Cine Praia Grande exibe o documentário “A Peleja do Povo contra o Dragão de Ferro”

Cine Praia Grande exibe o documentário “A Peleja do Povo contra o Dragão de Ferro”

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arte_divulgacao_filme-af1af-2356498Na última sexta-feira (12) o documentário A Peleja do Povo contra o dragão de ferro foi exibido no Cine Praia Grande, às 20h. O evento contou com a presença do diretor do filme, o maranhense Murilo Santos. A produção proporcionou um espaço de conhecimento e discussão sobre os impactos causados pela empresa Vale S.A.

A Peleja do Povo contra o dragão de ferro retrata os conflitos socioambientais vividos por centenas de comunidades rurais do Maranhão e do Pará. No enredo, o filme relembra as histórias de moradores com o trem, de propriedade da mineradora Vale. Além disso, concentra em informar os impactos da duplicação da linha férrea, ampliação do Projeto Grande Carajás, mostrando a luta e resistências do povo ao longo desse processo.

Murilo Santos é cineasta, trabalha com a temática de conflitos socioambientais e direitos humanos. A Peleja do Povo contra o dragão de ferro dá continuidade há outras produções de Santos que analisam as violações de direitos promovidas pelos grandes projetos econômicos na Amazônia Oriental, que historicamente tem contribuído para o avanço do capital na região.

Essa produção é resultado do “Seminário Internacional Carajás 30 anos: mobilizações e resistências frente a projetos de desenvolvimentos na Amazônia Oriental” ocorrido em maio deste ano.

Rede Justiça nos Trilhos

Declaração Final do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração

Declaração Final do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração

igreja_e_mineracao-38454-2660794Confira a Declaração Final do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineraçãoo erealizado em Brasília nos dias 2 a 5 de dezembro de 2014. O encontro faz parte de um processo de articulação anterior, com pretensão de continuidade e de novas alianças.

Veja também as matérias produzidas por ocasião desse encontro:
Igreja e sociedade civil denunciam a violência de muitos projetos de mineração
Confira a entrevista com Cesar Padilla, direto do Encontro Latinoamericano Igrejas e Mineração, em Brasília
Encontro “Igreja e Mineração” começa nesta terça, 2, em Brasília

Com alegria e esperança, homens e mulheres de fé, provenientes de diversas congregações e confissões religiosas de 13 países da América Latina e Caribe, inspirados na dimensão social e profética do Evangelho e acolhidos pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), partilhamos as reflexões, valores e compromissos que temos assumido ao longo do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração, celebrado em Brasília de 2 a 5 de dezembro de 2014.

Recolhendo as preocupações e iniciativas de diversas comunidades e igrejas locais do continente inteiro sobre o aumento das agressões à vida e aos bens comuns por causa do modelo extrativista, e em continuidade com o 1° Encontro sobre Igrejas e Mineração realizado em 2013 na cidade de Lima, Peru, reunimo-nos para refletir, compartilhar, celebrar e gerar caminhos que nos permitam, em fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo, acompanhar de maneira articulada os povos de nossa América Latina que se sentem ameaçados e condenados à destruição de seus meios de vida e à negação de um futuro possível, em aberta contradição com o projeto de vida proclamado pela visão cristã do mundo.

Durante estes dias, temos reafirmado como a imposição do modelo extrativista, promovido pelas grandes corporações e as economias globais com complacência de quem governa nossos estados nacionais, longe de contribuir ao bem estar de todos e todas, incrementa as desigualdades, as violações aos Direitos Humanos individuais e coletivos, a divisão da família latino-americana e de nossas comunidades, a destruição de zonas privilegiadas por sua riqueza de bens naturais e a diversidade biológica de nosso continente.

Com tristeza reconhecemos que, junto às graves violações aos direitos fundamentais dos povos de nossa América, agravou-se a crise ecológica causada pelo estilo de vida consumista e mercantilista dos bens e por um modelo extrativista que não reconhece nem respeita os limites de nosso planeta. Acelera-se, assim, sua degradação e vulnerabilidade, convertem-se em mercadorias os territórios de nossos povos originários, os minerais, a biodiversidade, os combustíveis fósseis e o gás natural, a energia do vento, da água e do sol e os demais bens naturais.

Tudo isso, nosso Deus Criador nos entregou para o sustento da vida, assim como para o seu desfrute e bem estar coletivo, e não para o enriquecimento desmedido, que desconhece os direitos coletivos que compartilhamos entre todos os seres humanos que habitam este planeta, neste momento histórico, assim como a responsabilidade solidária de entregar a nossas futuras gerações um mundo melhor, como aquele que recebemos.

A valiosa diversidade cultural dos povos da América, com cosmovisões respeitosas e harmônicas da Mãe Natureza, encontra-se gravemente ameaçada pela imposição deste modelo que se apropria dos territórios a qualquer custo e se converte em um processo ativo de desapropriação, que atropela quem resiste a ele, com mecanismos que vão desde as ameaças, a perseguição, a cooptação, a criminalização, a judicialização e até o assassinato de líderes comunitários, defensores e pastores que acompanham estas lutas.

