Investigação descobre madeira nativa em pátio da Vale

Investigação descobre madeira nativa em pátio da Vale

Crime ambiental segunda-feira, 7 de maio de 2018

Fonte: O Globo
Por Patrik Camporez

Peças estavam descritas como eucalipto em notas fiscais; material estava preparado para uso em trilhos ferroviários

Toras de madeira da Amazônia apreendidas pelo Ibama estavam estocadas pela Vale para uso em ferrovia – Divulgação

BRASÍLIA – Uma investigação do Ibama descobriu e apreendeu madeiras nativas da Amazônia que seriam utilizadas de forma ilegal na construção de trilhos para ferrovia da empresa Vale. Um total de 14.233 dormentes de madeira estavam descritos em notas fiscais como sendo peças de eucalipto, quando na verdade eram madeiras nativas da floresta.

Os dormentes são peças colocadas transversalmente à via férrea e sobre os quais passam os carris ou trilhos. Todo o material foi apreendido durante uma inspeção do órgão em um pátio da Estrada de Ferro Carajás, em Açailândia, no Maranhão.

Segundo o Ibama, a empresa foi multada no valor de R$ 4,3 milhões por manter em depósito a madeira nativa sem licença válida. A Vale, porém, nega que isso tenha acontecido.

“A Vale informa que não foi multada pelo IBAMA, e que somente adquire produto florestal processado. A empresa já acionou a fornecedora dos dormentes, para que preste os esclarecimentos e apresente toda documentação necessária para atendimento a notificação do órgão ambiental”.

O GLOBO teve acesso às informações da vistoria realizada no pátio da empresa, no dia 20 de abril, que resultou na apreensão. Os agentes imediatamente, após adentrarem o pátio da empresa, suspeitaram que as travessas de madeira estocadas no local não estivessem em conformidade com as informações das notas fiscais.

Trinta e oito amostras identificadas e lacradas na presença de representantes do estabelecimento foram encaminhadas para identificação anatômica pelo Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

O lote de madeira, negociado como eucalipto, continha espécies nativas da Amazônia como “Roxinho” (Peltogynes sp), “Jatobá” (Hymenaea sp) e “Cedrinho” (Erisma sp).

“Essa investigação expôs mais um método de esquentamento de madeira nativa com notas fiscais fraudulentas. Os produtos adquiridos são identificados como espécie exótica (eucalipto) e assim ficam dispensados de usar o sistema DOF (programa do Ibama que controla a origem e autoriza o transporte da madeira). Empreendimentos semelhantes em outros estados serão inspecionados”, disse, por meio de nota, o coordenador-geral de Fiscalização do Ibama, Renê Oliveira.

O Ibama investiga os fornecedores e o local de extração da madeira nativa identificada durante as ações de fiscalização. Os resultados serão encaminhados ao Ministério Público do Estado para a apuração de responsabilidade na área criminal.

Comunidades quilombolas e MPE/MA discutem atuação do COMEFC – Jornal Amazônia é Notícia – RNA

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Matéria da Justiça nos Trilhos veiculada no Jornal Amazônia é Notícia, da Rede de Notícias da Amazônia, no dia 21 de junho de 2017. Trata sobre a audiência pública de comunidades  quilombolas de Santa Rosa dos Pretos com o Ministério Público do Maranhão sobre a atuação do COMEFC.

https://justicanostrilhos.org/wp-content/uploads/2017/06/Matéria-JnT-na-RNA.mp3

Trabalhadores (as) reagem com produção

Trabalhadores (as) reagem com produção

Canaã dos Carajás terça-feira, 7 de março de 2017

Acampados montaram feira livre em uma praça da cidade de Canaã dos Carajás. (Fotos: CEPASP)

Diante da desestruturação que a Vale vem fazendo no município de Canaã dos Carajás, com apropriação do território, desmonte da produção agropecuária e agora com agressões físicas com derramamento de sangue, trabalhadores e trabalhadoras acampadas em terras concentradas pela empresa mostram o que é a função social da terra.

Neste sábado(04), mais de trinta famílias acampadas montaram uma feira livre em uma praça da cidade de Canaã dos Carajás, para comercializar produtos agrícolas e derivados a preço muito abaixo do que estava sendo cobrado por feirantes em uma feira coberta a pouco menos de duzentos metros daquele local.

Dos inúmeros produtos ali comercializados destacamos alguns: frango, galinha, milho verde, feijão, abóbora, macaxeira, banana, cajá, quiabo, pimentas, jiló, vinagreira, suco de cajá, mingau de milho, bolo, pamonha e espetinho de porco criado nos acampamentos.

Os preços foram bem favorável para compradores que pessoas compravam de saco inteiro de milho  e ao meio dia poucos produtos restavam. Como falou um comprador: “é isso que o prefeito deve incentivar por que é bom pra todos, os que produz e os que vende, os acampados tão certos”.

A feira foi animada ao som do teclado e voz de “bodinho”, acampado, e som e voz também de Adélio, filho de uma família assentada no PA Carajás II, em 1985, e também acampado.

Como tudo ocorreu em clima favorável as famílias já pensam em outros dias de feira, como relata uma acampada: “foi muito bom, todo mundo participou, contribuiu para a feira acontecer, agora é continuar, na próxima vai vir muito mais gente com produtos, porque muita gente ainda tinha dúvida se ia ser bom”.

Canaã dos Carajás, 04 de março de 2017.

Raimundo Gomes da Cruz Neto

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