A agroecologia é prática que atua em aliança com a sociobiodiversidade, buscando um equilíbrio com a natureza na produção de alimentos saudáveis. Utiliza do conhecimento ancestral, popular e científico para um manejo sem o uso de químicos prejudiciais à nossa saúde. É pautado na luta e no fortalecimento dos territórios.
É a outra possibilidade de existência contra toda a lógica do agronegócio que destrói nossas águas, nossas casas e nossas vidas.
Com agrotóxicos, não há agroecologia. Com pulverização aérea, não há agroecologia.
Neste dia conheça a campanha de assinaturas para proibir a pulverização aérea de agrotóxicos no Maranhão, além de promover a agroecologia e a proteção das comunidades livres de agrotóxicos. Vamos proteger nossa saúde, a agroecologia e promover a segurança alimentar.
Junte-se a nós nesta importante iniciativa em prol da agroecologia e da sociobiodiversidade. Chega de Agrotóxicos!
Instrumento de luta, afirmação de modos de vidas e resistência, a Comunicação Popular é o pulsar forte nas comunidades que resistem contra a mineração.
Dez comunicadores populares de Piquiá estiveram presentes na roda de conversa com a Mídia Ninja, em Imperatriz (MA), debatendo a tarefa da comunicação na região amazônica. A atividade é fruto da ‘Tour Amazônica: Refloresta Já!’, que percorre quatro estados amazônicos: Tocantins, Maranhão, Pará e Amapá, discutindo com as pessoas que fazem parte da Amazônia e que também são atingidas por empreendimentos predatórios na região.
Para Débora Baima, comunicadora popular formada em Letras, a conversa mostrou a verdadeira força da comunicação popular para as comunidades na luta por seus direitos. “Foi uma roda de conversa bem rica de aprendizado, saber que não lutamos por essas causas sociais sozinhos, mas que temos uma rede de apoio que são os nossos coletivos. Outra coisa importante foi aprender sobre essa comunicação e entender que ela funciona e que não é apenas uma foto ou um texto, mas também uma denúncia e forma de lutar por nossos territórios, e nós fazemos isso através da comunicação popular”, avalia Débora.
O encontro reuniu movimentos sociais, professores e estudantes da UEMASUL (Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão), UFMA (Universidade Federal do Maranhão) e Faculdade Anhanguera, além de sindicatos. A pauta principal foi sobre as formas de comunicação e resistência nos estados que fazem parte da Amazônia legal.
Flávia Nascimento, comunicadora popular e moradora de Piquiá de Baixo, comunidade que sofre os impactos da cadeia da mineração em Açailândia (MA), aproveitou para falar sobre a comunicação como arma na luta contra as violações que seus amigos, familiares e vizinhos enfrentam no bairro. Flávia já viajou para a Suíça e Itália espalhando o seu depoimento sobre as lutas do bairro. Ainda em sua fala, combateu o argumento usado pela mineradora Vale S.A. e as siderúrgicas de que as empresas chegaram antes dos moradores.
“Vocês de Imperatriz podem não ver a poluição, mas o pó do minério também contamina vocês da mesma forma. E a gente tá falando isso pra alertar. Nós vivemos lá [no bairro] não é porque a gente quer, ou porque somos invasores ou mortos de fome. Quem chegou invadindo nosso espaço foram as empresas. E quando a gente fala de comunicação e do nosso coletivo de comunicadores e comunicadores populares, a gente está lá pra falar do nosso bairro, porque ninguém vai falar dele melhor do que nós mesmos”, interveio Flávia.
O objetivo é conscientizar a sociedade civil sobre os danos causados à saúde e ao meio ambiente pelos agrotóxicos, e mobilizar as assinaturas para a lei que visa proibir o método de pulverização aérea das substâncias tóxicas.
A Rede de Agroecologia do Maranhão, juntamente com a Coalizão para a Proteção das Florestas da Amazônia, lançou no V Encontro Maranhense de Agroecologia a campanha estadual “Chega de Agrotóxicos”. A iniciativa visa mobilizar a sociedade civil sobre as práticas constantes de pulverização aérea de agrotóxicos nos territórios e comunidades do campo, que causam impactos devastadores sobre o meio ambiente e a saúde da população local. Os agrotóxicos contaminam solos, rios e lençóis freáticos, afetando negativamente a biodiversidade e causando danos à saúde dos agricultores e consumidores. Resultando também em problemas de resistência de pragas e doenças.
No Maranhão, o uso excessivo dessas substâncias é motivo de grande preocupação, pois não apenas são aplicadas em quantidades alarmantes, mas também são utilizadas como verdadeiras armas químicas. Isso ocorre quando comunidades vulneráveis localizadas nas proximidades das áreas ocupadas pelo agronegócio, com seus extensos cultivos de soja e milho, enfrentam a pulverização aérea descontrolada. Em algumas situações, mesmo quando o vento não dispersa os pesticidas, esses produtos químicos tóxicos são deliberadamente despejados sobre essas comunidades, expondo a população a um verdadeiro banho de veneno.
foto: Rogério Albuquerque/Acesa
Dentre os muitos incidentes, merece destaque o trágico ocorrido na comunidade deAraçá, zona rural de Buriti, no estado do Maranhão, em 2021. Nessa terrível situação, uma aeronave indiscriminadamente jogou pesticidas sobre a população durante três dias seguidos, o resultado foi a intoxicação desses habitantes, que relataram sintomas angustiantes, incluindo coceiras, dificuldade respiratória, dores de cabeça, erupções cutâneas e queimaduras na pele. Inclusive, uma criança de apenas 7 anos ficou gravemente queimada ao tentar correr para ver a aeronave passando.