Os meios de comunicação comerciais contribuem para a promoção da falsidade deste modelo, seduzindo a população com promessas que não são cumpridas, já que, como expressão extrema do modelo neoliberal, seu objetivo é a acumulação de capitais e não a distribuição equitativa de bens.

Partilhamos com alegria a missão profética de diversos setores e líderes das Igrejas Cristãs, que acompanham as comunidades e pessoas que defendem a Criação, a Vida e o Direito frente ao modelo extrativista, como uma forma concreta de fidelidade à missão eclesial nestes momentos da história.

Confiamos e esperamos que cada vez mais nossas igrejas, desde as bases até as hierarquias, assumam posições consequentes frente à problemática gerada por este modelo extrativista e depredador de recursos, tal como se reconhece no documento de Aparecida “…há uma exploração irracional que vai deixando um rastro de dilapidação, e até mesmo de morte, por toda a nossa região”(DA 43).

Diante dessa realidade, definimo-nos como uma articulação de pessoas e organizações religiosas, com espírito ecumênico e inter-religioso, fiéis à nossa opção pelos empobrecidos e empobrecidas, lutando em favor da Vida e dos Bens da Criação.

Em relação com as comunidades, reafirmamos nosso compromisso de trabalho com as bases, expressado através da troca de saberes e conhecimentos, de estratégias de proteção, defesa e solidariedade, do acompanhamento na preparação e apresentação de ações de denúncia local, nacional e internacional, entre outras.

Queremos aprofundar uma mística que anime nossas práticas, nos permita construir propostas de ação e nos ajude a avançar em nossas reflexões e interpretações teológicas.

Comprometemo-nos a continuar promovendo uma articulação internacional para o diálogo, a incidência e a denúncia, em coordenação com outros atores religiosos, como Franciscans International, Vivat International, Mercy International, a rede Cidse, a Rede Eclesial Panamazônica, o Pontifício Conselho de Justiça e Paz, assim como outros atores sociais como o Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina e diversas expressões sociais com que compartilhamos propósitos e visões em todo o continente.

Que a mística e o espírito de fraternidade que caracterizaram este encontro nos animem a assumir com maiores energias a missão profética e a responsabilidade coletiva no cuidado da vida e dos bens comuns.

Brasília, 5 de dezembro de 2014.

Para nos contatar e conhecer nossas propostas concretas: iglesiaymineria@gmail.com

Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade – AFES – Agenda Latinoamericana Mundial Amerindia Colombia y Continental Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo – ASETT – Associação Madre Cabrini, Irmãs Missionárias do Sagrado Coração de Jesus – Brasil Caritas de El Salvador, El Salvador Caritas Jaén, Perú Centro de Ecología y Pueblos Andinos -CEPA- Oruro Bolivia Centro de Justicia y Equidad -CEJUE- Puno, Perú Centro Franciscano de Defesa dos Direitos, Brasil Claretianos San José del Sur, Uruguay, Paraguay y Chile Coalición Ecuménica por el Cuidado de la Creación, Chile. Consejo Latinoamericano de Iglesias – CLAI- Consejo Mundial de Iglesias, Justicia Climática -CMI- Conselho Indigenista Missionário -Brasil- Coordinación Continental de Comunidades Eclesiales de Base Comissão Verbita, JUPIC- Amazonía. Comitê em Defesa dos Territórios frente à Mineração, Brasil. Comunidades Construyendo Paz en los Territorios – Fe y Política -Conpaz- Colombia. Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB- Comisión Intereclesial Justicia y Paz -Colombia- Comissão Pastoral da Terra -CPT- Brasil. Comunidades de Vida Cristiana -CVX- Comunidades Eclesiales de Base, Colectivo Sumaj Kausay, Cajamarca, Argentina. Coordinación Continental de Comunidades Eclesiales de Base. Coordinadora Nacional de Derechos Humanos, Perú. CPT Diocese de Óbidos, Pará, Brasil. Departamento de Justicia y Solidaridad de la Conferencia Episcopal Latinoamericana – DEJUSOL, CELAM. Derechos Humanos Sin Fronteras, Perú. Derechos Humanos y Medio Ambiente de Puno -DEHUMA-, Perú Diálogo Intereclesial por la Paz en Colombia, DIPAZ, Colombia Diocesis de Copiapó- Alto del Carmen – Chile Diocese de Itabira- Fabriciano Minas Gerais, Brasil Dirección Diocesana Cáritas de Choluteca, Honduras Equipe de Articulação e Assessoria as Comunidades Negras do Vale do Ribeira, EAACONE, Brasil. Equipo Investigación Ecoteología, Universidad Javeriana, Bogotá. Equipo Nacional de Pastoral Aborigen, ENDEPA, Argentina. Franciscans International. Hermanas de la Misericordia de las Américas, Argentina. Iglesia Evangélica Presbiteriana de Chigüinto, Chile. Irmãos da Misericórdia das Américas Juventude Franciscana do Brasil – JUFRA- Justiça, Paz e Integridade da Criação Verbitas – JUPIC SVD – Província BRN Mercy International Mesa Ecoteológica Interreligiosa de Bogotá D.C. – MESETI – Misioneros Claretianos Centro América y San José del Sur, Argentina Misioneros Combonianos, Brasil e Ecuador Movimento dos Atingidos por Barragens no Vale do Ribeira -MOAB- Brasil. Observatorio de Conflictos Mineros de América Latina -OCMAL- Oficina de JPIC OFM, Roma. Oficina de JPIC Sociedad Misionera San Columbano, Chile Orden Franciscana Seglar, Uruguay Organización de Familias de Pasta de Conchos, México Pastoral de Cuidado de la Infancia, Bolivia Pastoral Indígena, Ecuador Pastoral Indigenista de Roraima -Brasil- Pastoral Social Cáritas Oruro, Bolivia Pastoral Social Diócesis de Duitama Sogamoso, Boyacá, Colombia Pastoral Social Diócesis de Pasto, Nariño, Colombia Radio el Progreso Yoro-ERIC- Honduras Red de Educación Popular de América Latina y el Caribe de las Religiosas del Sagrado Corazón Rede de Solidariedade Missionárias Servas do Espírito Santo, Brasil Red Muqui, Perú Red Regional Agua Desarrollo y Democracia, Piura, Perú Secretariado Diocesano de Pastoral Social, Garzón Huila, Colombia. Servicio Interfranciscano de Justicia, Paz y Ecología -SINFRAJUPE-, Brasil. Servicio Internacional Cristiano de Solidaridad con América Latina, Oscar Romero, -SICSAL- Servicios Koinonia Vicaría de la Solidaridad, Oficina de Derechos Humanos, Jaén, Perú. Vicariato Apostólico San Francisco Javier, Jaén, Perú.

