A Vale derrubou 3 casas na sexta-feira, 26 de fevereiro, em Rio Acima, na região de Água Limpa, no entorno do Parque Nacional da Serra do Gandarela. Moradores informaram que foram utilizadas 2 máquinas e que a empresa não apresentou aos proprietários das casas demolidas quaisquer documentos ou autorização para essa grave violação.
A Vale derrubou 3 casas na sexta-feira, 26 de fevereiro, em Rio Acima, na região de Água Limpa, no entorno do Parque Nacional da Serra do Gandarela. Moradores informaram que foram utilizadas 2 máquinas e que a empresa não apresentou aos proprietários das casas demolidas quaisquer documentos ou autorização para essa grave violação.
Em uma das casas, as máquinas e funcionários da Vale, acompanhados de um policial, chegaram às 6 da manhã e nem deram tempo da família retirar seus pertences do lugar.
Veja o vídeo
Entenda o contexto
O Parque Nacional da Serra do Gandarela foi criado no dia 13/10/2014, deixando de fora dos limites a área pretendida pela Vale para a implantação da Mina Apolo, a partir de articulações “de bastidores” entre o Ministério do Meio Ambiente (Ministra Izabella, Secretário Executivo Francisco Gaetani e técnico Sérgio Brant), o Governo de Minas Gerais e aliados da empresa que nem respeitaram o processo técnico dentro do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Sabemos que a empresa já está providenciando os documentos para solicitar a autorização do ICMBio para seu projeto, que agora ficaria no entorno imediato da Unidade de Conservação, e está realizando estudos complementares para, assim, dar prosseguimento ao licenciamento do seu empreendimento na Serra do Gandarela, que seria a 2ª Carajás da Vale, conforme mencionaram quando do primeiro Estudo de Impacto Ambiental em 2009.
A Vale não desiste de minerar a Serra do Gandarela, fundamental pelas suas águas de qualidade para os municípios do entorno e para os rios das Velhas/São Francisco e Piracicaba/Rio Doce. Mesmo na atual situação de escassez de água, que coloca em sério risco o abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte, e após a tragédia de Mariana – que a Vale também é responsável – que impactou de forma violenta o Rio Doce, para o qual as águas límpidas que nascem na Serra do Gandarela são essenciais, a Vale insiste em seu projeto chamado Mina Apolo.
Como em todos os lugares onde a Vale atua, esta empresa viola direitos e impacta gravemente pessoas e o meio ambiente. NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ELA DESTRUA A SERRA DO GANDARELA.
Educador Popular segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
A rede Justiça nos Trilhos lança nesta segunda-feira (6) edital para seleção de um(a) educador(a) popular com formação superior na área de Ciências Sociais, Serviço Social, Pedagogia, Direito, Educação do Campo ou afins. A remuneração bruta é de R$ 3.300, com contrato de três anos.
Entre as atribuições do educador popular está a realização de trabalhos de campo. (Imagem: J.Borges)
Entre as atribuições da função está a realização de oficinas em comunidades ao longo do Corredor Carajás; trabalhos de campo, principalmente, em território maranhense; educação em direitos humanos, produção de relatórios, entre outras atividades. É necessário também que o candidato tenha disponibilidade para viagens no Maranhão, inclusive aos finais de semana, além de experiência em trabalhos com comunidades tradicionais.
A seleção ocorre em duas etapas eliminatórias. Na primeira, o candidato tem até o dia 24 de fevereiro de 2017 para enviar seu currículo (lattes ou vitae) e um texto dissertativo, com no máximo duas laudas, sob o tema “Qual o papel do educador popular frente as violações de direitos humanos?”, no endereço eletrônico editaleducadorjnt@gmail.com. A última etapa é uma entrevista.
“O pouco com Deus é muito” – comentavam alguns manifestantes na porta da Viena Siderúrgica S.A., Açailândia/MA, na primeira noite do protesto. Eram trabalhadores e moradores atingidos pela poluição, unidos em suas reivindicações.
