Cultura, organização popular e incidência política marcam plenária que fortalece a luta pela Resex Tauá-Mirim e convoca a cidade para o debate do zoneamento
A defesa da Resex Tauá-Mirim segue viva e organizada. Foto: Lanna Luz
Na manhã do dia 17 de janeiro de 2026, o Solar Cultural Maria Firmina dos Reis, em São Luís, foi espaço de encontro, mobilização e reafirmação de compromissos coletivos em defesa da Reserva Extrativista Tauá-Mirim. Realizada das 9h às 12h, sob coordenação de membros do Conselho Gestor da Resex Tauá-Mirim, a plenária reuniu moradores e moradoras, lideranças comunitárias, representantes de organizações e apoiadores da causa socioambiental da Ilha.
A programação teve início com as bênçãos iniciais, marcando o caráter simbólico e comunitário do encontro. Em seguida, a Companhia Juçara com Farinha realizou apresentação cultural, reforçando a conexão entre território, cultura popular e resistência.
O debate político da manhã foi estruturado em dois eixos centrais. O primeiro abordou as Audiências Públicas da Lei de Uso e Ocupação do Solo de São Luís, com participação de Ângela Medeiros. O momento foi fundamental para esclarecer os impactos da Lei de Zoneamento sobre territórios tradicionais, áreas de proteção ambiental e comunidades situadas na região da futura Resex Tauá-Mirim.
O segundo eixo tratou da atualização do processo de criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim, com Beto do Taim e Horácio Antunes, que apresentaram as últimas atividades realizadas, os encaminhamentos recentes e o funcionamento das comissões formadas no processo de mobilização.
Também houve espaço para esclarecimento de dúvidas e alinhamento de estratégias com foco na organização da participação popular nas Audiências Públicas da Lei de Zoneamento.
Compromisso público com a agenda das Audiências
A plenária reafirmou de forma clara o compromisso das comunidades e organizações presentes com a participação ativa nas Audiências Públicas da Lei de Uso e Ocupação do Solo de São Luís. O entendimento coletivo é de que o debate sobre o zoneamento urbano não pode ocorrer dissociado dos direitos territoriais das populações tradicionais nem do processo de criação da Resex Tauá-Mirim.
A mobilização para as audiências passa a ser prioridade das comissões e articuladores locais, garantindo presença qualificada, incidência política e defesa do território.
Mais do que um encontro informativo, a plenária se consolidou como espaço estratégico de articulação entre cultura, organização comunitária e incidência política, fortalecendo a luta pela criação da Reserva Extrativista Tauá-Mirim e pela construção de uma cidade que respeite seus territórios, sua biodiversidade e seus povos.
Cronograma das Audiências Públicas – Lei de Zoneamento 2026
22 de janeiro de 2026 18h às 22h Regional: João Paulo / Coroadinho Local: Complexo de Educação e Cidadania do Coroado (COMPEC)
24 de janeiro de 2026 14h às 18h Regional: Zona Rural / Quebra Pote Local: Casa Familiar Rural – Estrada do Quebra Pote, nº 1000, Santa Helena
27 de janeiro de 2026 18h às 22h Regional: Centro Local: Espaço Humberto de Maracanã – Trapiche
29 de janeiro de 2026 18h às 22h Regional: Calhau / Vinhais Local: U.E.B Jornalista Neiva Moreira – Av. 1, nº 310, Maranhão Novo
31 de janeiro de 2026 14h às 18h Regional: Zona Rural / Maracanã Local: U.E.B Mário Pereira – Rua do Fio, 1-9, Vila Sarney
03 de fevereiro de 2026 18h às 22h Regional: Turu / Cohab Local: Quadra Poliesportiva Antônio José da Silva Rocha – Cohab Anil I
05 de fevereiro de 2026 18h às 22h Regional: Itaqui Bacanga Local: Quadra Esportiva Coberta – Rua D, 19A, Anjo da Guarda
07 de fevereiro de 2026 14h às 18h Regional: Tirirical / São Raimundo Local: U.E.B Padre Antônio Vieira – Rua Cônego Ribamar Carvalho, Ipem São Cristóvão
Encontro neste sábado, 17 de janeiro, promove diálogo público sobre direitos territoriais, proteção ambiental e o cuidado com a cidade
Em Portinho, o diálogo segue vivo: Moradoras e moradores se reúnem para conversar sobre a Resex Tauá-Mirim, compartilhar saberes, tirar dúvidas e reafirmar o cuidado com o território, as águas e os manguezais que sustentam a vida na ilha. | Foto: Ana Mendes
Na porção sudoeste da Ilha de Upaon-Açu, em São Luís (MA), existe um território onde natureza e vida comunitária seguem profundamente conectadas. Manguezais que protegem a costa, rios e igarapés que alimentam a terra, áreas de floresta que garantem equilíbrio ambiental e sustentam modos de vida construídos ao longo de gerações. É nesse espaço que 12 comunidades tradicionais mantêm suas práticas de pesca artesanal, agricultura familiar e extrativismo vegetal.
