Continua o combate aos incêndios na Terra Indígena Caru

Continua o combate aos incêndios na Terra Indígena Caru

No sábado (5) foi realizado sobrevoo na Terra Indígenas, Caru, Awa. A Terra Indígena Caru está cercada pelo fogo, há um arco de fogo vindo das TI Alto Turiaçu e Awa (Sul doeste) para a Caru, de grande dimensão.
foto_arquivo_guardioes_guajajara_da_ti_caru-fda4a-7735234
Existem 100 indígenas Guajajara, 45 brigadistas da Prevfogo, 5 bombeiros, 30 Awa, e 60 não índios, estes últimos estão atuando no combate ao fogo, que se aproxima da aldeia Tiracambu (do povo Awa Guajá). Há apenas um helicóptero do IBAMA que estava na TI Awa e Alto Turiaçu. Ontem ele chegou na TI Caru para fazer levantamento do incêndio e estratégias de combate ao fogo. O cacique da aldeia Maçaranduba informou que o fogo que é visto tanto de cima como por baixo, não é possível de ser controlado com esse número de pessoas, é urgente, necessário o envio de mais pessoas e aeronaves. Ele informa, que esse contingente está distribuído em três frentes de atuação na Terra Caru: região norte da aldeia Maçaranduba, região sul (agua branca) e uma na região da Aldeia Awa. ‘O incêndio já compromete metade da Terra’.

“Daqui, não temos conhecimento se o IBAMA tem noticiado a proporção do incêndio na TI Caru.”

fogo_na_ti_caru_-_foto_madalena_borges-c3ddb-9774603Na Aldeia Awa, o fogo está a 30 minutos de chegar as aldeias, mas tem sido combatido por homens e mulheres. Os incêndios que já foram controlados voltam ocorrer no mesmo local. Os homens Awa não tem ido caçar, pois há fogo em todas as direções e estão impossibilitados de prover alimentação para suas famílias. “As crianças pedem carne quando voltamos do combate ao fogo. Respondo, não tem minha filha, só fogo”, relata Inajã Awa. As mulheres estão tristes com a destruição de áreas de frutos e de caça, os rios estão secos e peixes mortos. A fome já preocupa.

Segundo o cacique Antônio Wilson Guajajara, o incêndio é criminosos, colocado pelos madeireiros e outros invasores. Sobretudo, pela localização de fogo no centro da mata. Os Awa acreditam que os cocais de coletas dos Awa isolados já foi todo queimado. Não há informações sobre esses grupos.

Desde o início do incêndio a liderança Tatuxa’a Awa juntamente com grupo de 10 Awa, tentam combater o fogo desesperadamente sem ajuda do Estado, a ajuda chegou com um mês da Terra queimando, e só veio por conta das pressões dos indígenas, de Instituições da Sociedade Civil e Internacional e de apoiadores da causa indígena.

Os Awa Guajá tem seu modo de vida baseado na caça e na coleta, e vivem exclusivamente da floresta. Esse modo de vida está comprometido se esse incêndio não for controlado logo. Presenciamos a tristeza de um povo, da fome que ronda essas comunidades, da inoperância do Estado Brasileiro por falta de uma política de proteção territorial, da falta de monitoramento dos focos de fogo nas Terras Indígenas, mesmo depois do que aconteceu com a TI Araribóia também no Maranhão que teve metade da área queimada por conta da demora do Estado Brasileiro para agir.

Texto de Madalena Borges, missionária do CIMI Maranhão

Quem é a Vale

Maior produtora mundial de minério de ferro e segunda no mundo quanto ao níquel, a Vale extrai e vende muitos outros minérios, além de escoar outros preciosos recursos da natureza. Possui um poderoso sistema de logística, pelo qual comercia com dezenas de países no mundo.

“Segunda maior mineradora do mundo, uma das 30 maiores companhias públicas negociadas no mundo e a maior empresa privada na América Latina”. É assim que a própria Vale se apresenta.
Um gigante, que pisa porém em cima dos direitos e da vida de comunidades e territórios no mundo inteiro.

A privatização da Vale, em 1997, subavaliou de até 74% o valor de suas reservas, com prejuízos de bilhões para o patrimônio público.
Nas próprias palavras do administrador executivo da época, a empresa valia 40 bilhões de dólares, mas foi vendida a um preço 28 vezes inferior!

Os impactos das operações da Vale são violentos: utiliza 1,2 bilhões de metros cubos de água por ano, correspondentes ao consumo médio de água de 18 milhões de pessoas.
Em 2009 despejou em rios e mares 114 milhões de metros cúbicos de efluentes industriais e oleosos: é o mesmo volume da água que o rio Amazonas despeja no mar em 12 minutos!

