Impactos do Programa Grande Carajás é tema de exposição na Itália

Impactos do Programa Grande Carajás é tema de exposição na Itália

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Começou a ser apresentada, na última semana, em Milano, Itália, uma exposição fotográfica sobre os impactos do Programa Grande Carajás. Milano é conhecida como a maior capital industrial italiana, por isso é estratégica para a demonstração, por meio de fotos, da realidade da população que é afetada pelos grandes projetos de ‘desenvolvimento’ no corredor de Carajás…


08-3-8457292Começou a ser apresentada, na última semana, em Milano, Itália, uma exposição fotográfica sobre os impactos do Programa Grande Carajás. Milano é conhecida como a maior capital industrial italiana, por isso é estratégica para a demonstração, por meio de fotos, da realidade da população que é afetada pelos grandes projetos de ‘desenvolvimento’ no corredor de Carajás. A exposição é de autoria de Marcelo Cruz, fotógrafo da Rede Justiça nos Trilhos e estará aberta ao público até o dia 20 de abril em no centro da cidade.

A cerimônia de inauguração foi conduzida pelo leigo Missionário Comboniano, Federico Veronesi, que apresentou ao público a situação das mais de cem comunidades impactadas pelos empreendimentos do Programa Grande Carajás e, atualmente, pelos projetos de duplicação do sistema mina-ferrovia-porto que a empresa Vale S.A. utiliza para escoar o minério de ferro para o exterior.

Uma das comunidades que está representada na exposição é Piquiá de Baixo, distrito industrial de Açailândia, que tem cerca de 350 famílias, que há mais de duas décadas sofrem com a poluição provocada por cinco siderúrgicas ligadas a Vale. A exposição já foi apresentada nas principais cidades italianas, como Taranto, Padova, Verona e Bologna.

Em Taranto, a Vale é conhecida como principal fornecedora de minério de ferro para a maior siderúrgica da Europa, a empresa ILVA, contestada pelos moradores daquela cidade pela poluição provocada pelos altos fornos. Piquiá de Baixo e Taranto já manifestaram solidariedade recíproca na articulação em defesa dos direitos sócioambientais e por condições dignas de vida, com saúde e trabalho de qualidade.

O Fotógrafo Marcelo Cruz explica que as fotografias expostas em Milano revelam o cotidiano de comunidades que são cortadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), nos estado do Pará e Maranhão. “É o Programa Grande Carajás visto a partir das perspectivas de homens, mulheres e crianças que tem ao lado de suas casas os trilhos de 892 km, por onde passa o maior trem de minério de mundo”, completa.

Cruz explica que além dos impactos, as lentes do fotógrafo revelam a resistência e a força do povo por moradia e saúde. “Essas fotografias, são mais que apenas imagens, elas trazem um debate intenso de nível internacional sobre as atividades da extração de minério, que é levado para o exterior deixando para as comunidades, apenas os impactos sociais e ambientais”.

Documentário – Piquiá – Santa Cruz – Taranto

Outro trabalho importante de Marcelo Cruz em parceria com o leigo Missionário Comboniano, Marco Ratti e a Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale é um documentário que faz comparações entre os impactos e resistências em três das localidades mais poluídas por empreendimentos siderúrgicos: Piquiá de Baixo no Maranhão, Santa Cruz no Rio de Janeiro e Taranto na Itália.

O filme vai ser lançado nesse mês de abril e será mais uma ferramenta de denúncia contra a violação dos direitos das pessoas que vivem nessas comunidades, apresentada no Seminário Internacional “Carajás 30 anos, resistências e mobilizações frente a grandes projetos na Amazônia Oriental”, realizado em São Luís entre os dias 04 e 09 de maio de 2014.

Por Domingos de Almeida

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Vale paga R$ 121 mi a ex-diretores

sexta-feira, 23 de março de 2012

prosperidade-3208535A saída de cinco diretores da Vale, entre eles o ex-presidente Roger Agnelli, está custando R$ 121 milhões à companhia como indenização pela não renovação dos contratos, segundo documentação divulgada pela empresa. Do total, R$ 98 milhões foram pagos no ano passado – o restante ficou para este ano.

Em 2009 e 2010 a mineradora também pagou rescisões contratuais de diretores, mas os valores foram menores: R$ 3,5 milhões. Os R$ 98 milhões representam quase metade dos R$ 201 milhões que a Vale contabilizou como despesas para remuneração de diretores e conselheiros no balanço de 2011. Em 2010, o gasto total foi de R$ 97 milhões. Consultada, a Vale preferiu não comentar o assunto. 