Vivat International.

Declaração Final do 2° Encontro Latino-americano sobre Igrejas e Mineração

Pedrinhas – MA

1. Conflitos

pedrinhas-9d2f0-1623120Pedrinhas é um bairro localizado na área urbana de São Luís (MA). Possui 18.000 habitantes. Grande parte das famílias sobrevive com trabalhos esporádicos. Algumas trabalham nas empresas instaladas nas proximidades, como Alumar, Brahma, entre outras.

Outras famílias têm como fonte de renda a atividade extrativista no mangue.
Os moradores reclamam dos problemas advindos das obras de duplicação da ferrovia, em concessão à empresa Vale S.A. Por motivo das obras, foi desviado o curso de um rio localizado no bairro, fazendo com que secasse.

Em um período chuvoso ocorreu um deslizamento das margens do rio, atingindo uma escola próxima à localidade. A defesa Civil esteve no local e suspendeu o funcionamento das atividades na escola. Devido a isso, cerca de 105 crianças tiveram que se deslocar para dois locais distintos, dividindo as turmas para que os alunos pudessem prosseguir com as aulas.

Além desse problema, a comunidade passou a sofrer com alagamento nas casas quando chove, porque vários córregos têm sido entupidos com as obras da duplicação.

Com as operações da duplicação, o muro do quintal de uma casa caiu e foi atingido também um criatório de peixes: foram quebrados canos instalados de um pequeno tanque ligado ao rio. Foi jogado cloro na água e a água poluída passou a entrar no tanque dos peixes, matando cerca 70 kg destes. O caso não foi reconhecido pela empresa.

Foram distribuídos folders informativos pela empresa na comunidade, informando que as obras estavam acontecendo respeitando as solicitações da própria comunidade. No entanto, as informações contidas no folder não correspondiam com as solicitações da comunidade.

Em setembro de 2013, a empresa começou a construção de um viaduto no local. Em decorrência das obras, foi construída uma passagem provisória que é utilizada para atravessamento de carros de médio e grande porte e também pelos moradores. Porem, os moradores alegam que a via não é adequada, o percurso de acesso ao bairro é mais longo e os funcionários da empresa não orientam motoristas e moradores na travessia.

2. Resistência da comunidade

pedrimhas_2-2b334-4125728Mesmo tendo obrigação legal a reparar os danos causados ao local em que se instala, a empresa Vale S. A. não reconhece os problemas causados por ela, isso se torna um agravante.

Em Pedrinhas foi necessário constituir um advogado para cobrar reparação aos danos causados pela empresa a uma escola da comunidade.

Além disso, a comunidade já apresentou reclamações à empresa; fez denúncia no IBAMA, à Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos (Semosp), ao Estado e Município acerca dos problemas que as obras da duplicação vêm causando. No entanto, até então, não foi dada nenhuma resposta.

3. Reivindicações

Assim como tantas comunidades que margeiam a estrada de ferro e são impactadas negativamente pela ferrovia, a comunidade de Pedrinhas reivindica seus direitos.

Dentre outros problemas causados pelas obras de duplicação da ferrovia, a comunidade reivindica a reparação aos danos causados na escola e o alargamento do túnel sob a estrada de ferro no bairro. Esse atravessamento oferece riscos aos moradores, pois o local é de pouca luminosidade. Existe, portanto risco de assaltos e, além disso, o túnel muito estreito não permite a passagem de carros de grande porte.