Mineração invade projetos de assentamento em ourilandia do norte, no sul do Pará

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A Comissão Pastoral da Terra, os Sindicatos de Trabalhadores Rurais de Ourilândia do Norte e Tucumã, Associações dos Projetos de Assentamento Campos Altos e Tucumã, entraram com uma Representação no Ministério Público Federal de Marabá contra a Vale, empresa que adquiriu os direitos minerários da Inco.As denuncias versam sobre uma serie de ilegalidades cometidas pela Empresa Mineradora, desde que se instalou no Município de Ourilândia do Norte e São Felix do Xingu, especificamente nos Projetos de Assentamento Campos Altos e Tucumã no ano de 2003, envolvendo aproximadamente 3.000 famílias.Dentre tais condutas ilegais, destacam-se: a) a aquisição de posses afetadas à Reforma Agrária, sem a devida autorização; c) danos ambientais, como a poluição de grotas e igarapés, com a conseqüente intoxicação e morte de animais; c) a construção irregular de barragens de contenção de rejeitos; d) o desvio de cursos d’água; e) a demolição de benfeitorias construídas com recurso público federal, dentre outras.As conseqüências das irregularidades cometidas pela empresa são de grandes proporções.

 Muitos assentados foram convencidos a vender suas benfeitorias para a mesma e desistir do Programa de Reforma Agrária.

 Outro problema são as constantes explosões. Os lavradores que moram mais próximo da base da Mineradora, já não conseguem dormir à noite por causa do barulho provocado pelas maquinas, escavações e explosões. Há inclusive casas que apresentam rachaduras. Tudo indica que tais fendas são provocadas pelas explosões de dinamite feitas pela Empresa. Além disso, há tremores de terra e nem as galinhas conseguem mais se reproduzir, pois os ovos estragam-se, não gerando mais embriões;

 Em um futuro muito próximo até o carro leiteiro poderá deixar de entrar no Assentamento e os lavradores já não terão mais como vender sua produção de leite, gerando um grande prejuízo para os assentados e para a economia do Município, pois antes o Assentamento fornecia cerca de 15.000 litros de leite por dia para o Laticínio da região e hoje não chega a fornecer nem 5.000 litros.

 Com o grande decréscimo no numero de moradores nos Projetos de Assentamento Campos Altos, Tucumã e Santa Rita, houve o fechamento de duas escolas, obrigando os alunos remanescentes a percorrer enorme distancia até chegar a outro estabelecimento de ensino, majorando as despesas com transporte (que fica por conta dos pais) e expondo ao risco a vida dos estudantes, visto que depois da chegada da Mineradora o trafego de veículos pelas vicinais aumentou muito e em alta velocidade, já tendo acontecido diversos acidentes automobilísticos.

 Destruição das pontes das Vicinais, por causa do trafego de tratores e máquinas pesadas. Além disso, foi desativada uma linha de ônibus que trafegava por uma Vicinal, devido a queda do numero de passageiros.

 A falta de segurança dos assentados. Antes, era possível transitar pelos Projetos de Assentamentos tranqüilamente, mas agora, com a presença dos funcionários da Empresa, constantemente embriagados, tornou-se perigoso. Fala-se que o bar da Vila Aldeia chega a vender 200 litros de cachaça (por dia) e há freqüentes brigas nos estabelecimentos do gênero. Além do mais já se tem noticia até de tentativa de estupro de uma moradora do Assentamento Campos Altos. As pessoas têm medo quando seus filhos vão à escola sozinhos e também sentem receio de deixar mulheres e crianças em casa, sem acompanhante.