Pouca era a consideração que as empresas até hoje davam para eles. Muita era a raiva, muitas foram as pessoas que se juntaram, grande é a força dessa aliança entre a causa trabalhista e a sócio-ambiental, ambas em defesa de uma vida digna.
Às empresas siderúrgicas e à Vale S.A., protagonista do Programa Grande Carajás, poderia se atribuir nesses mais de vinte anos a responsabilidade direta pelo desmatamento, pelo estímulo ao trabalho escravo, pela poluição do ar, do solo e da água, pela exploração dos trabalhadores metalúrgicos, pela concentração de terras e pela aniquilação das formas de subsistência de muitas famílias camponesas da região. Ainda hoje muito dessa violência, efeito colateral do progresso e da ganância, acontece à luz do dia.
O povoado de Piquiá de Baixo é um exemplo evidente das contradições do desenvolvimento: mais de trezentas famílias cercadas e afetadas por empreendimentos altamente poluidores, ainda sem nenhum filtro ou tecnologias para minimizar o impacto ao meio-ambiente e à saúde.
Os empregados da Viena Siderúrgica S.A. são outras vítimas: desde a crise de 2008, quem vem pagando (com desemprego, redução de salário ou turnos pesados e prolongados) são os trabalhadores. Enquanto isso, em outubro de 2010 a Viena siderúrgica esbanjava dividendos, tendo anunciado publicamente a distribuição a seus acionistas de mais de 7 milhões de reais, com base nos lucros acumulados em 2009!
O lucro é de poucos, o prejuízo fica para muitos!
Trabalhadores e moradores há vários meses esperavam por respostas das empresas que nunca vinham, mesmo com a intervenção do Ministério Público e de outros órgãos. Não restou alternativa senão valer-se de seu direito de greve e de manifestação pacífica e organizada.
O levante popular, iniciado na madrugada de segunda-feira, 14 de fevereiro, prosseguiu ao longo de 42 horas. Pouco a pouco, o grupo inicial de algumas dezenas de pessoas foi se transformando em uma pequena multidão.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, a empresa, por sua vez, aterrorizava e seqüestrava trabalhadores dispostos a aderir à greve, impedindo-os de descer dos ônibus, ao mesmo tempo em que supervisores eram vistos entrando e saindo da empresa em carros de passeio em busca de trabalhadores em folga ou ainda oriundos de outros setores da indústria, como o da construção civil. Para as empresas, tudo parece ser aceitável, desde que não cause a interrupção da produção e do fluxo de capital e/ou não macule a sua imagem perante a opinião pública.
A intransigência do SIFEMA (Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa do Maranhão) e da diretoria da Viena em dar atenção aos manifestantes obrigou-os a intensificar o protesto com o uso de barricadas, queima de pneus e bloqueio da estrada de acesso à empresa, pondo em risco a regularidade da produção e chamando a atenção imediata dos veículos de comunicação.
A negociação, portanto, foi convocada rapidamente para a tarde da terça-feira, 15 de fevereiro, com representantes do SIFEMA, Viena e Gusa Nordeste. Apesar das tentativas das empresas em dividi-los, os trabalhadores e moradores de Piquiá de Baixo permaneceram unidos e, ao final, conseguiram o que pleiteavam: retorno da escala de trabalho em 8 horas, retorno da cesta básica mensal, garantia de estabilidade no emprego aos trabalhadores que aderiram à greve e confirmação de aporte de recursos do SIFEMA para a compra do terreno para o reassentamento do povoado de Piquiá de Baixo.
O pouco com Deus é muito, mas ainda não suficiente: trabalhadores e moradores merecem garantias permanentes de trabalho digno, saúde, respeito ao meio ambiente com o controle das emissões poluentes e de tantos outros direitos ainda cotidianamente violados por essas empresas. A luta do povo de Açailândia continua!
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