Professores e estudantes de 3 universidades visitam reassentamento de Piquiá da Conquista

Professores e estudantes de 3 universidades visitam reassentamento de Piquiá da Conquista

Na última terça (22), uma comitiva composta por professores e estudantes da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), visitaram o canteiro de obras do reassentamento Piquiá da Conquista.

A visita se deu em torno do Projeto, “Cartografia Social de Piquiá de Baixo, em Açailândia-MA:  memórias, trajetórias, política e ativismos midiáticos”, coordenado pela professora doutora da UFMA, Roseane Arcanjo. Iniciado em 2019, o projeto tem por objetivo realizar uma cartografia social sobre a comunidade de Piquiá de Baixo, de Açailândia-MA, reunindo referências sobre enfrentamentos, jogos de força, representações, práticas, vivências, ativismos midiáticos e documentos históricos sobre a origem, lutas e história passada e presente do grupo.

“É uma iniciativa interdisciplinar pois reúne professores da UFMA, Uemasul e UFNT de várias áreas, para fortalecer, através da valorização das memórias da comunidade, a luta pela vida e dignidade de moradoras e moradores. Dessa forma, as atuais e próximas gerações poderão conhecer as lutas travadas pelo bairro e suas conquistas”, pontuou Roseane Arcanjo.

Até o momento o grupo realizou as seguintes atividades:

  • Disponibilizou 02 bolsas para estudantes através das universidades e agências de fomento à pesquisa científica;
  • Visitas à comunidade;
  • Apresentação do projeto no Salão do Livro de lmperatriz – 2019;
  • Entrevistas gravadas com moradores de Piquiá de Baixo: Doca, Tida, Joaquim, Maria José, Joselma, Flávia, João Paulo;  
  • Textos  apresentados em eventos e publicados em revistas científicas;
  • Reuniões com Associação Comunitária dos Moradores de Pequiá (ACMP).

Além dos integrantes da ACMP, fizeram parte da visita e reunião em Piquiá da Conquista, integrantes de Combonianos Nordeste e Justiça nos Trilhos, e do projeto estiveram presentes:

Profa. Dra. Roseane Arcanjo Pinheiro – Professora adjunta do Curso de Jornalismo, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA);

Profa. Dra. Carmem Barroso Ramos – Professora assistente da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL);

Prof. Dr. Cesar Alessandro Sagrillo Figueiredo – Professor adjunto do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT); 

Prof. Dr.José Siney Ferraz Rodrigues – Professor assistente da Universidade Estadual da Região Tocantina  do Maranhão (UEMASUL).

Discentes: Matheus Carvalho de Abreu, Jean Pierr de Sousa Viana Figueiredo, Michely Alves da Silva e Ramon Santos Lopes.

Por José Carlos Almeida

Comunidades latino-americanas martirizadas pela mineração viajam à Europa para denunciar violações e debater sobre Cuidado com a Casa Comum

Comunidades latino-americanas martirizadas pela mineração viajam à Europa para denunciar violações e debater sobre Cuidado com a Casa Comum

Piquiá de Baixo, em Açailândia-MA, é uma das comunidades que serão representadas durante viagem à Europa. A moradora Kelly Silva Barbosa levará o testemunho das violações de direitos humanos e ambientais sofridas pela população de Piquiá de Baixo em decorrência da exploração mineral. Membros da Justiça nos Trilhos acompanharão a ação internacional, que visa debater e difundir questões como a devida diligência, o tratado sobre Empresas e Direitos Humanos, a cadeia de valor do ferro e do aço, dentre outras questões também importantes. (Foto: Marcelo Cruz)

As vozes das vítimas do extrativismo mineiro e as experiências das comunidades em defesa da Casa Comum irão à Europa para denunciar as violações dos direitos humanos que estão sendo vivenciadas como resultado da imposição de uma agenda neoextrativista na América Latina. “Há milhares de nós que estamos em resistência organizada, exigindo justiça, exigindo que as imposições colonialistas parem, exigindo que nosso direito de decidir e de viver em paz seja respeitado”, gritam os testemunhos.

Caravana Latino-americana para Ecologia Integral em Tempos Extrativistas parte do Brasil, Colômbia, Honduras e Equador com líderes comunitários, agentes pastorais, ativistas e pesquisadores. A Caravana chegará à Alemanha no dia 20 de março e viajará pela Itália, Bélgica, Áustria e terminará na Espanha no dia 6 de abril. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), através da Comissão Especial de Ecologia Integral e Mineração (CEEM), e as comunidades acompanhadas pela Rede de Igrejas e Mineração (IyM), através da Campanha de Desinvestimento em Mineração, amplificarão suas vozes para que “o grito da terra dos pobres” seja ouvido (LS 49).  O grito ecoando das comunidades martirizadas pelas economias extrativas e a violação histórica da Casa Comum pelas atividades de mineração exige uma conversão ecológica urgente, como expressa pelo Papa na Encíclica Laudato Si.

A Caravana expressa sua solidariedade com a região e com as vítimas da guerra que eclodiu na Ukrania. Uma situação que é um reflexo do permanente estado de guerra em países latinoamericanos. São realidades marcadas por um sistema econômico extrativista que gera desigualdade, violência e sofrimento. Muitos territórios explorados pela mineração instaura uma guerra silenciosa que continua a enriquecer com a inflação das commodities que se reflete em lucros históricos para as empresas transnacionais de mineração. A Caravana denuncia as atividades de mineração que também apoiam e sustentam a indústria bélica.