A isso acrescenta-se a poluição do solo e do ar, bem como o impacto do inteiro ciclo de siderurgia que no Brasil deve-se à instalação dos programas de mineração: somente no corredor de Carajás, as empresas siderúrgicas estão queimando a cada ano 3 milhões de toneladas de carvão, correspondente a 550mil hectares de floresta amazônica que por décadas foi sacrificada ao preço do desenvolvimento.
Hoje a monocultura de eucalipto disfarça a concentração da terra sob o falso nome de ‘reflorestamento’.

69 processos judiciais contestam a privatização da Vale; 266 processos relevantes reivindicam indenizações ou multas; milhares são as causas trabalhistas. Há mais de um ano centenas de trabalhadores no Canadá estão em greve criticando a postura agressiva da multinacional, que lucra em cima da exploração da mão-de-obra.
Mas a empresa, em lugar de recuar, tem enormes planos de investimento para o futuro

Tudo isso é a Vale, por trás da maquiagem garantida por 180 milhões de R$ aplicados em propaganda a cada ano para pintar de verde e amarelo uma empresa que não é mais brasileira e nunca foi sustentável.

Ato em defesa das comunidades impactadas pelo Programa Grande Carajás

Ato em defesa das comunidades impactadas pelo Programa Grande Carajás

Não VALE poluir! Não VALE massacrar! Não VALE remover! Não VALE escravizar! Não VALE espionar! Não VALE saquear! Não VALE enganar! Não VALE corromper! Não VALE desmatar!

Não VALE oprimir!

10297764_306168862874599_8268631923295253401_n-718ce-1562340Com 10 denúncias contundentes, ativistas do Greenpeace (Brasil) e do Seminário Internacional Carajás 30 anos manifestaram em frente à sede da empresa Vale S.A. de São Luís – MA, na manhã do dia 8 de maio.

A atividade faz parte da programação do seminário que está ocorrendo na cidade de São Luís desde a última segunda-feira e vai até amanhã (9). Os ativistas denunciaram os impactos sofridos por centenas de comunidades em decorrência da implantação do Programa Grande Carajás.

Na ocasião, os representantes do Seminário Carajás protocolaram uma carta de exigências das comunidades afetadas pela exploração do minério (veja a carta abaixo). Durante o momento, Ricarte Almeida, do Fórum Carajás questionou: “que desenvolvimento é esse? Pra quê esse tipo de desenvolvimento se somos campeões em analfabetismo, grilagem, assassinatos (…). Esse protesto é um grito de chega! É um grito em nome de todos os atingidos pela exploração do nosso minério”.

Rede Justiça nos Trilhos
Foto: Mídia Ninja

EXIGÊNCIAS URGENTES À EMPRESA VALE S.A. EM RESPEITO ÀS VIOLAÇÕES E AMEAÇAS A DIREITOS NA AMAZÔNIA ORIENTAL

Nós, participantes do Seminário Internacional “Carajás 30 anos: mobilizações e resistências frente a projetos de desenvolvimento na Amazônia oriental”, realizado de 5 a 9 de maio de 2014 em São Luís/MA, manifestamos nossa indignação em respeito às práticas nefastas da empresa Vale no mundo, a exemplo da situação atual de famílias e territórios ao longo do “Corredor de Carajás”, em plena execução das obras do sistema mina-ferrovia-porto, para o escoamento dos minérios. Na particularidade da Amazônia oriental, destacamos que o plano de duplicação da ferrovia foi declarado ilegal pela Justiça Federal do Maranhão (8ª. Vara, Processo nº. 26295-47.2012.4.01.3700).
Nesse sentido, exigimos a suspensão da referida duplicação, cuja continuidade deverá obedecer à avaliação das instituições da Justiça, considerando, pelo menos, as seguintes condicionantes:

1. Que a Vale S.A. construa travessias seguras ao longo da ferrovia. A Licença de Instalação N. 895, emitida em 16 de novembro de 2012 e retificada em 02 de dezembro de 2013, impõe um prazo de 60 dias para a Vale apresentar estudos de frequência das composições ferroviárias, estudo de tráfego e mapeamento atualizado das comunidades próximas à ferrovia. Até agora nenhum estudo foi apresentado.

É urgente negociar com as comunidades, através da mediação institucional do MPF e da DPU, um plano eficaz de segurança para o atravessamento da ferrovia, prevendo viadutos, passarelas ou tuneis onde as comunidades avaliarem mais adequado.

2. TRANSPARÊNCIA DA POLÍTICA DE DESLOCAMENTO COMPULSÓRIO – que a Vale esclareça publicamente seu plano a respeito da remoção de famílias ou benfeitorias em razão da abertura da mina S11D, do ramal ferroviário em construção, da duplicação da Estrada de Ferro Carajás e da expansão do porto de Ponta da Madeira. Essas informações foram omitidas do Plano Básico Ambiental e do processo de licenciamento da duplicação do sistema mina-ferrovia-porto. Esse plano deve ser debatido publicamente, em audiências: as famílias têm o direito de opinar a respeito de seus deslocamentos, negociar coletiva ou individualmente seus interesses e receber assessoria de instituições públicas mediadoras, como o Ministério Público ou a Defensoria Pública.

