Povoado Vila Pindaré

Sobre a comunidade

Vila Pindaré é um povoado localizado à 36 km do município de Bruriticupu (MA), entre às margens do rio Pindaré e a Estrada de Ferro Carajás (EFC). Segundo os moradores, o povoado foi fundado em 1987, a partir da ocupação da fazenda do Grupo Cacique, que utilizava a terra para a extração de madeira. Por ser uma terra rica em fontes hídricas e fértil, motivaram as pessoas a se instalarem na localidade.

Atualmente a Vila Pindaré, também conhecida como povoado Presa de Porco, possui uma população estimada em 4.000 habitantes, suas principais atividades econômicas baseiam-se na pesca, agricultura, extrativismo, pecuária e programas sociais do Governo Federal.

Segundo relatos dos moradores, o aumento do desmatamento na região foi intensificado após s ocupação da fazenda. Mesmo com a criação de uma reserva florestal, que chamavam de “sombra da comunidade” o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) teriam incentivado os moradores a desmatarem cada vez mais a terra com o argumento de que assim o Grupo Cacique não obtivessem a restituição das terras.

Conflito

Até 2005 o povoado tinha uma forte produção agrícola que aos poucos foi sendo substituída pela criação de gado. Também já foi o maior exportador de farinha da região, quando escoava sua produção em vagões a baixo custo que era transportada pela ferrovia. Com a privatização da Vale, relatam os moradores, a empresa se recusou a continuar escoando a produção do povoado porque alegava que demorava muito para carregar o vagão e ainda aumentou a taxa de transporte, tornando os custos inviáveis para o pequeno produtor.

A proximidade das residências com a margem da Ferrovia Carajás tem gerado constantes conflitos principalmente pela trepidação dos trens que provoca rachaduras e destelhamento nas casas. Além disso, os moradores também reclamam do barulho provocado por sua buzina e dificuldade de travessia que tem causado atropelamentos com morte de pessoas e animais. Os pontos de travessias são insuficientes ou inadequados, quem mora no final do povoado, não tem uma passarela próxima para atravessa, o que incita as pessoas a se arriscarem.

As estradas de acesso ao povoado, no período chuvoso, costumam ficar intransitáveis, em algumas ocasiões os moradores chegaram a ficar isolados do município de Buriticupu. Os moradores alegam que, além do poder público, a Vale tem responsabilidade por essas estradas e associam as enchentes no rio que destroem pontes aos bueiros insuficientes ou inadequados da ferrovia que margeia a estrada, cortando algumas fontes hídricas.

Em 2010, a Vale iniciou as negociações para benfeitorias em residências que estão dentro da faixa de domínio da ferrovia, para duplicação da ferrovia, o que causou insegurança nos moradores, na medida em que não sabiam ao certo o que ia acontecer com suas residências. A empresa, então, negociou porções do território de algumas residências, sem oferecer aos moradores alternativas de escolha entre permanecer mais próximo à ferrovia ou serem realocados.

As indenizações previstas para esse povoado como consequência da duplicação da ferrovia chegam a 176 propriedades e as remoções seriam 25. As negociações compulsórias e individuais de porções do território ou de residências deixam as famílias vulneráveis ao valor que a empresa acha adequado pagar, o que pode resultar em valores ínfimos e na acentuação do conflito.

Essa negociação compulsória foi feita com contratos extrajudiciais que continham cláusulas de confidencialidade, com multa no caso de divulgação para outras pessoas do valor recebido. Algumas das pessoas que assinaram o contrato não sabem ler e não tiveram a oportunidade de consultar alguém sobre o valor de suas benfeitorias.

Há relatos de que representantes da empresa teriam entrado em propriedades para fazer marcação do terreno negociado na ausência dos moradores. Àquelas famílias que resistem à negociação, a empresa tenta intimidá-las com o argumento de que estão invadindo a faixa de domínio, espaço que pertence à empresa, cuja não negociação pode implicar na exigência em juízo da porção do território e na perda da indenização.

Resistência da comunidade

Em abril de 2010, cansados de reivindicar melhorias na estrada, resolveram interditar a Ferrovia Carajás para forçar a ida de representantes da empresa ao povoado.
Em junho de 2010, a Vale, em parceria com a prefeitura de Buriticupu realizou obras na principal estrada de acesso ao povoado, que liga Vila Pindaré à BR 222.