Esse cenário também tem causado impactos na produção agroecológica local e um agravamento das condições de vida da população. Diante dessa realidade, a campanha tem como objetivo principal a coleta de assinaturas para a propositura do projeto de Lei de Iniciativa Popular pela proibição da pulverização aérea de agrotóxicos, na Assembléia Legislativa do Maranhão.
Advogado Popular Diogo Cabral relata alguns casos de intoxicação por agrotóxicos durante o V EMA. Foto: Rogério Albuquerque/Acesa
O texto da minuta foi feito a partir do diálogo com a coordenação política da Rama, de advogados populares, representantes de outras iniciativas como a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, a FioCruz e colaboradores de outros estados que também estão nessa discussão e que tiveram leis aprovadas, como no caso do Ceará.
Além da proibição do uso de agrotóxicos por vias aéreas, o texto também propõe a criação de um sistema de monitoramento, controle e responsabilização de contaminação por agrotóxicos. Prevê o direito de quem produz de forma agroecológica ter uma distância regulamentada de áreas de monocultivo para evitar a contaminação de sua produção e, havendo contaminação, que haja punição. Assim como prevê uma distância entre áreas de aplicação de agrotóxicos e escolas, creches, fontes de água e moradias, com atenção específica a territórios e comunidades tradicionais. E a criação de um programa estadual de análise de resíduos, bem como análise sobre a contaminação de leite materno, dentre outros atos.
Foto: Rogério Albuquerque Acesa
Segundo a publicação “Vivendo em territórios contaminados: Um dossiê sobreagrotóxicos nas águas do Cerrado”, lançado pela Campanha Nacional em Defesa do Cerrado e a Fiocruz, foram identificados nos territórios quilombolas de Cocalinho e Guerreiro, no município de Parnarama/MA, nove princípios ativos diferentes nas águas destas comunidades, sendo que um deles, a atrazina, identificada duas vezes acima do limite permitido pelas normativas brasileiras. E durante o V EMA, realizamos uma denúncia sobre o envenenamento de roçados da comunidade Santa Rita, Peritoró/MA, atingindo os corpos dos/as agricultores/as ocasionando problemas de saúde e de perda na produção da mandioca, feijão, milho, colocando as pessoas em estado de insegurança alimentar as famílias.
Portanto, a campanha “Chega de Agrotóxicos” representa um momento crucial de reconhecimento da urgente necessidade de nos envolvermos em estratégias e na elaboração de legislações e mecanismos que visem à redução dos danos causados pelos agrotóxicos. Preservando a vida das populações, seus modos de existir e promover a produção agroecológica como alternativa ao uso dessas substâncias tóxicas. A campanha visa potencializar o envolvimento da sociedade pela alimentação saudável, a promoção da segurança alimentar e o fortalecimento das comunidades nos territórios livres de agrotóxicos.
Junte-se a nós nesta importante iniciativa em prol da agroecologia e da sociobiodiversidade. Chega de Agrotóxicos!
Rede de Agroecologia do Maranhão e Coalizão Agroecologia para a Proteção de Florestas da Amazônia
Há 25 anos, a Rede de Agroecologia do Maranhão (Rama) destaca-se como uma das mais antigas redes dedicadas à agroecologia no Brasil. Composta por diversas instituições e organizações empenhadas na preservação e valorização dos modos de vida de povos e comunidades tradicionais, a Rama tem ao longo de sua história se dedicado a fortalecer e disseminar a agroecologia como um modelo capaz de
contrapor o desenvolvimento adotado no cenário agrícola do Maranhão. Esse modelo tem desestruturado inúmeras comunidades cujas formas de vida se baseiam em princípios que transcendem a busca pelo lucro monetário.
Em 2022, passou a fazer parte do projeto “Coalizão Agroecologia para a Proteção de Florestas da Amazônia” que, em parceira com o Programa Vozes Pela Ação Climática, visa fortalecer a resiliência climática de 49 comunidades amazônicas, com foco no papel fundamental das mulheres e jovens, na defesa de seus direitos territoriais e da natureza, em meio às ameaças do agronegócio, mineração e exploração de gás de xisto. Partindo da premissa de que essas comunidades estão desenvolvendo mecanismos de autorregulação de seus territórios e ecossistemas, o projeto busca ampliar a aprovação e implementação de leis locais e estaduais, além de influenciar as posições em níveis mais amplos. Fazem parte da coalizão a Rama, a Justiça nos Trilhos, a Associação Agroecológica Tijupá, o GEDMMA e a Associação Comunitária de Educação em Saúde e Agricultura.
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