Esse território é conhecido como Resex Tauá-Mirim – uma proposta de Reserva Extrativista que vem mobilizando comunidades, movimentos sociais e apoiadores em defesa da vida, da sociobiodiversidade e do direito ao território.
Com o objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade e contribuir para o esclarecimento de informações que circulam sobre o tema, será realizada a Plenária de Apoio à Oficialização da Resex Tauá-Mirim, um espaço público de formação, escuta e articulação social. O encontro acontece no dia 17 de janeiro de 2026 (sábado), das 9h às 12h, no Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis, no Centro Histórico de São Luís, reunindo lideranças comunitárias, especialistas, artistas e apoiadores da causa.
O que é, de fato, a Resex Tauá-Mirim?
A Reserva Extrativista é, muitas vezes, compreendida de forma distorcida. Diferente do que algumas leituras fazem supor, ela não é uma área criada para impedir o crescimento da cidade ou retirar comunidades de seus territórios. As Reservas Extrativistas são Unidades de Conservação de Uso Sustentável, previstas na Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
Na prática, esse modelo existe para garantir a permanência das comunidades tradicionais em seus territórios, proteger seus modos de vida e assegurar o cuidado com os ambientes naturais onde essas práticas acontecem. Pesca artesanal, agricultura familiar, coleta de frutos e extrativismo vegetal seguem permitidos e fortalecidos, pois são parte essencial da existência dessas comunidades e da história da ilha.
No Maranhão, esse caminho já foi trilhado em territórios como Cururupu, Quilombo Frechal, Ciriaco, Baía do Tubarão e Delta do Parnaíba, onde as Reservas Extrativistas contribuíram para proteger ecossistemas sensíveis e fortalecer a vida comunitária.
Resex e cidade: cuidar do território é cuidar de São Luís
Outro ponto central do debate é a relação entre a Resex Tauá-Mirim e o futuro de São Luís. Estudos técnicos e o próprio desenho do território proposto demonstram que a área da Reserva não incide sobre grandes empreendimentos industriais ou portuários.
Trata-se de uma região historicamente ocupada por comunidades tradicionais e que permanece ambientalmente preservada justamente por essa relação cotidiana de cuidado com a terra, as águas e os manguezais. Proteger esse território é estratégico para toda a cidade, especialmente pelo papel dos manguezais na proteção da costa, na reprodução de espécies marinhas e na manutenção dos aquíferos que abastecem a ilha.
Em um contexto de mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes, a Resex Tauá-Mirim se apresenta como uma escolha coletiva em favor da segurança da vida, da alimentação, da água e do equilíbrio ambiental de São Luís.
Um espaço de diálogo, cultura e mobilização
A Plenária de Apoio à Oficialização da Resex Tauá-Mirim foi pensada como um espaço educativo e participativo. A programação inclui momentos culturais, informes sobre o andamento do processo de criação da Reserva, debates sobre a Lei de Uso e Ocupação do Solo do município e a construção de estratégias coletivas de mobilização.
Mais do que um encontro pontual, a plenária busca fortalecer a articulação entre comunidades, sociedade civil e poder público, reafirmando que defender a Resex é defender um projeto de cidade que valoriza a vida, a memória e o cuidado com o território.
