Inchaço populacional, Falta de mão de obra na roça, Prostituição infantil pela chegada de 7000 homens no alojamento dos trabalhadores, a 6 Km da Vila, Aumento de doenças como DST e doenças tropicais devido o grande aglomerados de pessoas na vila, Desemprego, Poluição sonora, Especulação imobiliária e alto custo de vida, Acumulo de lixo com aumento de mosquitos e animais roedores, Destruição de nascentes e igarapés, Desmatamento, Consumo anual de 9.345t de explosivos, 13.440.000 litros de óleo diesel, 2.680.000 litros de lubrificantes.
2. Resistência da comunidade
A comunidade estã tentando organizar uma resistência para cobrar da Vale reparo aos danos sociais e ambientais provocados. Um dos objetivos da comunidade é que a Prefeitura adquira junto ao ITERPA a área da Vila, administrando assim com o povo as melhores condições de gerenciamento da mesma.
3. Entrevistas
Desapropriação “Eu morava do outro lado do rio Itacaiúnas, depois dessa infância minha, lá no Tapirapé, eu tirei um terreno lá pra mim, aí o INCRA mandou fazer um levantamento, e disseram que nós tinha direito, eu já tava com doze anos lá, e a Vale tirou nós de lá, a Vale indenizou esse povo todo lá, e quando foi no fim da conversa eu fui lá, o dinheiro acabou na hora de pagar. O sítio lá era muito lindo, e ainda hoje você chega lá de dia ou de noite, você não morre de fome porque tem muita fruta. Eu não recebi nenhum cruzeiro porque eles me enrolaram e disseram que não tinha dinheiro para pagar ninguém e eu aperreei eles, que era a Vale e o IBAMA, tudo entrosado no meio deles”
Estação Conhecimento “Um colégio que tão construindo ali é uma fachada da Vale com o prefeito…até hoje nada disso tá funcionando. Se tu vê o projeto do gado que ta lá em casa que eles fizeram pra mim, que foi onde eu me zanguei com eles, que eles faz uma promessa, uma proposta, e na hora não é aquilo que tá fazendo…
A gente fez um projeto para dentro de um ano tá vendendo leite, tá vendendo galinha, tá vendendo frango, tudo aqui, tranqüilo sem problema nenhum. Isso não aconteceu. Eu tô com meu filho dentro de casa tem quase dois anos, eu que tô mantendo toda despesa dele. Trouxe da rua por causa do projeto”
Barragem de rejeitos “…tem a barragem do Geladinho, eles vão reformar ela de volta. E quando fazer o serviço dela aqui, isso vai ser atingido essa nossa aqui. Quer dizer, hoje, daqui onde eu moro, pra água é cinqüenta metros, ela vai chegar cinqüenta metros aqui. Dá pra entender essa coisa? Em cima de nós, tamos aqui. Aí vem a praga, a doença, vem toda conseqüência. Vai ser obrigado daqui a pouco mudar nós daqui pra outro setor, e pra onde é que nós vai? Se eu tô no que é meu?”
Desvio do rio “Então lá aterrou praticamente o rio, não tem mais o rio, fizeram o desvio, desviaram o curso do rio, e o rio corria direto e eles fizeram uma volta, né, então, e aquilo que sobrou que eles vão cavando, vão trazendo, vão aterrando, e as sobras vão empurrando tudo para dentro do rio… aí acabar o rio, que é o rio que se chama rio Esquecido”
Auzilândia é uma comunidade rural no município de Alto Alegre do Pindaré (MA), com uma população de cerca de 8 mil pessoas. Tem seu território dividido em dois pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), sendo que de um lado ficam bairros como a Travessa Carajás e a Vila Nova, e do outro os demais bairros, comércio, equipamentos sociais (escolas, posto de saúde e etc.), além do Rio Pindaré.
Nos últimos anos a comunidade recebeu um grande fluxo de trabalhadores homens vindos de outras localidades como mão de obra para a duplicação da ferrovia, em processo de conclusão na região. Por conta disso, viu no comércio uma possibilidade de geração de renda, ainda que temporária. As principais atividades econômicas são a agricultura e a pesca.
Muitas famílias complementam sua renda, por meio de programas do Governo Federal, como Bolsa Família e/ou aposentadoria. E é bastante crescente a saída de pessoas da comunidade em busca de trabalho em outros estados. Muitos dali saem para migrações, sobretudo sazonais, em períodos de dezembro a março para trabalhos ligados à mão de obra para alta temporada no setor do turismo no sudeste e sul do país, sendo o estado de Santa Catarina um dos destinos mais acessados.
A comunidade possui três escolas; sendo uma de nível infantil (sem prédio próprio), uma fundamental e outra de nível médio, suprindo a demanda de alguns povoados da região, sobretudo Três Bocas. Tem também um posto de saúde que presta atendimento básico.
