
Uniram-se à manifestação representantes de movimentos sociais, sindicatos e moradores de comunidades impactadas por empreendimentos industriais, que protestavam contra grandes corporações internacionais.
Apesar de as críticas arranharem a imagem da Vale e fortalecerem suas concorrentes diretas, para os manifestantes, o protesto mostra que, no Brasil, existem movimentos sociais que não concordam com o modelo de produção que, segundo eles, está errado.
Partindo da Cúpula dos Povos, que acontece no Aterro do Flamengo, os manifestantes caminharam até a esquina da Avenida Graça Aranha com a Rua Santa Luzia, onde se localiza o edifício da Vale. Segundo os organizadores, mais de duas mil pessoas participaram da manifestação.
‘Insustentabilidade’
De acordo com o Padre Dário Bossi, de Açailândia, no Maranhão, o objetivo do protesto é mostrar que o desenvolvimento promovido pela Vale não é sustentável, viola os direitos humanos e comete graves crimes ambientais. Bossi informou que os manifestantes tentariam entregar o ‘Relatório de Insustentabilidade da Vale 2012’, que rebate o relatório anual feito pela mineradora sobre suas ações sustentáveis ao redor do mundo.
“Realizamos um documento que desmascara as sombras que a Vale omitiu, a partir de testemunhas e dados científicos”, disse Bossi.
A integrante do Movimento pelas Serras de Minas, Maria Teresa Corujo, disse que a Articulação surgiu em 2007, no Forum Social Mundial, em Belém, por conta de uma série de denúncias que envolviam a companhia. Segundo ela, trata-se de um ato político de questionamento. Ela citou a questão da Serra da Gandarela, próxima a Belo Horizonte, onde, de acordo com a ativista, a Vale luta para evitar que a região se torne um parque natural e, consequentemente, não possa ser explorada pela mineradora.

“A Vale precisa respeitar que, em alguns espaços, ela não pode minerar. E isso ela não faz”, disse Corujo. “Se isso [o protesto] estiver fazendo com que essas empresas, nessa coisa de concorrência, fiquem felizes porque a Vale está sendo detonada (sic), sendo que vão querer vir para o nosso mercado, elas ficam sabendo que a gente não vai aceitar. Vamos queimar a imagem delas também”.
O ativista moçambicano Jeremias Vunjanhe, que foi deportado do território nacional quando tentou embarcar em São Paulo para a Rio+20, na terça-feira (12), participou da manifestação e criticou duramente os projetos da Vale em Moçambique e na África.
Segundo ele, a mineradora ‘avança’ no território moçambicano e já domina todo o centro-oeste do país. Ele reporta que, na província de Tete, 1.365 famílias foram desalojadas de suas casas pela Vale para a extração de carvão em uma mina, em Moatize. Ainda de acordo com Jeremias, a companhia, que prometeu melhoria nas condições de vida dos moradores reassentados, não cumpriu sua parte no acordo.
“Essas famílias estão sem condições dignas de sobrevivência, sem segurança e sem acesso à saúde e à educação”, protestou o ativista. “Vim aqui para denunciar essas grandes multinacionais e chamar a atenção para a situação em Moçambique”, relatou.
Procurada pela equipe de reportagem do Jornal do Brasil, a Vale não retornou as ligações.
Fonte: Jornal do Brasil, 19 de junho de 2012, por Luciano Padua