Como afirmava Dona Maria Máxima Pires, liderança histórica da luta pelo território, “a Resex Tauá-Mirim é para a ilha o que a Amazônia é para o planeta: o pulmão de São Luís”. A plenária convida a sociedade a conhecer, refletir e se posicionar em defesa desse território essencial para o presente e o futuro da capital.
Associação participou de minicurso e painel durante a 19ª edição do Simpósio de Comunicação da Região Tocantina, que debateu identidades, narrativas e resistências amazônicas
Comunicação como direito, cuidado e transformação. Registro coletivo após o minicurso “Comunicação na Amazônia: Ferramentas Digitais e Transformação Social”, realizado no SIMCOM, na UFMA Imperatriz.
Com o tema “Amazônia em comunicação: identidades, narrativas e resistências”, a 19ª edição do Simpósio de Comunicação da Região Tocantina (SIMCOM) foi realizada entre os dias 10 e 12 de dezembro, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz. A Justiça nos Trilhos (JnT) integrou a programação do evento em duas atividades, realizadas nos dias 10 e 11, reunindo estudantes, pesquisadores e comunicadores interessados em refletir sobre o papel da comunicação nos territórios amazônicos.
A participação teve um significado especial para a organização. A UFMA Imperatriz faz parte da trajetória formativa de duas integrantes da JnT: Larissa Santos, coordenadora política, e Lanna Luz, assessora de comunicação e educomunicadora que atua nos processos criativos desenvolvidos junto às comunidades acompanhadas ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC).
A primeira atividade aconteceu no dia 10 de dezembro, com a realização do minicurso “Comunicação na Amazônia: Ferramentas Digitais e Transformação Social”. Estruturado em dois momentos, o minicurso compartilhou aprendizados construídos a partir da atuação direta da Justiça nos Trilhos nos territórios amazônicos, apresentando a comunicação como direito, prática de cuidado e instrumento de transformação social.
No primeiro momento, Larissa Santos abordou o contexto amazônico a partir do lugar de onde se comunica, destacando conflitos socioambientais, violações de direitos e, ao mesmo tempo, as estratégias de resistência protagonizadas por povos e comunidades da região. A reflexão reforçou a defesa de uma comunicação comprometida com a cidadania, a participação social e o protagonismo territorial.
Na sequência, Lanna Luz apresentou práticas e ferramentas do jornalismo participativo, discutindo o uso crítico e criativo das tecnologias digitais em processos construídos de forma colaborativa. A troca com o público evidenciou como o digital pode fortalecer iniciativas comunicacionais quando nasce da escuta, do diálogo e da vinculação com as lutas comunitárias.
Da Amazônia maranhense para a sala de aula: compartilhando experiências construídas junto às comunidades ao longo da Estrada de Ferro Carajás (EFC).
Já no dia 11 de dezembro, a JnT, representada por Larissa Santos, integrou o painel “Comunicação e Território: Vozes Amazônicas em Movimento”, ao lado de Jéssica Santos, da Rede e Notícias da Amazônia, e Raimundo Quilombola, da Rádio e TV Quilombo. A mediação foi realizada pelo professor Domingos de Almeida, da UFMA. O debate destacou o papel estratégico das mídias comunitárias e populares na construção de narrativas próprias e na democratização da comunicação na Amazônia.
Diálogo sobre comunicação, território e resistência no painel “Comunicação e Território: Vozes Amazônicas em Movimento”, com comunicadores populares e pesquisadores da Amazônia, durante o SIMCOM.Troca de saberes, escuta e construção coletiva marcaram a participação da Justiça nos Trilhos no SIMCOM, fortalecendo pontes entre universidade, territórios e comunicação popular.
Ao longo das atividades, a organização reforçou que comunicar na Amazônia é também um ato político de proteção dos territórios e das pessoas que neles vivem. Fortalecer redes, construir caminhos coletivos e ampliar espaços de participação seguem como dimensões centrais de uma comunicação comprometida com a justiça socioambiental.
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