
Há alguns anos, um fotógrafo italiano, Giulio Di Meo, acompanha essas lutas e quis documenta-las através de um livro fotográfico que foi amplamente divulgado na Itália. O título é “Pig Iron”, quer dizer (em nossa tradução livre) “O ferro dos porcos”. Trata-se do nome oficial do ferro-gusa produzido pelas siderúrgicas em Piquiá, no município de Açailândia-MA. É a parte suja da produção, que descarrega seus impactos socioambientais sobre as costas de uma população desamparada pelo Poder Público.
Pig Iron apresenta cenas de vida cotidiana de Piquiá e de várias outras comunidades ao longo dos trilhos da Estrada de Ferro Carajás. Trata-se de uma narração da vida cotidiana, destacando rostos de esperança, revolta, compromisso, desencanto ou sonho.
O projeto Pig Iron foi pensado também para destinar uma parte dos lucros da venda dos livros fotográficos como doação para atividades de formação junto às mesmas comunidades atingidas. Foi assim que, ao longo desses anos, as fotografias tiveram seu retorno de apoio à luta das comunidades.
Através da criatividade e do empenho de um grupo teatral de jovens maranhenses, foi montada uma quadrilha junina e uma peça teatral de denúncia e reflexão sobre as violações provocadas pelo Projeto de mineração S11D, da Vale. A peça, com o título “Buraco: um panfleto profundo” foi apresentada em diversas comunidades ao longo da Estrada de Ferro Carajás e em eventos com grande participação popular, como o Seminário “Carajás 30 anos” e a XII Romaria da Terra e das Águas do Maranhão.
JnT acredita na arte como instrumento de conscientização e libertação. Em aliança com outros países, a visibilidade dos danos provocados pela mineração reforça a consciência comum sobre a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento neoextrativista. E a beleza da fotografia e do teatro renovam a esperança no potencial de comunidades que não se resignam à imposição desse modelo sobre seus estilos de vida, culturas e espiritualidades.
Foto: www.pigiron.it