Protestos denunciam situação dos moradores do entorno da Estrada de Ferro Carajás

Protestos denunciam situação dos moradores do entorno da Estrada de Ferro Carajás

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ocupacao_ferrovia-c4e3e-5917700Desde o último domingo (7) ocorrem mobilizações de moradores da cidade de Parauapebas (PA) em protesto contra o poder público e a empresa Vale. Os manifestantes cobram pela reparação dos graves prejuízos que a Estrada de Ferro Carajás traz à comunidade.

Uma das frentes de ação é dos moradores do bairro Nova Vitória, onde mais de 3500 pessoas vivem em 1200 lotes. Eles reivindicam estruturas estatais como hospitais, escolas e iluminação pública e chamam atenção para a contradição de uma comunidade com serviços de infraestrutura tão precários ficar dentro de uma das maiores reservas minerais do planeta, e da cidade com maior o PIB do estado.

Além disso, várias outras famílias atingidas pela obra de duplicação da estrada, que acontece desde 2011, ocuparam os trilhos do trecho ferrovia em Marabá (PA). Moradores do Assentamento Palmares veem a obra chegar cada vez mais perto das famílias acampadas.

Homenageando Joaquim Madeira, que morreu atropelado por um trem da Vale em 2010, nas ações as famílias reivindicam a indenização de todas as vítimas fatais ou lesionadas pelos trens da Vale ou de empresas terceirizadas que passaram dentro do assentamento.

Para diminuir o nível de pobreza em volta de empreendimentos da empresa, uma das pautas é que 1% da Compensação Financeira Pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) seja destinado às comunidades atingidas em forma de programas da transferência de renda.

Veja a lista completa de reivindicações:

PAUTA DE REIVINDICAÇÃO DO BAIRRO NOVA VITÓRIA

*I – APRESENTAÇÃO*

Nós moradores do Bairro Nova Vitória, mais de 3.500 habitantes, distribuídos em 1.200 lotes conquistados no processo de mobilização na luta pela moradia, sofremos duplamente um processo de marginalização social enquanto comunidade humana.

Por um lado, o Poder Público municipal não reconhece nosso território como parte do território sob gestão do Município e por isso nos deixa as margens de investimentos públicos em áreas que são condições mínimas para a garantia de direitos constitucionais: Educação, Saúde, Saneamento Básico, infraestrutura urbana e políticas sociais que atendam as carências de nossa comunidade.

Por outro, e ai esta grande contradição, somos uma comunidades das mais pobres e desprotegidas de condições dignas de vida, dentro da maior reserva mineral do Planeta, no município que ostenta um dos maiores PIBs*(Produto Interno Bruto*) do País. Ou seja somos pobres e abandonados dentro de um solo que produz uma das maiores riquezas minerais do mundo.

Entendemos, depois de muita espera e esperança, que não podemos esperar sempre mais. Mais um ano. Espera para que passe o inverno ou ainda esperar pelo próximo governo, seja ele municipal, estadual ou federal.

Por isso resolvemos nos mobilizar outra vez, agora com a seguinte proposta de Pauta:

*II- PAUTA *

*1-Infra Estrutura Urbana*

a) Rebaixamento de todas as ruas e pavimentação desta até a obras de duplicação da Rodovia FarukSalmem;

b) Construção de rotatória de acesso a Bairro Nova Vitória

c) Rebaixamento das encostas com projeto de paisagismo frente o Bairro Nova Vitória

d) Imediata eletrificação de todas as ruas do Bairro;

e) Construção de sistema de captação, armazenamento e distribuição de água, assim como sistema de esgoto;

*2- Infraestrutura Social*

a) Construção de Escola de Ensino Fundamental no Bairro;

b) Construção imediata ou aquisição de imóvel para Posto de Saúde
Comunitário;

c) Construção de Espaço Comunitário de Cultura e Lazer

d) Acesso a programas de habitação para reformas, ampliação e construção de casas no Bairro;

e) Ação imediata para geração de emprego e renda (emprego nas empresas e em programas sociais)

f) Programa de capacitação profissional para Mulheres, Jovens e Idosos

g) Construção de Creche Comunitária para atender as demandas do Bairro;

h) Programa de atendimento, proteção e atenção aos adolescentes e jovens (atividades socioeducativas e de geração de renda)