A dança das cadeiras na diretoria da Vale no ano passado não saiu barato para a companhia. Entre 2011 e 2012, a mineradora vai pagar um total de R$ 121 milhões ao ex-presidente Roger Agnelli e a quatro diretores estatutários que deixaram a empresa no ano passado. 

As informações constam de um documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que não detalha de que forma foi repartido o dinheiro. Procurada, a Vale preferiu não comentar. 

São cinco pessoas no total, mas a documentação pública divulgada pela empresa indica que a saída de Agnelli explica a maior parte do pagamento. 

Em 2009 e 2010, por exemplo, a Vale havia pago rescisões contratuais de diretores, mas os valores ficaram em R$ 3 milhões e R$ 3,5 milhões, respectivamente. 

Agnelli e a ex-diretora de recursos humanos Carla Grasso deixaram a companhia em maio de 2011, quando o novo presidente Murilo Ferreira assumiu. Outros três diretores, Mário Barbosa, Eduardo Ledsham e Guilherme Cavalcanti, foram substituídos no fim de novembro. 

Dos R$ 121 milhões, R$ 98 milhões foram pagos no ano passado, sobrando ainda uma diferença de R$ 23 milhões para 2012. 

O montante de R$ 98 milhões representou quase metade do total de R$ 201 milhões que a Vale contabilizou como despesa com pagamento de remuneração a diretores e conselheiros no balanço de 2011. Em 2010, o gasto total havia sido de R$ 97 milhões. 

Além das rescisões, os R$ 201 milhões incluem salário fixo, benefícios, encargos sociais, bônus e pagamento baseado em ações. 

Segundo um especialista em remuneração ouvido pelo Valor sob condição de anonimato, os valores impressionam, mas fazem algum sentido se for levado em consideração os pagamentos acumulados que podem ter sido feitos. 

É comum, diz ele, que haja indenizações por desligamentos sem justa causa, ou que não tenham ligação com o desempenho do executivo. 

Agnelli teve atritos como o governo federal, que tem participação no bloco de controle da companhia, principalmente depois das demissões feitas durante a crise de 2008. 

Os contratos da empresa com os diretores estatutários “contêm uma cláusula de indenização para os casos de rescisão ou não renovação do contrato, desde que estes eventos ocorram por iniciativa da companhia”. 

Essa indenização é de dois anos de salário fixo anual para o diretor presidente e de um ano de salário fixo para diretores. O pagamento é feito em quatro parcelas trimestrais e condicionado a uma “quarentena” de 12 meses, em que o executivo não pode trabalhar na concorrência.

Outro ponto que justifica esse valor é a remuneração baseada em ações. 

Conforme as regras dos dois planos que a mineradora usa nesse tipo de pagamento, “em caso de rescisão ou não renovação do contrato por parte da companhia, o participante recebe os valores a que já tenha adquirido direito à época da rescisão ou término do contrato”. 

Um desses planos é chamado de “Incentivo de Longo Prazo”. No caso do presidente, ele equivale a 125% do bônus anual. Para os demais diretores, a 75%. 

Na prática, é um bônus adicional indexado ao valor das ações da companhia, que só pode ser resgatado em dinheiro após três anos. 

O outro plano baseado em ações é chamado de “Matching”. Os executivos podem usar diferentes parcelas do seu bônus anuais para comprar ações preferenciais da Vale. Quando determinadas condições são cumpridas, após três anos a companhia iguala, em dinheiro, o valor detido em ações pelo executivo.

Fonte: Valor Econômico – 22/03/2012, por Fernando Torres 

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Canaã dos Carajás sobreviverá?

Às vésperas de receber o maior projeto de exploração de minério do mundo, o município de Canaã dos Carajás-PA poderá ter como consequência um colapso social nas próximas décadas.

canaa-7046444Ao completar 19 anos no início de outubro, o município de Canaã dos Carajás, no sudeste paraense, se prepara para receber o maior empreendimento mineral do mundo.

O S11D, a ser explorado pela Vale na Serra Sul de Carajás atingirá em cheio o município, onde será instalada a logística e a parte operacional da nova mina.
Acrescentado o S11D, a cidade passará a contar com cinco projetos de extração mineral de Cobre, Níquel e Ferro.

O município que nasceu de um antigo assentamento criado pelo extinto Grupo Executivo das Terras do Araguaia e Tocantins (GETAT), do Governo Federal, contava com apenas 1551 famílias no inicio dos anos de 1980.

