Recebemos na semana passada (21), em formato de livro, o importante trabalho de investigação da pesquisadora Juliana Neves Barros. A obra ‘A Mão de Ferro da Mineração nas Terras de Carajás’ é valiosa para pensarmos e repensarmos a Amazônia e os processos coloniais de exploração dos territórios, muitas vezes liderados por empresas e Estados.
Como sujeitos inseridos nesse lugar, Amazônia, e na região de Carajás, agradecemos profundamente as contribuições acadêmicas da Juliana e indicamos o livro para que seja lido e divulgado.
Com certeza, será um instrumento de formação política e fortalecimento das estratégias de enfrentamento aos impactos da mineração, e, mais que isso, nos ajuda a pensar novos caminhos e construir novos conhecimentos em busca de uma sociedade mais digna de se viver.
Movimentos sociais, universidade e organizações quilombolas se reuniram em Anajatuba (MA) para o curso de Formação Jurdídica Popular.
No final de abril (28), a Justiça nos Trilhos (JnT) realizou, em Anajatuba (MA), na sede da Unicquituba (União das Comunidades Quilombolas de Anajatuba), o segundo módulo do Curso de Formação Jurídica Popular para defensores e defensoras de direitos humanos, com o tema “Acesso à Justiça e Como Instrumentalizar”.
A atividade foi realizada em parceria com o grupo de Estudos em Direito e Meio Ambiente da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), de São Luís, coordenado pelo professor Ruan Didier, junto com o Curso de Especialização em Acesso à Justiça, também da UFMA.
De acordo com a advogada popular da JnT, Fernanda Souto, a formação teve como objetivo “discutir com as comunidades impactadas por grandes empreendimentos as dificuldades do dia a dia, que consistem muitas vezes em violações individuais e coletivas, como quais os direitos que estão garantidos em textos legais e supralegais, a ideia do Estado como garantidor de políticas públicas, como acionar esses órgãos públicos e apresentar denúncias das violações impetradas por agentes públicos e privados”.
No início de abril, lideranças afetadas pela cadeia da mineração se reuniram para discutir os impactos do Projeto Grão-Pará Maranhão, que pretende instalar um terminal portuário em Alcântara com cargas de até 350 metros de comprimento e uma estrada de ferro (EF-317) com aproximadamente 520 quilômetros de extensão.
A nova ferrovia ligará o terminal em Alcântara à cidade de Açailândia, no Maranhão, que já possui a Estrada de Ferro Carajás (EFC), ferrovia que corta mais de 23 municípios no estado e impacta cerca de 100 comunidades. As consequências desse novo projeto gerarão impactos de várias dimensões, especialmente nas comunidades quilombolas de Alcântara.
A partir desse novo desafio, o intercâmbio teve como função aproximar, mobilizar e informar essas comunidades, fortalecendo assim o processo de enfrentamento à implantação desses empreendimentos em nosso estado.
De acordo com Mikaell Carvalho, coordenador da Justiça nos Trilhos (JnT), esse encontro “possibilitou às pessoas de Alcântara visualizar os possíveis impactos que podem sofrer se o projeto de porto e ferrovia sair do papel. Isso só ocorreu por conta da participação de comunidades que já são afetadas por empreendimentos similares e que puderam compartilhar os problemas enfrentados”.
As estratégias de luta foram debatidas e construídas por movimentos sociais e territórios quilombolas de Alcântara, Santa Rosa dos Pretos (Itapecuru Mirim), Taim (Zona rural de São Luís), Piquiá de Baixo e outros.
Comentários