Comissão de Negociação do Bairro Nova Vitória

Pauta Aditiva de Palmares II – Jornada de Mobilização de Dezembro

Acampamento de Resistência “JOAQUIM MADEIRA”

*1-DIREITOS HUMANOS*

– Indenização de todas as vítimas fatais e lesionadas pelos trens da Vale ou por veículos de empresas terceirizadas nas estradas dentro do Assentamento Palmares;

*2 – ESTRADAS*

– Agilização da pavimentação asfáltica do trecho já certada durante mobilização entre a Vila/Rio Novo, limite com os Mirandas;

– Recuperação da Estrada do Setor da Sede e construção de Ponte bde Concreto;

*3- TRABALHO, RENDA E DIREITOS SOCIAIS*

– Garantia de estabilidade no emprego a todos os trabalhadores da Vale e de suas terceirizadas, até a conclusão de todas as obras dentro, ou que exigem acesso pelo território;

– Acesso a contrato de emprego aos trabalhadores desempregados das áreas no entorno das obras e serviços das mineradoras, como modo de atenuar impactos sócio econômicos provocados pela mineração;

 Projetos de geração de renda (ver proposta da CTERP)

– Instalação ou parceria de um Posto do SINE, adaptado as
condições da comunidade;

 Dedicação de 1% do CEFM para as comunidades atingidas pelos projetos minerais, através de programa de transferência de renda por família, como forma de diminuir a pobreza no entorno desses projetos;

*4- EDUCAÇÃO*

 Construção de do espaço físico da Escola de Ensino Médio adaptadas a habilidades técnicas de acordo com as necessidades de seu Projeto Político e Pedagógico;

*5- AGRICULTURA*

 Ampliação do número de famílias atingidas pelo projeto/convenio com Assentamento Palmares II,

*6- MÉTODO DE NEGOCIAÇÃO*

 Criação de Comissão Triparte composta por: Representantes da Comunidade, Governo Municipal (ou Estadual ou Federal), Empresa Mineradora para discussão, debate, elaboração e acompanhamento de ações combinadas;

*7- FUNDO SOCIAL*

 Criação de Fundo Social orientado para comunidades atingidas, sob controle comunitário, para projetos de desenvolvimento econômico e social, tendo como origem recursos da Fundação Vale;

Fonte Brasil de Fato

Protestos denunciam situação dos moradores do entorno da Estrada de Ferro Carajás

Sitinho – MA

1. Conflitos

sitinho-05a0e-9504689Sitinho é uma comunidade que faz parte da Vila Maranhão, bairro da zona rural de São Luís (MA). A comunidade existe há mais de 40 anos, tendo metade de seu perímetro na zona industrial da cidade. Na localidade vivem aproximadamente 50 famílias, grande parte delas sobrevive de aposentadorias, programas sociais, trabalhos esporádicos nas empresas da localidade e alguns “bicos”.

Os problemas causados pelos empreendimentos da Vale S. A. são: alagamentos, barulho forte e constante pelas buzinas dos trens, acidentes e atropelamento de pessoas e animais, trepidação ocasionando rachaduras nas casas, ausência de travessia segura para transpor a linha férrea. Por causa das mais recentes obras de duplicação da ferrovia, os moradores reclamam de alagamentos nas casas, poeira, trânsito de veículos pesados em alta velocidade nas portas das casas, impedimento de construção e ampliação das casas.

Além destes problemas, a comunidade foi surpreendida por obras nas portas de algumas casas, que estão fora da faixa de domínio da Estrada de Ferro Carajás (40 metros de cada lado a partir do eixo da linha principal). A execução das obras prevê o corte de uma barreira que formará um precipício na porta das casas de 06 famílias (há duas mulheres gestantes e várias crianças morando nesse local e inclusive uma já se acidentou). Estas obras servem para a ampliação do Terminal Ferroviário de Ponta da Madeira, que prevê a construção de uma 3ª linha férrea.

