Justiça nos trilhos promove tiragem de título em comunidades do interior do Maranhão
5 de maio, 2022
Viver em uma era tecnológica não quer dizer que todas as comunidades têm acesso à informação, diz coordenador

Durante o período de 02 de abril à 04 de maio, a Justiça nos Trilhos (JnT), sob coordenação de Joércio Pires e João Paulo Alves, em parceria com outras seis entidades, realizou a tiragem e regularização de título de mais de 560  pessoas em oito municípios do maranhão, sendo eles: Itapecuru Mirim, Santa Rita, Açailândia, Buriticupu, Grajaú, Anajatuba, Porto Franco e São Roberto. 

A ação, que faz parte de um projeto de incidência nas eleições, tinha como objetivo realizar a tiragem do título de pessoas entre 16 e 18 anos do interior do estado e que, por algum motivo, seja a falta de acesso à internet ou comunicação, tinham dificuldades no processo. Para além dos jovens, o projeto também regularizou a situação daquelas pessoas que estavam irregulares na justiça eleitoral. Além dos dois coordenadores, o projeto contou com pelo menos 15 voluntários.

“A gente percebe a dificuldade que se tem quando a gente começa essas ações. Pessoas que de fato não sabiam nem que poderiam tirar o título pela internet. Vivemos na era digital, de 4g, 5g, e enfim, da comunicação, mas ao mesmo tempo, muitos territórios e comunidades não têm essa comunicação [acesso à tecnologia e internet. E às vezes, a comunicação que chega é cooptada por alguns grupos políticos que não levam essas informações para essas pessoas. Garantir isso é também uma forma de garantir direito a essas pessoas, principalmente dessas comunidades”, afirma Joércio.

Para um dos voluntários do projeto, Marcos Antônio, o título é um dos mecanismos que a população possui para fazer ecoar a sua voz, e o que pensa. Para ele, os jovens parecem estar mais dispostos a defender a liberdade, a democracia e a diversidade. “Só que tirar o título apenas não basta. Eu tô muito animado para retornar àquelas escolas e continuar conversando sobre vários temas com eles. Acho que essa conexão terceiro setor-escola não pode ser perdida. A gente tem que aproveitar o laço que foi construído nesse período”, complementa.

Depois dessa tiragem de títulos, o projeto visa voltar às comunidades para realizar uma formação política e construir diálogos com as bases, pensando propostas no formato de carta de compromisso para o grupo divulgar para os candidatos e garantir que de certa forma essas reivindicações sejam atendidas. Além das eleições, mudanças climáticas também será outro tema discutido nas formações.

O projeto contou com o suporte de entidades como a Associação da Nova Açailândia II (Acailândia), Pastoral da Juventude (Acailândia), CDJUV – Coletivo Desenvolvimento e Juventude (Açailândia e Porto Franco), Associação de Moradores do Bairro Novo Horizonte, UNICQUITA – (União das Comunidades Negras Rurais Quilombolas de Itapecuru Mirim) e GEDMMA (Grupo de Estudo em Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente). Além desse apoio, o suporte das escolas e seus gestores foram cruciais para o desenvolvimento dessas ações. São elas: CE Darcy Ribeiro (gestor Claudio Alves), CE Joviana Farias (gestor Bruno Serrot), CE Prof. Guilherme (gestor Elinaldo) e CE José Cesário (gestor Célio). Marcos ainda adiciona que a participação das professoras mulheres foi essencial para que o convite chegasse até os gestores das escolas.

Fotos: Arquivos da Justiça nos Trilhos