Além disso, a atividade de mineração tem sido a principal responsável pelo crescente numero de pessoas que chegam diariamente no Município de Ourilândia do Norte, em busca de emprego. Isso tem aumentado a violência urbana e rural e multiplicado os acidentes de transito.Xinguara-PA, 16 de abril de 2008.COMISSÃO PASTORAL DA TERRASINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE OURILANDIA DO NORTESINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE TUCUMÃASSOCIAÇÃO DOS PEQUENOS PRODUTORES RURAIS DA COLONIA BOM JESUS – ASCOBOJEASSOCIAÇÃO DE PEQUENOS PRODUTORES RURAIS DA COLONIA CAMPOS NOSSOS

ASSOCIAÇÃO DOS LAVRADORES DA COLONIA SANTA RITA

Movimento Quilombola do Maranhão realiza coletiva de imprensa

Movimento Quilombola do Maranhão realiza coletiva de imprensa

Quilombolas de Itapecuru, adjacências e Movimento Quilombola do Maranhão (MOQUIBOM), convocam uma coletiva de imprensa para expor os motivos da desocupação da ferrovia e apresentar a resposta do governo federal à pauta do movimento quilombola no Maranhão.

No dia 23 de setembro cerca de trezentos quilombolas da região do Vale do Itapecuru e Baixada Maranhense, representados pelo Moquibom (Movimento Quilombola do Maranhão), acamparam na ferrovia Carajás, km 81, no território Santa Rosa dos Pretos para exigir do governo federal celeridade na regularização fundiária dos territórios quilombolas do Maranhão.

A lentidão na regularização ao longo dos anos tem acentuado os conflitos nos territórios: invasão por grandes projetos de desenvolvimento, a exemplo da duplicação da ferrovia Carajás e projetos de monocultivo, ameaças e assassinatos de lideranças, expulsão de comunidades, cerceamento do modo de vida. De acordo com dados da CPT, atualmente mais de vinte lideranças quilombolas estão ameaçadas no Maranhão.

No último dia 27 do mês de setembro, após vários dias de tensão e tensionamento, uma comitiva interministerial formada por representantes da Secretaria da Presidência da República, Incra, Fundação Cultural Palmares e Secretaria de Promoção da Igualdade Racial foram à Itapecuru, ao local do acampamento, onde se iniciaram as negociações para tratar da pauta quilombola no Maranhão.
A coletiva tem como objetivo expor os motivos da desocupação da ferrovia e apresentar a resposta do governo federal à pauta do movimento quilombola no Maranhão.

Informações:
O quê? Coletiva de Imprensa sobre desocupação da ferrovia Carajás e apresentação da proposta governamental à pauta do movimento
Quando? Dia 02 de outubro, quinta, às 10 horas
Onde? Comissão Pastoral da Terra – CPT, rua do Sol, 457 – Centro – São Luís – MA

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Manifesto de apoio da Plataforma de Direitos Humanos

A Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil é uma rede que reúne 40 organizações da sociedade civil e desenvolve ações de promoção e defesa dos direitos humanos, bem como na reparação de violações de direitos.

Entre as estratégias de atuação desenvolvidas pela Plataforma estão as Relatorias em Direitos Humanos, cujo desafio é diagnosticar, relatar e recomendar soluções para violações denunciadas pela sociedade civil. Neste sentido, a Relatoria do Direito Humano ao Meio Ambiente realizou uma missão em março de 2013 com o objetivo de investigar denúncias de violações decorrentes das atividades de mineração da empresa Vale S.A. e outras empresas relacionadas ao complexo siderúrgico na região do corredor de Carajás (Pará e Maranhão). Na ocasião, a Relatoria visitou o Quilombo de Santa Rosa dos Pretos, no município de Itapecuru-Mirim, no Maranhão.

Na última semana, mulheres e homens quilombolas da comunidade de Santa Rosa dos Pretos e de mais outras trinta comunidades ocuparam a Estrada de Ferro Carajás por cinco dias para protestar contra a demora do governo federal em garantir a titulação de suas terras e exigir uma consulta prévia diante da duplicação da ferrovia, que está sendo realizada pela Vale.

Diante disso, a Plataforma de Direitos Humanos se solidariza com a luta das comunidades quilombolas do Maranhão na defesa de seu território e recomenda ao poder público que as negociações iniciadas com a ocupação da ferrovia possibilitem o atendimento de suas reivindicações, a proteção de suas lideranças criminalizadas e a efetividade de seus direitos reconhecidos na Constituição Federal e na Convenção 169 da OIT.

Na defesa das comunidades quilombolas, nenhum direito a menos!

Curitiba, 30 de setembro de 2014. Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil

Foto: Marcelo Cruz

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