2. Resistência da comunidade

sitinho_2-e1be8-5704631Os moradores, ao terem conhecimento dos projetos da obra de duplicação, reuniram-se com os moradores do bairro vizinho, Maracanã, e realizaram um protesto em frente de um túnel que liga os dois bairros, em novembro de 2012.

O protesto tinha como pauta principal reivindicar o alargamento do túnel de passagem, e não simplesmente estender o seu comprimento, como a empresa propunha. A manifestação foi movida em razão de o túnel ocasionar riscos às comunidades: devido à falta de luminosidade no local, os moradores estavam constantemente sujeitos a assaltos; além disso, havia dificuldade de passagem para veículos maiores.

Em seguida, os moradores fizeram uma representação junto ao Ministério Público Federal sobre o mesmo tema. No entanto, ainda, não chegaram a uma solução do problema.
Houve também denuncias à empresa e à imprensa. Por fim, sem respostas, em novembro de 2013, a comunidade ocupou a ferrovia. A empresa Vale obteve decisão liminar de reintegração de posse da 16ª vara cível da capital e a ocupação foi interrompida.

Com o avanço das obras e a falta de diálogo e soluções, a comunidade em julho de 2014 passou a impedir as máquinas de trabalhem no local. Além disso, os moradores protocolaram no mesmo mês um pedido formal à Vale S.A. (na sede do terminal Ponta da Madeira), para a empresa apresentar as licenças das obras e fazer reunião com a comunidade para tratar sobre as compensações ambientais estabelecidas nas licenças de operação concedidas pelo IBAMA.

O MPF acompanha a parte das denúncias ligadas à operação e duplicação da EFC, licenciadas pelo IBAMA e reguladas pela ANTT. Houve tentativa de acordos, porém a empresa nega responsabilidade pelos danos causados em Sitinho, notadamente em relação às rachaduras nas casas, conforme pode ser atestado pelo ICP n.º 1.19.000.000158/2013-85, aberto pelo 2º ofício da Procuradoria da República no Estado do Maranhão.

3. Reivindicações

A comunidade reivindica que a empresa faça reuniões com os moradores para tratar das compensações ambientais estabelecidas nas licenças de operações das obras concedidas pelo IBAMA.

Além disso, os moradores solicitam que os danos causados pelas operações da ferrovia às suas casas sejam reparados ou indenizados, permitindo às famílias que queiram sair à possibilidade de se instalar em outro local.

Protestos denunciam situação dos moradores do entorno da Estrada de Ferro Carajás

Moradores da Vila Racha Placa interditam estrada em Canaã dos Carajás

maraba_editada-3-21345-3717057Cerca de 100 pessoas ocupam estrada em Canaã dos Carajás-PA, próximo às obras de infra-estrutura da Vale do Projeto S11D. Com início às 5h da manhã, o objetivo é pressionar a mineradora para a inclusão de famílias, até então desassistidas, no processo de reassentamento.

A Vila Racha Placa, ou Mozartinópolis, tem mais de 50 famílias e fica em área atingida pelo projeto de exploração de minérios. Há anos os agricultores têm realizado embates com representantes da empresa, e apenas recentemente o INCRA reassentou parte das famílias para um Projeto de Assentamento em outra área do município de Canaã dos Carajás.

Entretanto cerca de 10 famílias da Vila Racha Placa continuam desassistidas do reassentamento. Já que, decorrente do Projeto da Vale, a área atual da comunidade deverá ser totalmente esvaziada, estas famílias desassistidas reivindicam para conseguir outro lote.

A assessoria jurídica dos moradores, feita pela Comissão Pastoral da Terra, tem dialogado com representantes da Vale, para uma desmobilização na estrada e agendar uma reunião para negociar as pautas reivindicadas.

Em junho deste ano essa mesma estrada foi interditada por mais de doze horas, pelos moradores da Vila atingida pela Vale.

Fonte: Ecos de Carajás
Foto: Marcelo Cruz