Conflito
Segundo contam os moradores, os problemas nesse povoado começaram desde o início da construção da ferrovia EFC, com a ocorrência de mortes de animais e de pessoas por atropelamentos, além de excessivos danos provocados pela passagem dos trens, como é o caso da rachadura de casas próximas à ferrovia.
Os moradores desse povoado e da região denunciam que a principal rota de passagem que dá aos moradores da Travessa Carajás e Vila Nova acesso ao outro lado da comunidade está constantemente bloqueada pelo trem, estacionado ou em movimento. A construção de um viaduto na comunidade não foi o suficiente para suprir a necessidade de travessia segura e com a duplicação da ferrovia os problemas se agravaram. Os pedestres, sobretudo crianças, jovens e idosos que precisam acessar os equipamentos sociais no centro da comunidade, ainda se encontram sem alternativa segura de travessia, o que demonstra a urgência da construção de outras formas de acesso por cima das linhas, como o caso das passarelas.
As obras de duplicação geram impactos negativos sobre um grande número de famílias. A poeira causada pela passagem de caminhões e veículos das empresas terceirizadas responsáveis pelas obras, somada às péssimas condições da estrada de acesso que liga a comunidade à sede do município, são fatores que têm gerado recorrentes problemas a eles, não apenas de locomoção mais também de saúde. Sem contar os efeitos da passagem dos trens, como os barulhos ou as trepidações. Além disso, inúmeras casas da comunidade se encontram com rachaduras, principalmente após as obras de duplicação. Há casos extremos de moradias quase desmoronadas, até grandes rachaduras em todos os cômodos.
Resistência da comunidade
A comunidade não possui uma associação de moradores formalmente fundada, mas têm se organizado para cobrar os direitos e as reparações dos danos causados, sobretudo as rachaduras nas casas.
Mesmo assim, a relação com a empresa não se mostra muito aberta a ouvir as reivindicações, sendo constantes as reclamações dos moradores pela dificuldade em estabelecer canais de comunicação. Depois de muitas reclamações dos moradores do povoado, a empresa construiu um viaduto para a passagem de veículos.
Em 06 de junho de 2016 foi feita uma manifestação pacífica nas ruas da Travessa dos Carajás reivindicando melhorias na estrada e para que caminhões não passassem com tanta frequência e em alta velocidade, causando riscos a crianças e animais que caminham pelo lugar. Em decorrência desse protesto, a empresa processou alguns moradores em ação cível de Interdito Proibitório, ao passo que também moveu queixa-crime contra uma das lideranças, Sr. João de Mariazinha, por “exercício arbitrário das próprias razões”. Felizmente, este intento de criminalizar penalmente o Sr. João, acabou, em agosto de 2016, arquivado pelo juízo em primeira instância por falta de fundamento na alegação na empresa. No caso de ação de interdito proibitório, a judiciário da comarca de Santa Luzia julgou extinto o processo por falta de interesse de agir da empresa Vale S.A.
Não apenas a manifestação, mas a criminalização de Sr. João resultou na politização das demandas da comunidade e em grande solidariedade à causa, em contrapartida às tentativas da empresa de intimidar a luta por meio de via judicial.
Reivindicações
Construção de travessias seguras; melhorias na estrada de acesso ao povoado; reparação das estradas danificadas pelos veículos da empresa; desentupimento das fontes hídricas; reparação dos danos causados pela passagem dos trens nas casas do povoado (rachaduras);
João do Vale é um assentamento da zona rural de Açailândia, onde vivem 66 famílias de trabalhadores. Convivem com o constante perigo de incêndios devido às operações de polimento (ou esmerilhamento) das linhas de ferro realizadas pela Empresa Vale. Há uma incidência desses incêndios em diferentes comunidades que são cortadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). Um exemplo aconteceu em setembro de 2010, na área do assentamento, nas imediações da ferrovia. Esse incêndio matou animais silvestres e destruiu parte de mata nativa, além de colocar em risco a vida das pessoas que tentaram conter o fogo.
A comunidade possui uma escola de nível fundamental (até 9º ano). Os moradores também enfrentam problemas na área da saúde, pela falta de um posto de saúde, no saneamento básico e pela ausência de água encanada.
Resistência da comunidade
Com os constantes problemas enfrentados, os moradores de João do Vale fazem reivindicações à empresa para tentar amenizar os impactos, quase sempre sem respostas. Um exemplo da resistência da comunidade foi a interdição da estrada de acesso ao canteiro de obras da duplicação da ferrovia, em janeiro de 2012.
Reivindicações
Na tentativa de melhorar essa situação os moradores formalizaram algumas reivindicações junto a Vale: poço artesiano, quadra esportiva, posto de saúde com ambulância, construção de um centro de formação com cursos técnico-agrícolas, um centro cultural da Reforma Agrária.
Desde 2011 a comunidade solicitou para a empresa uma série de benfeitorias como compensação pelos impactos sofridos, somente dois anos depois a empresa construiu um poço para abastecimento de água da comunidade.
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