feira (7), moradores das comunidades Boa Vista e Barreira, situadas no território quilombola Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru-Mirim (MA), denunciaram que estão com o acesso prejudicado após a passagem de máquinas pesadas durante uma manutenção na Ferrovia São Luís-Teresina (Transnordestina). Segundo relatos, a intervenção destruiu a estrada principal que liga as comunidades à zona urbana, comprometendo a locomoção e serviços essenciais.

A concessionária responsável pela ferrovia teria utilizado equipamentos de grande porte para a realização das obras, mas a movimentação desordenada de máquinas e caminhões pesados deteriorou completamente a estrada, tornando-a intransitável para veículos e pedestres.

“Estão passando com máquinas grandes e caminhões pesados, e isso acabou bagunçando a estrada oficial de acesso. Agora está muito difícil para a gente transitar”, denuncia um morador que prefere não se identificar por medo de represálias.

As famílias afetadas relatam dificuldades crescentes para se deslocar, especialmente idosos e crianças, e temem o isolamento caso a situação não seja resolvida com urgência. Além disso, há preocupação com o impacto na produção agrícola e no transporte de alimentos, já que a estrada é fundamental para o escoamento de produtos.

Diante do impasse, os moradores buscam apoio de organizações sociais e estudam denunciar o caso ao Ministério Público. Eles cobram um posicionamento da concessionária responsável pela ferrovia e exigem providências imediatas para reparar os danos causados.

A Ferrovia São Luís-Teresina (Transnordestina) é um importante corredor logístico na região, ligando o interior ao porto de São Luís. Contudo, seu histórico na região inclui denúncias de impactos socioambientais, como desmatamento, poluição sonora e restrições de acesso a territórios tradicionais.

A Justiça nos Trilhos (JnT), organização que acompanha os efeitos da infraestrutura ferroviária sobre populações locais, reforça as denúncias das comunidades. Enquanto aguardam respostas, os moradores seguem mobilizados, reivindicando seus direitos e a recuperação urgente da estrada.

Escola de Educação Popular no Corredor Carajás fortalece resistência e direitos dos povos tradicionais

Escola de Educação Popular no Corredor Carajás fortalece resistência e direitos dos povos tradicionais

2º Encontro aprofunda debates sobre conflitos agrários e estratégias de defesa dos territórios em Buriticupu (MA)

A Escola de Educação Popular no Corredor Carajás é espaço de troca e resistência. Comunidades, pesquisadores e movimentos se unem para defender a vida e os territórios.

Entre os dias 14 e 16 de fevereiro de 2025, o município de Buriticupu (MA) foi palco do 2º Encontro da Escola de Educação Popular no Corredor Carajás, um espaço de formação política gestado em aliança com os povos e comunidades tradicionais do Maranhão. O encontro reuniu mais de 30 pessoas comprometidas com a luta por cidadania, direitos humanos e direitos da natureza, reforçando estratégias de resistência e permanência nos territórios tradicionais frente ao avanço do modelo colonialista de exploração capitalista.

A programação incluiu momentos fundamentais para o fortalecimento dos participantes, como a exibição do documentário O Retorno da Terra – Tupinambá, seguido de uma roda de conversa, além da palestra Conflitos no Campo e Luta pela Vida, ministrada pelo assessor Rafael Silva, da Comissão Pastoral da Terra (CPT). Outros debates abordaram os Conflitos Territoriais e as formas de enfrentamento às ameaças que impactam as comunidades. Para integrar os conhecimentos adquiridos com a expressão corporal, foi realizada a oficina Corpo e Modos de Resistências com a educadora Lucrécia Greco.

A Escola de Educação Popular no Corredor Carajás busca ser um espaço de fortalecimento das lutas populares por meio do conhecimento compartilhado e da troca de experiências entre os participantes. “A formação popular é parte do nosso jeito de caminhar junto com as comunidades. A gente acredita que aprender e trocar saberes fortalece as lutas nos territórios, reafirma direitos e valoriza as histórias e tradições dos povos. Esse processo não é só sobre conhecimento, mas sobre fortalecer quem já resiste e constrói caminhos de justiça todos os dias”, destaca Alaíde Abreu, educador popular da Justiça nos Trilhos.

Cuidar do corpo, mente e espírito para transformar a raiva em alegria e força para cultivar o Bem-Viver.

O evento trouxe ao centro do debate os conflitos agrários que marcam a história do estado do Maranhão e contou com a presença emblemática de Vila Nova, liderança histórica na luta pela libertação da terra em Buriticupu. Sua trajetória de resistência inspira movimentos sociais e comunidades a seguirem firmes na defesa de seus direitos territoriais. “Os pobres precisam aprender o que é o poder popular para conseguir se defender. Temos que vomitar essa cultura capitalista para de fato mudar a sociedade”, afirmou Luiz Vila Nova, liderança camponesa histórica do estado do Maranhão.

Luiz Vila Nova, memória viva da luta pela terra. Sua presença fortalecendo caminhos.
Em Buriticupu, a Escola de Educação Popular reafirma: aprender é poder, e educar, libertação. A luta cresce na partilha de saberes.

Em aliança com a Associação Justiça nos Trilhos (JnT) e o Grupo de Pesquisa GEDMMA (Grupo de Estudos: Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente), a iniciativa vem ampliando os espaços de fala com um enfoque em uma educação antirracista, ancestral e revolucionária. Cada encontro fortalece o protagonismo da juventude, que se mune de saberes e ferramentas para a defesa de seus territórios e modos de vida. “Nós jovens somos uma força para nossos quilombos. Nesse encontro aprendemos mais a defender nossos territórios”, destacou Elenilton Pires, do Quilombo Santa Rosa dos Pretos.

“O Maranhão resiste. Entre saberes e lutas, seguimos de pé, defendendo nossos territórios com amor e justiça.”

A articulação entre comunidades, pesquisadores e movimentos sociais demonstra que a resistência se constrói coletivamente, garantindo que a luta pelos direitos humanos e pelos direitos da natureza siga avançando na região. “Nós às vezes ficamos cansadas e desanimadas na luta, mas são momentos como esses que nos fortalece novamente na defesa de nossos corpos e territórios”, ressaltou Ione Moraes, da Comunidade de Gapara.