José Carlos Diniz, Presente!

José Carlos Diniz, Presente!

É com pesar que nos despedimos no último domingo (28/02) um importante militante para o processo de Reforma Agrária no Maranhão. Toda nossa solidariedade aos familiares e amigos. Mais de 2.000 pessoas morreram nos últimos dias no Brasil, vítimas da Covid-19. Seu Zé Carlos foi uma delas. Esses números não são apenas números. São pessoas. São histórias de luta, garra e sede em viver numa sociedade justa e igualitária. Reforçamos aqui o nosso apelo de cuidado uns com os outros.

“Zé Carlos foi um dos organizadores de uma das maiores ocupações realizadas pelo MST no Maranhão, a ocupação da Fazenda Califórnia em Açailândia, no oeste do estado, em março de 1996. A ação dos trabalhadores desta ocupação assentou quase 800 famílias em duas áreas, formando sete agrovilas, uma delas é a Nova Conquista, onde Zé Carlos se assentou e manteve-se firme na luta.

Mais do que um militante, Carlos Diniz doou uma família inteira para as lutas do MST. Leandro Diniz do Coletivo Nacional de Juventude, Evandro, agrônomo, do setor de produção e Eliane do setor de educação. Pode-se dizer ainda, que ele ajudou a conduzir uma das comunidades mais ativas do Movimento Sem Terra no Maranhão. Esteve sempre presente, em mobilizações nacionais, ocupações, marchas. Alegre, sempre animou e agitou desde os Sem Terrinhas aos mais experientes Sem Terras.”
@movimentosemterra

Justo Evangelista, presente!

Justo Evangelista, presente!

? Nos solidarizamos com os familiares, amigos e comunidade de Seu Justo Evangelista. Que floresça em nossos corações a coragem e a garra de Seu Justo!

Ele que foi uma das grandes lideranças de Itapecuru-Mirim (MA), descansou ontem (02/03) de um longo processo de luta contra um câncer, deixa em nossas memórias as grandes experiências de luta pelo bem viver.


? “Formado com os mestres e mestras, na roça, nos cantos, nas palavras e nas lutas, Seu Justo emociona e dá sentido à vida coletiva e fraterna que vive, nutrindo a esperança de um mundo mais justo, em que ganhos só podem ser medidos em passos conjuntos, contra a escalada individualista das hierarquias que nos devoram. No tempo maior da grilagem, em que se fazia luta de chinelo e se andava a pé pelas veredas que cortavam as fazendas, abrindo dezenas de porteiras para chegar nas casas dos lavradores, seu Justo se fez lutador e assim permaneceu a vida inteira, “um lavrador de terras, ideias e ideais” Orgulho que carrega no peito e no coração, sua fé e dignidade não cederam aos brilhos e os riscos o encorajaram mais. Das certezas, uma é de que está vivo e viveu! Pois, no caminho que trilhou, muitos tombaram!”

trecho do texto “SÃO LUTAS DE ONTEM, DE HOJE TAMBÉM!” SEU JUSTO, UM LUTADOR, de Cíndia Brustolin, no livro A vida de um lutador: Memórias e experiências de luta. Coleção Narrativas Quilombolas)

Seu Edvard Dantas, Presente!

Seu Edvard Dantas, Presente!

Seu Edvard, aquele que sonhou primeiro…

✨ Dizem que um sonho que se sonha só é só um sonho, mas um sonho que se sonha junto é realidade. Quando se trata da história de luta da comunidade de Piquiá de Baixo (Açailândia – MA), o dito é mais do que verdadeiro. Seu Edvard Dantas foi aquele que primeiro sonhou: sonhou que uma vida digna, longe da poluição, era possível e convidou mais gente para sonhar junto.

✨ Ah, Seu Edvard é um sonhador! O tipo de gente que pensa em coletividade, que tem brilho nos olhos! Não se espante se digo no presente… Seu Edvard é. Se por um lado ele deixou esse plano material no dia 23 de janeiro de 2020, por outro, sua luta iniciada há mais de uma década segue firme. É certo dizer também que seu Edvard, assim como muitos moradores e moradoras da comunidade, é vítima da implacável poluição causada pelas siderúrgicas, há décadas. Dessa poluição que intoxica o solo, a água e mata os pulmões, tornando impossível respirar.

✨ Mas deixa eu te contar: Seu Edvard foi aquele que sonhou que as coisas poderiam ser simplesmente diferentes. Primeiro ele chamou os vizinhos, depois mais moradores da comunidade, pediu ajuda ao pessoal do Centro de Defesa de Açailândia… aos padres combonianos e foi chamando mais e mais gente para se somar. “Ele acredita em utopias!”, diziam os mais céticos, aqueles que acham que a situação não tem jeito, que não há mudança possível. Ser cético é mais fácil do que sonhar a utopia, mais fácil ainda do que mover-se do lugar, propor construir um outro mundo possível. Mas Edvard Dantas ousou sonhar primeiro, mas nunca quis sonhar sozinho.

Com o texto da comunicadora na Justiça nos Trilhos, Idayane Ferreira, homenageamos esse grande guerreiro, que vive em nossos corações e nos inspira a continuar na luta pela garantia dos direitos humanos e da natureza. Desejamos à sua família e todos moradores de PIQUIÁ, paz e sonhos realizados!