Nos dias 24, 25 e 26 de março, ECOAMOS SEMENTES DA AUTONOMIA com a realização do I Encontro de Comunicação, Clima e Juventude do Maranhão – o ECOJUMA, na Aldeia Piçarra Preta – Terra Indígena Rio Pindaré, em Bom Jardim (MA). O evento promoveu o intercâmbio entre jovens de comunidades maranhenses, que se reuniram para fortalecer suas narrativas e refletir sobre as Mudanças Climáticas e os impactos nocivos do Agronegócio e Mineração em seus territórios, a partir dos seus corpos, que sentem na pele a imposição do falso desenvolvimento do capitalismo com seus megaprojetos.
A programação contou com a prática educomunicativa, que tinha como objetivo conectar o processo reflexiva da 1ª oficina sobre “Mudanças Climáticas, Mineração e Agronegócio”, facilitada pelos educadores populares de JnT, João Paulo Alves e Joércio Pires, com os saberes compartilhados na 2ª oficina “Bora Fazer Podcast?!”, ministrada pelas comunicadoras de JnT, Lanna Luiza e Yanna Duarte, e pelo músico e produtor musical maranhense, Isaías Alves.
As vozes da juventude das comunidades irão se sobressair sobre a voz dos que as violam!
Para Djelma Viana, comunicadora popular indígena da Mídia Guajajara, a fusão das reflexões com o potecial criativo de cada jovem é o maior ganho desses encontros realizados pela JnT nos territórios. “Esses encontros com outras comunidades servem para estarmos conhecendo outras culturas e tá mostrando a nossa também, o nosso modo de viver e se organizar dentro da aldeia, principalmente para aqueles que nunca tiveram contato com uma realidade originária, e graças a esses encontro que a JnT tem proporcionado, nós tivemos acesso a informações que tem sido de grande valia para nosso conhecimento e luta”, ressalta.
Sobre o encontro ter sido realizado na Aldeia Piçarra Preta (MA), seu território, a jovem comunicadora, afirma que “é sempre bom receber outros jovens aqui na aldeia, jovens com vivências e conhecimentos diferentes de seus territórios, sobretudo de suas lutas diárias de enfrentamento e resistência. É muito bom ver sua realidade na história de outros, isso nos fortalece e incentiva a continuar lutando, para a preservação do território, das árvores e lugares sagrados, que também fazem parte do nosso bem viver, e contribui para a nossa existência e afirmação de quem somos”.
Todas as ações do evento partiram do princípio de que o Fortalecimento Comunitário, por meio da Comunicação Popular, gera ainda mais conexão entre os povos, valorização dos saberes ancestrais, dos modos de vida no território de cada jovem, e sobretudo a defesa do direito de existir. Durante o encontro, os jovens teceram ideias, praticaram a construção de roteiros, gravação e edição de frutos auditivos: 4 episódios para o podcast “Apuner Katu”, que significa “pode tudo”, em outras palavras: NÓS PODEMOS TUDO!
Pesquisa realizada pelo Fundo SAGE com o apoio da Iniciativa de Recursos Naturais e Mulheres Resilientes da Fundação Ford
Em todo o mundo , as comunidades afetadas pelas indústrias extrativas – mineração, perfuração, extração de madeira – enfrentam formas múltiplas e cruzadas de violência. Essa violência é generificada em sua operação e em quem ela beneficia e prejudica. Construindo Poder na Crise: Respostas das Mulheres ao Extrativismo [Building Power in Crisis] explora a amplitude da violência estrutural criada ou reforçada pelo extrativismo, desde a violência política contra mulheres defensoras do meio ambiente até a violência econômica que ameaça os meios de subsistência das mulheres. Centrando as experiências de mulheres e meninas nas comunidades da linha de frente, o relatório destaca suas estratégias para resistir ao desenvolvimento extrativo e liderar com alternativas ousadas e sustentáveis.
Com base em quase 100 entrevistas com mulheres líderes e seus aliados na África, Ásia e América Latina, Building Power In Crisis oferece uma análise das oportunidades de apoio às mulheres e suas comunidades engajadas nas lutas extrativistas.
Building Power In Crisis oferece vários pontos de entrada para financiadores, sociedade civil e movimentos sociais em vários campos, incluindo feminismo, direitos humanos, povos indígenas, meio ambiente e clima. O objetivo do relatório é levantar três conjuntos de estratégias necessárias para confrontar o poder extrativo: fundamental, específico do local e transformacional. Lideradas pelas comunidades da linha de frente e pelos aliados que as apoiam, essas estratégias centram o conhecimento, as práticas e as experiências das mulheres.
A revogação de Licenças Ambientais em territórios indígenas em processo de demarcação também é uma exigência da articulação
Fotos: Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais do Maranhão (Instagram)
Como parte da programação da “Semana de Luta pelo Direito de viver em nossos territórios”, que está sendo realizada desde a segunda-feira (27/02), a Teia dos Povos e Comunidades Tradicionais, ocuparam nesta quarta-feira (01/03), a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), com o objetivo de exigir o respeito com a Mãe Terra, aos corpos e territórios, e por uma relação de não-destruição da natureza.
A Teia dos Povos do Maranhão e Comunidades Tradicionais não concordam com as condições, a ausência de restrições, medidas de controle e monitoramento das licenças ambientais, que deveriam ser cumpridas pelo empreendedor. “Não aceitaremos que as licenças ambientais concedidas pela SEMA sejam dadas sem consulta prévia nas comunidades. Essas licenças representam morte e violações de direitos de quem vive nos territórios, estabelecendo presença de grandes empreendimentos que violentam nosso modo de vida e nossa liberdade de ir e vir em nossos territórios”, afirma a articulação.
Somos nós quem sofremos primeiro com a poluição do rios, com as queimadas e desmatamentos, e o uso deliberado de agrotóxicos. Nós existimos e exigimos respeito à nossas ancestralidades e ao nosso bem-viver.
Ciente que a SEMA é responsável por grandes transformações no modo de vida nos territórios do Estado do Maranhão, ocasionadas pelas concessões de licenças ambientais e zoneamento ecológico-econômico, a Teia dos Povos Maranhão exige que:
Seja informada a aplicação da Portaria Conjunta n. 01 SEMA/SEDIHPOP sobre consulta prévia, livre e informada nos processos de licenciamento ambiental;
Que sejam imediatamente disponibilizados, na íntegra, os processos administrativos de licenciamento ambiental listados pela Teia;
Que os licenciamentos ambientais que incidem sobre os Quilombos Cocalinho e Guerreiro, tenham suas respectivas consultas prévias;
Que haja revogação de licenças ambientais em terras indígenas (TI) que estão em processo de demarcação ou que possuem portaria declaratória para empreendimentos que atacam diretamente os territórios;
Que haja anulação dos 297 Cadastros Ambientais Rurais (CAR) sobrepostos em TI, como exemplo TI Bacurizinho, TI Akroá-Gamella e TI Kaura Tremembé;
Que sejam realizadas consultas prévias nas TI que são alvos de empreendimentos: TI Kaura Tremembé, TI Memortumré e Apanjekra Bacurizinho; TI Kaa’por; Awá; TI Tremembé de Engenho, TI Apanjekrá.
Comentários