Nenhum deslocamento compulsório pode acontecer através de uma simples negociação privada da Vale com cada família, considerando a desproporção de poder e informações entre esses dois sujeitos.

3. Que a Vale contribua com a complementação do financiamento público para a construção do novo bairro de Piquiá de Baixo (município de Açailândia/MA) que, há quase trinta anos, sofre com a poluição alarmante e outras violências provocadas pelas empresas siderúrgicas e pela própria Vale, instaladas naquela região através do Programa Grande Carajás.
A comunidade de Piquiá de Baixo está lutando há mais de sete anos para conseguir seu reassentamento. Com a mediação do Ministério Público Estadual e da Defensoria Pública Estadual, já conseguiu um terreno e um projeto urbanístico-habitacional, bem como o apoio político do Ministério das Cidades em vista de um possível financiamento da construção do bairro.

4. Que a Vale realize adequados estudos sobre os impactos provocados pela ferrovia e sua duplicação nas terras indígenas. Questionamos aqui o estudo do “Componente Indígena” relativo à Terra Indígena Mãe Maria, e exigimos que seja considerada a efetiva consulta aos povos indígenas das aldeias daquela região, com a mediação de um antropólogo/a escolhido por eles. O estudo apresentado pela empresa nesse caso é absolutamente insatisfatório e precisa ser profundamente revisto.

5. Que a Vale S.A. se abstenha da prática de espionagem e de infiltração de agentes de inteligência nas organizações e movimentos sociais, bem como cesse imediatamente as intercepções de comunicações e o acesso também ilegal a dados pessoais de lideranças, advogados, jornalistas, religiosos, além de outras práticas ilícitas comprovadas nos documentos apresentados pelo seu ex-gerente de segurança, Sr. André Almeida, ao Senado, Ministério Público, à Justiça do Trabalho e à imprensa, no ano de 2013.

6. Que a Vale S.A. revise a sua política de atenção às vítimas e familiares de vítimas de atropelamentos por seus trens, procedendo a sindicâncias internas sérias tal como imposto pelo Regulamento de Transportes Ferroviários (Decreto nº. 1.832/96) ; que a companhia estimule e contribua para a devida investigação dos fatos pela polícia civil; que se abstenha da prática de qualificar apressada e levianamente as causas dos acidentes como suicídio ou desova de cadáveres, a fim de se eximir de suas responsabilidades; que adote uma política de indenizar as famílias das vítimas para além das despesas com funeral.

7. Que a companhia se exima da prática de impugnar os processos de titulação de terras indígenas e quilombolas recortadas pela EFC ou localizadas na área de influência de seus empreendimentos e que retire imediatamente as impugnações ora vigentes.

8. Que a companhia instale um sistema eficiente de drenagem ao longo de toda a EFC a fim de que sejam evitados os constantes alagamentos nos assentamentos, nas fazendas e nas comunidades urbanas e rurais situadas às margens da ferrovia.
9. Que, quanto à prática de esmerilhamento dos trilhos, a companhia passe a utilizar a melhor técnica a fim de que os incêndios em matas e pastagens dela decorrentes não mais aconteçam.

10. Que a companhia implemente ao longo da EFC e em especial nas proximidades das comunidades, dispositivos para redução dos ruídos decorrentes da passagem dos trens, deixando provisoriamente de operar no período noturno enquanto esses dispositivos não forem instalados;

11. Que a companhia tome medidas efetivas para evitar que pessoas – em especial crianças e adolescentes – viagem clandestinamente em seus trens de carga.

12. Que a companhia aumente a frequência dos trens de passageiros que trafegam pela EFC, com ao menos um trem de passageiros por dia em cada sentido, tal como ocorre na Estrada de Ferro Vitória-Minas.

13. Que a companhia cumpra rigorosamente as decisões judiciais tomadas contra ela em processos atualmente em curso na Justiça Federal ou na Justiça Estadual do Maranhão e do Pará.

O Seminário internacional Carajás 30 Anos realiza uma reflexão aprofundada das violações provocadas pelos desdobramentos do Programa Grande Carajás nos territórios do Pará e do Maranhão ao longo de trinta anos. E estas reivindicações representam apenas as maiores urgências, entre uma lista grande de danos e ameaças que foram detectadas ao longo dos dias de debate, e que serão sistematizadas detalhadamente em vista de outros encaminhamentos de curto e médio prazo.

São Luís, 08 de maio de 2014