São João, Santa Maria, Pau Ferrado e 21 de Maio são comunidades do interior de Buriticupu-MA, afetadas pelas operações de duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), sob a responsabilidade da empresa Vale S.A. As obras de duplicação são motivos de repetidos protestos.Há menos de um mês, os moradores da Vila União (outro povoado de Buriticupu)…
São João, Santa Maria, Pau Ferrado e 21 de Maio são comunidades do interior de Buriticupu-MA, afetadas pelas operações de duplicação da Estrada de Ferro Carajás (EFC), sob a responsabilidade da empresa Vale S.A. As obras de duplicação são motivos de repetidos protestos.
Há menos de um mês, os moradores da Vila União (outro povoado de Buriticupu) ocuparam a estrada que dá acesso aos canteiros de obras da Vila Pindaré por um dia e meio. Eles protestaram contra a Vale por não terem sido cumpridas as promessas de geração de emprego no povoado. A empresa, assim como chegou na década de 80, quando foi iniciada a construção da estrada de ferro, prometeu vagas de trabalho para os residentes das comunidades que se localizam próximas aos canteiros de obras. Essas promessas não foram cumpridas há duas décadas e o mesmo acontece agora, com a duplicação da estrada.
Indignados com a situação, os moradores do interior de Buriticupu voltaram à estrada que leva ao canteiro de obras da Vale na Vila Pindaré e realizam mais uma manifestação. Dessa vez foi uma ocupação realizada pelas comunidades 21 de maio, São João, Santa Maria e Pau Ferrado.
As comunidades bloqueiam a estrada desde ontem (2) pela manhã. Por lá só passam os carros de linha, enquanto os carros da empresa e os ônibus que levam os funcionários diariamente do centro de Buriticupu até o canteiro de obras são impedidos de passar.
Essas comunidades também reivindicam vagas de trabalho no canteiro de obras, demonstrando decepção com a empresa, pelas promessas de emprego não cumpridas. De acordo com os moradores que participam da ocupação, o clima está tenso, as comunidades temem uma intervenção violenta para desobstruir a passagem, mas não querem abrir caminho até que um representante da empresa dialogue com os moradores e satisfaça suas expectativas.
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O Programa Carajás tem provocado, desde sua criação, inúmeros impactos sociais, econômicos, culturais e ambientais, transformando a realidade de vários municípios no Pará e no Maranhão e mobilizando milhares de pessoas na resistência e contestação à lógica do “desenvolvimento”.
Após 30 anos de mineração, siderurgia e projetos de “desenvolvimento regional”, implantados a partir do Programa Grande Carajás, faz-se necessária e urgente uma avaliação crítica dos processos desencadeados por esse grande investimento. Foi pensando nisso que integrantes de movimentos sociais, organizações não governamentais, universidades e pastorais sociais criaram o Seminário Internacional Carajás 30 anos.
Com a temática “resistências e mobilizações frente a projetos de desenvolvimento na Amazônia Oriental”, o Seminário Internacional “Carajás 30 anos” é um processo amplo, que conta com etapas preparatórias regionais. Em Imperatriz foi realizada a primeira etapa no período de 16 a 18 de outubro de 2013. As demais acontecem em Marabá – PA (14 a 16 de março de 2014), Santa Inês – MA (21 e 22 de março de 2014) e Belém – PA (10 a 12 de abril de 2014). As etapas preparatórias culminarão com a realização do Seminário Final em São Luís, que será realizado na Universidade Federal do Maranhão, no período de 05 a 09 de maio de 2014.
O evento contará com a participação de professores, pesquisadores, estudantes do ensino básico, superior e de pós-graduação, militantes sociais, lideranças comunitárias, assessores e especialistas na questão dos movimentos socioambientais da Amazônia, do Brasil e de outros países da América Latina e da África.
As inscrições de trabalhos já estão abertas e encerram no próximo dia 14 de fevereiro. Podem inscrever trabalhos nas modalidades comunicação oral, pôster e mesas redondas. As inscrições de participantes sem trabalhos ocorrem de primeiro de março a 25 de abril.
O evento é coordenado pela Cáritas Brasileira (regional Maranhão), Grupo de Estudos: desenvolvimento, modernidade e meio ambiente, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Fórum Carajás e Rede Justiça nos Trilhos.
A programação conta com mesas redondas, apresentações de trabalhos, lançamentos de livros, atividades culturais, colóquios internacionais e fóruns de debates.
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