No entanto, com projeções de exploração da Serra Sul e com a implantação do empreendimento para extração de cobre iniciado pela Vale em 2002, a cidade sofreu um inchaço populacional vertiginoso. De 2005 a 2010 cresceu 198%.

Conforme estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do último censo realizado em 2010, a cidade chegaria em 2013 a aproximadamente 32 mil habitantes. Em 2000 era de apenas 11 mil pessoas.

Para estudiosos do assunto, essa população pode aumentar ainda mais contribuindo para um colapso social nos próximos anos em decorrência da expectativa de emprego gerada pela Vale em torno do S11D, com a população de cidades e estados vizinhos migrando massivamente para Canaã dos Carajás.

“Milhares de trabalhadores temporários serão contratados pelas empreiteiras para as obras de iniciação do projeto e serão esses milhares de trabalhadores que ficarão sem trabalho, saúde, educação, vivendo em moradia precária ou nas ruas, aumentando a estatística de miséria na região de Carajás quando tudo estiver pronto”, alerta Raimundo Gomes Cruz, sociólogo que coordenou um grupo de estudos na região junto à Universidade Federal do Sul e Sudeste Paraense (UNIFESSP).

Mais miseráveis?
A análise de Cruz não é em vão. A mineradora Vale, em sua propaganda institucional, promete cerca de 30 mil empregos no pico das obras do S11D. Porém, no mesmo informe cita que na fase de operação apenas dois mil e seiscentos empregos serão permanentes em 2016.

canaa4-8466747Dessa forma, Canaã dos Carajás teria daqui a três anos uma população de 27.400 mil trabalhadores desempregados, quase o número de sua população atual. “Isso não é geração de emprego, pois não há perenidade nessa relação empregado-empregador, além de termos o equivalente a outra Canaã desempregada”, salienta Cruz.
Uma população que engrossaria ainda mais as estatísticas de pobreza da região.

Segundo dados do Atlas Brasil 2013, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, que leva em consideração alfabetização, expectativa de vida e distribuição de renda da cidade, é mediano.

O Mapa de Pobreza e Desigualdade dos municípios brasileiros aponta que 41,36 % da população de Canaã de Carajás são pobres.
Em relação aos estabelecimentos de saúde, a cidade possui déficit de várias especialidades essenciais no atendimento da população. Entre eles, falta um serviço de emergência de Neuro Cirurgia.

“Constatamos no nosso estudo realizado em 2011, que quem ganha com os projetos de mineração na região de Carajás é um pequeno grupo de beneficiários, como politiqueiros, empresários e comerciantes. Contudo, uma grande gama de miseráveis nasce nesse contexto”, conclui Cruz.

Mais problemas
Se os primeiros projetos de mineração em Canaã dos Carajás não surtiram efeito benéfico na economia e na melhoria dos serviços públicos para a população, o S11D agravaria ainda mais a situação de precariedade.

A Rede Justiça nos Trilhos denuncia que vários impactos serão acirrados. “Queda de produção agrícola e pecuária, além do isolamento das famílias de agricultores que não quiseram vender suas terras para a Vale”, cita relatório da organização.

canaa3-5507680Além disso, o direito de ir e vir dos camponeses bem como seus costumes serão prejudicados. “Várias estradas serão desviadas e terão a ferrovia para atravessar, o que aumenta o risco de acidentes, sem contar nossos valores que passam a ser alterados pela mudança das coisas”, reclama o agricultor Erinalvo Ribeiro.

Ademais, o abuso sexual contra crianças e adolescentes, situação recorrente próximo aos grandes projetos da Vale na região de Carajás, só tendem a aumentar.

Em decorrência do aumento da população masculina atraída pelo empreendimento, já foram denunciados ao Conselho Tutelar do município 40 casos no primeiro semestre de 2013. Número que já supera todo ano de 2012.

Para a representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Canaã dos Carajás, Josemira Gadelha, é preciso dar um basta na situação e evidenciar a problemática na cidade. “Estamos em campanha permanente porque é extremamente importante pautar esse assunto”, diz.

Desmascarando o sistema truckless Os moradores de Mozartinópolis, distrito agrícola de Canaã dos Carajás conhecido como Racha Placa, já sofrem desde 2008 com a intervenção da Vale para retirada de sua população.

É justamente no seu perímetro urbano e rural que funcionarão, às margens da Serra Sul, a operacionalidade da mina utilizando o sistema truckless.