A empresa contratada inicialmente foi a WO Engenharia que também realizou obras de manutenção da EFC. O início das obras, segundo relataram moradores, estaria relacionado à duplicação da ferrovia Carajás e trouxe uma série de transtornos como poluição por partículas de poeira causada pelos carros pesados que começaram a circular no povoado. Pontes foram feitas pela empresa no povoado sem o maquinário adequado e, no período chuvoso, com a pressão do trânsito de veículos pesados da própria empresa, muitas caíram causando mais transtornos à população.

Reivindicações

Melhorias nas estradas de acesso ao povoado;
Construção de infraestrutura voltada para o saneamento básico, educação, saúde e telefonia.

Povoado Pimental – MA

É um assentamento federal localizado a 15km do município de Arari (MA), em uma área de proteção ambiental na baixada maranhense. Quando a ferrovia foi construída, o sistema de drenagem não foi adequado às condições do relevo, predominantemente de campos, ocasionando enchentes. Um problema frequente é o impedimento ou insegurança na travessia, pois não foram feitos viadutos no povoado. O pátio de cruzamento de trens fica no acesso à comunidade, onde o trem fica estacionado por horas, chegando a ficar dias parado. Esta região é uma das que mais ocorre atropelamentos.

Vila Concórdia – MA

Vila Concórdia – MA

Comunidades Impactadas

Vila Concórdia é um assentamento federal, cujo nome oficial é P.A. Vila União Portugal, localizado a 40 km da sede do município de Buriticupu (MA). E como a maioria das comunidades, tem seu acesso cortado pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). Segundo os moradores, não se sabe ao certo há quanto tempo o povoado.


Sobre a comunidade

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Vila Concórdia é um assentamento federal, cujo nome oficial é P.A. Vila União Portugal, localizado a 40 km da sede do município de Buriticupu (MA). E como a maioria das comunidades, tem seu acesso cortado pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). Segundo os moradores, não se sabe ao certo há quanto tempo o povoado existe, e ainda, se a ocupação foi realizada antes ou após a construção da ferrovia. Atualmente 54 famílias vivem no povoado, sendo que a maioria da população são de aproximadamente 300 crianças.

O povoado não possui saneamento básico, sistema de coleta de lixo, escola ou posto de saúde. Para estudar, as crianças precisam se dirigir para um povoado vizinho. A comunidade possui um poço artesiano, financiado pelo Incra. As atividades econômicas em sua maioria concentram-se na agricultura, pequena criação de gado e os mais jovens trabalham em firmas terceirizadas das empresas da região ou migram para outras regiões do país.

Conflito

O principal conflito do povoado está relacionado a dificuldade de travessia da Estrada de Ferro Carajás, mesmo havendo a passarela. A configuração do assentamento dividiu o povoado em de um lado dos trilhos as moradias e do outro lado o município de Bom Jardim (MA), onde trabalham e desenvolvem suas atividades econômicas. Os moradores reclamam que perdem tempo para chegar ao trabalho devido ao bloqueio pelo trem, a falta de segurança na ferrovia é outro fator que expõe ao risco principalmente as crianças, assim também como o atropelamento dos animais de carga, domésticos e selvagens.

Resistência

A necessidade de atravessar os trilhos para ir ao trabalho fez com que os moradores criassem um caminho mais acessível sobre a estrada, o qual foi fechado pela Vale em 2008, levando os moradores a interditarem a ferrovia por algumas horas em protesto. Somente em 2010, a Vale iniciou as obras da passarela e prometeu entregá-la em seis meses, mas houve uma série de atrasos na obra. No final de 2011, cansados de esperar, os moradores novamente interditaram a ferrovia exigindo celeridade nas obras. A passarela ficou pronta em meados de 2012.

A falta de sinal de telefonia, devido a mudança do local da torre pela Vale, deixou a comunidade sem telefonia móvel. Os moradores realizaram o bloqueio da estrada vicinal que dá acesso ao povoado e à EFC. A Comefec participou das negociações e estabeleceu o prazo de 10 de junho de 2015 para o restabelecimento do sinal, a reivindicação da comunidade foi atendida.

Reivindicações:

  • Construção de viaduto;
  • Construção de uma escola;
  • Posto de saúde;
  • Centro comunitário;
  • Centro esportivo;
  • Sistema de abastecimento de água gratuito;
  • Financiamento para projetos de incentivo à agricultura familiar;
  • Melhorias nas estradas de acesso ao povoado;
  • Regularização fundiária do território.