Encontro neste sábado, 17 de janeiro, promove diálogo público sobre direitos territoriais, proteção ambiental e o cuidado com a cidade

Na porção sudoeste da Ilha de Upaon-Açu, em São Luís (MA), existe um território onde natureza e vida comunitária seguem profundamente conectadas. Manguezais que protegem a costa, rios e igarapés que alimentam a terra, áreas de floresta que garantem equilíbrio ambiental e sustentam modos de vida construídos ao longo de gerações. É nesse espaço que 12 comunidades tradicionais mantêm suas práticas de pesca artesanal, agricultura familiar e extrativismo vegetal.
Esse território é conhecido como Resex Tauá-Mirim – uma proposta de Reserva Extrativista que vem mobilizando comunidades, movimentos sociais e apoiadores em defesa da vida, da sociobiodiversidade e do direito ao território.
Com o objetivo de ampliar o diálogo com a sociedade e contribuir para o esclarecimento de informações que circulam sobre o tema, será realizada a Plenária de Apoio à Oficialização da Resex Tauá-Mirim, um espaço público de formação, escuta e articulação social. O encontro acontece no dia 17 de janeiro de 2026 (sábado), das 9h às 12h, no Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis, no Centro Histórico de São Luís, reunindo lideranças comunitárias, especialistas, artistas e apoiadores da causa.
O que é, de fato, a Resex Tauá-Mirim?
A Reserva Extrativista é, muitas vezes, compreendida de forma distorcida. Diferente do que algumas leituras fazem supor, ela não é uma área criada para impedir o crescimento da cidade ou retirar comunidades de seus territórios. As Reservas Extrativistas são Unidades de Conservação de Uso Sustentável, previstas na Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
Na prática, esse modelo existe para garantir a permanência das comunidades tradicionais em seus territórios, proteger seus modos de vida e assegurar o cuidado com os ambientes naturais onde essas práticas acontecem. Pesca artesanal, agricultura familiar, coleta de frutos e extrativismo vegetal seguem permitidos e fortalecidos, pois são parte essencial da existência dessas comunidades e da história da ilha.
No Maranhão, esse caminho já foi trilhado em territórios como Cururupu, Quilombo Frechal, Ciriaco, Baía do Tubarão e Delta do Parnaíba, onde as Reservas Extrativistas contribuíram para proteger ecossistemas sensíveis e fortalecer a vida comunitária.
Resex e cidade: cuidar do território é cuidar de São Luís
Outro ponto central do debate é a relação entre a Resex Tauá-Mirim e o futuro de São Luís. Estudos técnicos e o próprio desenho do território proposto demonstram que a área da Reserva não incide sobre grandes empreendimentos industriais ou portuários.
Trata-se de uma região historicamente ocupada por comunidades tradicionais e que permanece ambientalmente preservada justamente por essa relação cotidiana de cuidado com a terra, as águas e os manguezais. Proteger esse território é estratégico para toda a cidade, especialmente pelo papel dos manguezais na proteção da costa, na reprodução de espécies marinhas e na manutenção dos aquíferos que abastecem a ilha.
Em um contexto de mudanças climáticas e eventos extremos cada vez mais frequentes, a Resex Tauá-Mirim se apresenta como uma escolha coletiva em favor da segurança da vida, da alimentação, da água e do equilíbrio ambiental de São Luís.
Um espaço de diálogo, cultura e mobilização
A Plenária de Apoio à Oficialização da Resex Tauá-Mirim foi pensada como um espaço educativo e participativo. A programação inclui momentos culturais, informes sobre o andamento do processo de criação da Reserva, debates sobre a Lei de Uso e Ocupação do Solo do município e a construção de estratégias coletivas de mobilização.
Mais do que um encontro pontual, a plenária busca fortalecer a articulação entre comunidades, sociedade civil e poder público, reafirmando que defender a Resex é defender um projeto de cidade que valoriza a vida, a memória e o cuidado com o território.
Como afirmava Dona Maria Máxima Pires, liderança histórica da luta pelo território, “a Resex Tauá-Mirim é para a ilha o que a Amazônia é para o planeta: o pulmão de São Luís”. A plenária convida a sociedade a conhecer, refletir e se posicionar em defesa desse território essencial para o presente e o futuro da capital.