Moradores da comunidade quilombola Jaibara dos Nogueiras, município de Itapecuru-Mirim ocupam a ferrovia Carajás em protesto pelo atropelamento do lavrador Raimundo Gama da Silva, de 55 anos. Os moradores querem que a empresa Vale apresente uma solução de travessia segura. Com este morador já são seis pessoas que perderam a vida na ferrovia.
Moradores da comunidade quilombola Jaibara dos Nogueiras, município de Itapecuru-Mirim ocupam a ferrovia Carajás em protesto pelo atropelamento do lavrador Raimundo Gama da Silva, de 55 anos. Os moradores querem que a empresa Vale apresente uma solução de travessia segura. Com este morador já são seis pessoas que perderam a vida na ferrovia.
Funcionários da empresa que faz a segurança da ferrovia passaram no local, mas não conversaram com os moradores. O prefeito do município também esteve lá tentando convencer os moradores a desocuparem a ferrovia. À tarde, um oficial de justiça acompanhado de seis policiais esteve no local com mandado de reintegração de posse. Os moradores não acataram.
Segundo nos foi relatado pela irmã Eulália Lima, missionária Cabriniana, que acompanha a comunidade, não há como passar nenhum trem, pois os trilhos foram serrados e as vicinais estão fechadas.
CONFLITO COM AS COMUNIDADES QUILOMBOLAS NÃO É RECENTE
Em 2011, o Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública em desfavor da Vale requerendo a suspensão do projeto de duplicação até que as comunidades quilombolas fossem ouvidas quanto aos impactos culturais e materiais do projeto.
Um ano depois, as comunidades fizeram um acordo com a Vale em que constava uma série de obrigações por parte da empresa e diversos atores. Entre as obrigações estava a construção de viadutos. Um dos viadutos deveria ser construído na comunidade Jaibara dos Noqueiras. Com prazo de entrega para fevereiro de 2015.
Até o momento a única coisa que fizeram foi a terraplenagem, as obras estão paradas. Os moradores atribuem à falta de travessia o atropelamento do morador. Não há sequer uma cancela que possa impedir a passagem dos moradores quando o trem está vindo.
Segundo informações, representantes da empresa ficaram de ir amanhã à comunidade.
Esse é quarto protesto registrado desde a última quinta-feira (21), na Estrada de Ferro Carajás, todos tem como principal reivindicação a falta de segurança na ferrovia.
Veja notícias sobre outros protestos:
Manifestantes bloqueiam estrada de ferro Carajás em Marabá, no Pará
Moradores de Santa Rita-MA interditam estrada de acesso à EFC
Desde as 02:00 hs da manhã de hoje, (22) cerca de 600 famílias de sete acampamentos de trabalhadores rurais sem terra, ocupam a estrada que dá acesso a área do Projeto S11D da Empresa Vale S.A no município de Canaã dos Carajás.
Desde as 02:00 hs da manhã de hoje, (22) cerca de 600 famílias de sete acampamentos de trabalhadores rurais sem terra, ocupam a estrada que dá acesso a área do Projeto S11D da Empresa Vale S.A no município de Canaã dos Carajás.
A ocupação foi motivada entre outras questões pelos recentes despejos de mais de 1500 famílias sem terra e sem teto de terras públicas no município.
Apenas na área rural foram mais de 100 hectares de roças com arroz, feijão, milho, mandioca, abóbora entre outros produtos agrícolas que foram destruídas pelos guardas de segurança da Vale quando do despejo das famílias do Acampamento Grotão do Mutum. Esse acampamento faz parte de um conjunto maior de áreas ocupadas por trabalhadores sem terra, que reivindicam terras concentradas pelas Vale desde os anos 2000. Desde então a Vale se tornou dona de grande parte das terras agricultáveis do município.
A ocupação permanece até que o INCRA e o Programa Terra Legal se posicionem sobre o levantamento das terras públicas adquiridas pela Vale, bem como, da indenização por parte da empresa dos prejuízos causados aos trabalhadores despejados.
Canaã dos Carajás, 22 de fevereiro de 2016.
Acampamento Grotão do Mutum Acampamento Planalto da Serra Dourada Acampamento União do Axixá Acampamento do Açaizal Acampamento Rio do Sossego Acampamento Alto da Serra
A rede Justiça nos Trilhos é uma rede de comunidades impactadas diretamente pelas atividades de mineração no Corredor Carajás (Imagem: arquivo)
A rede Justiça nos Trilhos lança nesta quarta-feira (18) edital para seleção de um pesquisador com formação na área de Ciências Sociais, Serviço Social, Direito ou afins. A remuneração bruta é de R$ 11 mil e o período da pesquisa será de fevereiro a maio de 2017 .
Entre as atribuições da função está a realização de pesquisa em campo e arquivos públicos, análise de documentos e produção de relatórios. É necessário também que o candidato tenha disponibilidade para viagens no Maranhão, inclusive aos finais de semana, além de experiência em trabalhos com comunidades .
A seleção ocorre em duas etapas eliminatórias. Na primeira, o candidato tem até o dia 28 de janeiro de 2017 para enviar seu currículo (lattes ou vitae) e um texto dissertativo, de no máximo duas laudas, com o tema “Qual o papel do pesquisador frente às violações de direitos humanos?”, para o endereço eletrônico imprensajnt@gmail.com. A última etapa é uma entrevista.
Baixe e leia o edital: edital pesquisador
Para mais informações: (98) 3303-2829 / 992344529 (Vivo) ou 988855741 (Oi)
Comentários