Organizações católicas parceiras na Europa como a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e a Solidariedade (CIDSE), Misereor (Alemanha), DKA (Áustria), Redes e a campanha Enlázate por la Justicia (Espanha) estão promovendo reuniões com a delegação latino-americana. A delegação irá à Europa para promover diálogos com o objetivo de fortalecer a globalização da esperança e a co-responsabilidade Norte-Sul. Serão realizadas reuniões com líderes da Igreja Católica, como o Cardeal Jean-Claude Hollerich, impulsionador do tema de desinvestimento em mineração durante o Sínodo da Amazônia e presidente da Comissão das Conferências Episcopais da União Européia (COMECE). Também haverá diálogos com membros do parlamento, organizações da sociedade civil e conferências religiosas.

Diálogos estão sendo preparados no Vaticano com órgãos como a Pontifícia Comissão para a América Latina e o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral. A agenda busca influenciar, a partir do testemunho das comunidades afetadas, no Parlamento Europeu, com bancos e organizações da Igreja, em questões como a devida diligência, o tratado de Direitos Humanos e Negócios, as práticas de violência financeira, os investimentos em mineração que ligam a Europa e organizações baseadas na fé.

As realidades presentes serão:

– Piquiá de Baixo – Brasil: mineração de ferro, trabalho escravo, contaminação das fontes de água, índices de saúde da população. A resistência e a organização da população buscam o reassentamento da população para um novo lugar chamado “Piquiá da Conquista”.

– Brumadinho – Brasil: derramamento de lodo tóxico que deixou 272 mortos, em outro crime ambiental da empresa Vale que ainda não encontrou justiça. Famílias que perderam tudo, agricultores sem terra e sem teto, população deslocada.

– Putumayo, Mocoa – Colômbia: concessões de mineração para extração de cobre, na Amazônia colombiana, afetando fontes de água, nascentes de rios, territórios indígenas, em um território já afetado e deslocado pelo conflito armado.

– Sudoeste de Antioquia – Colômbia: cerca de 90% do território é destinado à extração de cobre, ouro e prata. Ela destruiu atividades produtivas locais baseadas na agricultura, exacerbou a violência entre habitantes e forasteiros e ocupou territórios ancestrais.  Organização e resistência conseguiram parar parte da concessão mineira no município de Jericó.

Um dos objetivos fundamentais da delegação é avançar na consolidação de redes e alianças de solidariedade entre a Igreja do Norte e o Sul Global, comprometendo-se a defender, a partir da voz e da perspectiva das vítimas, suas propostas, acompanhando suas alternativas de resistência e de defesa da vida. Além de acompanhar os processos pastorais das igrejas locais na América Latina, que com coragem e profecia permanecem ao lado dos afetados, buscando a Ecologia Integral.

A Rede de Igrejas e Mineração e a Campanha de Desinvestimento:

A Rede de Igrejas e Mineração é um espaço ecumênico, formado por comunidades cristãs, equipes pastorais, congregações religiosas, grupos de reflexão teológica, leigos, bispos e pastores que procuram responder aos desafios dos impactos e violações dos direitos socioambientais causados pelas atividades mineradoras nos territórios onde vivemos e trabalhamos.

A Campanha de Desinvestimento em Mineração é promovida pela Rede de Igrejas e Mineração e conta com dezenas de organizações afiliadas. O desinvestimento é uma ferramenta concreta para enfrentar um modelo econômico extrativista que gera devastação e desigualdade. A Campanha acompanha organizações baseadas na fé em seu compromisso de apenas financiar a fim de alcançar uma transformação dentro das Igrejas. Ela também procura defender e tornar visíveis as violações de direitos e os danos ambientais causados pela mineração.

POR REDE DE IGREJAS E MINERAÇÃO (IYM)
Guilherme Cavalli, coordenador da delegação  | Daniela Andrade, Oficial de Comunicações

8 de março é todos os dias!

8 de março é todos os dias!

Assim como Dona Dijé, outras Marias, Querubinas, Anacletas, Roses e Raimundas lutam contra a destruição de seus modos de vida e pelo direito de existir. Aguerridas continuam reExistindo, semeando vida com seus úteros de cura e denunciando os impactos que sofrem cotidianamente.

Neste #8M, além de celebrar todos os avanços históricos conquistados por meio de muita força e determinação de inúmeras mulheres ativistas mundo afora, reafirmamos o nosso compromisso com a luta feminista e te convidamos a conhecer algumas histórias de vida e relatos, que materializam os danos e as dores causadas pela exploração desenfreada da mineração, presentes no relatório “Direitos Humanos e Empresas: a Vale S.A. e as estratégias de dominação, violações e conflitos envolvendo territórios, água, raça e gênero”.

Com ênfase à forma como as mulheres são atingidas pelas práticas empresariais, em suas vidas e corpos, o relatório analisa a logística do Corredor Carajás, a partir de uma leitura crítica sobre a implementação dos Princípios Orientadores para Empresas e Direitos Humanos da ONU pela Vale S.A., destacando o papel da mineradora na efetivação de um padrão de violações de direitos sobre grupos sociais e territórios rurais e urbanos e povos e comunidades tradicionais.

Que a luta tecida por muitas mãos continue abrindo caminhos para as filhas da Terra que virão!