Página inicial > Notícias > Igrejas e Mineração: vida e esperança, em harmonia com a (…)
Fonte da Matéria: Rádio Vaticano
Bogotá (RV) – Está começando em Bogotá o terceiro encontro da rede “Igrejas e Mineração”. No programa, testemunhos de comunidades vítimas de atividades extrativas, a análise de causas e consequências dos conflitos minerários na América Latina, aspectos da ecoteologia, causas e estratégias no cuidado e defesa da casa comum.
Rede Igrejas e Mineração: quem é
A Rede ‘Igrejas e Mineração’ é um espaço ecumênico formado por comunidades cristãs da América Latina, equipes pastorais, congregações religiosas, grupos de reflexão teológica, leigas, leigos, bispos e pastores que buscam responder aos desafios dos impactos e violações dos direitos socioambientais provocados pelas atividades minerárias nos territórios.
Desde seu nascimento, em 2013, a Rede tem trabalhado para empoderar as Comunidades afetadas pela mineração; aprofundar e divulgar uma teologia e espiritualidade ecológica; comunicar as violações provocadas pela mega-mineração, a resistência das comunidades afetadas, assim como suas propostas e alternativas orientadas ao bem viver; dialogar com as Igrejas, em todos seus níveis hierárquicos, para incidir nas suas ações em defesa das comunidades e territórios afetados pela mineração.
No centro de espiritualidade “Francisco Palau”, no bairro da Soleda, o evento terá a participação de ao menos 45 representantes, provenientes de 12 países. Conosco, Padre Dario Bossi, comboniano e missionário na Amazônia, um dos fundadores da Rede.
Conosco, Padre Dario Bossi, impulsionador da Rede, comboniano, missionário italiano na Amazônia.
“O III Encontro será uma sequência de outros eventos importantes que reuniram as comunidades latino-americanas. Junto com a REPAM, Rede Eclesial Pan-amazônica, a Rede ‘Igrejas e Mineração’ se propõe a posicionar a Igreja frente aos grandes conflitos que ameaçam o meio ambiente e a vida das comunidades”.
O programa do encontro
“Em Bogotá, 2 dias serão dedicados à visita às comunidades no campo, que estão ameaçadas pela mineração de ouro e de carvão. Um dia, haverá reuniões institucionais com o Departamento Justiça e Solidariedade do CELAM; outros 2 dias teremos estudo, global e coletivo, e organização da Rede”.
“Nosso objetivo é analisar a conjuntura latino-americana, fazer uma reflexão aprofundada sobre a ecoteologia e as motivações que alimentam a nossa mística, a nossa espiritualidade; o compromisso ao lado das comunidades afetadas pela mineração e também dar uma estrutura a médio prazo e uma identidade à Rede ‘Igrejas e Mineração’”.
Extrativismo, impacto e ameaça às comunidades
“Sabemos que o extrativismo na América Latina está sendo a única solução à crise econômica e isto ameaça muito as comunidades; sabemos que a crise de democracia de muitos países latino-americanos está dando ainda mais poder às corporações internacionais e isto está provocando ainda mais impacto e uma maior criminalização das lideranças”.
“Por outro lado, a Encíclica Laudato si e a fragilidade do planeta nos impõem buscar novos rumos, proteger a vida, as comunidades e os territórios em nosso continente”.
Em sintonia com o Dia de Oração convocado pelo Papa
“O dia 1º de setembro foi declarado pelo Papa Francisco como Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Casa Comum. E nós, em paralelo estaremos, como Igrejas, reunidas para debater e fortalecer a nossa solidariedade, ao lado das comunidades afetadas pela mineração. Celebraremos a vida e a esperança. Podemos dizer que a Igreja tem a missão e a força para promover um novo jeito de viver em harmonia com a Criação”.
“Nossa, meu nariz tá irritado! ”, afirmou um dos jovens “Como é que o povo consegue morar aqui? ”, alguém questionou.
“Sempre ouvi falar, mas agora estou sentido na pele! ”, pontuou outro.
Foram algumas das constatações e questionamentos feitos por jovens que estiveram na comunidade de Piquiá de Baixo, Açailândia (MA), para participar da formação política realizada nos dias 5, 6 e 7 de agosto de 2016, pela rede Justiça nos Trilhosem parceria com o Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), da Universidade Federal do Maranhão.
O bairro de Piquiá de Baixo, sofre diariamente com o pó emitido pelas empresas siderúrgicas instaladas no seu entorno. A poluição é visível aos olhos, gruda nas paredes das casas, telhados, cobre o verde das plantas e afeta a saúde de quem mora na comunidade.
[Leia o relatório Brasil quanto valem os direitos humanos? E saiba os problemas gerados pela poluição à comunidade de Piquiá de Baixo]
Reunidos durante esses três dias, na escola da comunidade, cerca de 40 jovens debateram o tema “Município e políticas públicas”. Os participantes se apresentaram por municípios e cada um identificou quais políticas públicas existem em sua cidade e quais de fato funcionam. E para esse debate Piquiá de Baixo é um terreno fértil, pois é um exemplo claro da ausência de políticas públicas que garantam a vida digna dos moradores.
Políticas públicas são conjuntos de programas, ações e atividades desenvolvidas pelo Estado diretamente ou indiretamente, com a participação de entes públicos ou privados, que visam assegurar determinado direito de cidadania, de forma difusa ou para determinado seguimento social, cultural, étnico ou econômico.
Falta de energia, água, saúde, transporte público e precarização na educação, foram as principais demandas apresentadas pelos jovens a serem melhoradas. Sendo o sistema educacional o destaque no quesito precariedade. “Estamos com problemas na educação, os nossos professores estão há 4 meses sem receber”, relata o indígena Antônio Guajajara, da Terra Indígena Pindaré, do município de Santa Inês(MA).
Entre um debate e outro se ouvia “nossa a poluição aqui é grande viu”, “esse povo não vive, sobrevive”, sussurros saindo dos participantes sobre a realidade da comunidade de Piquiá de Baixo, que não parava de chocá-los. Gerliane da Silva, moradora local, aproveitou isso para expor que é preciso também pensar em uma política pública do meio ambiente. “É preciso se pensar nisso, por exemplo esse bairro é um caso claro de desrespeito ao meio ambiente, vocês podem ver e sentir isso”.
A formação política, que já acontece há quase dois anos, em comunidades impactadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), no Maranhão, contou nessa etapa com a participação de jovens de São Luís, Arari, Anajatuba, Santa Rita, Itapecuru-Mirim, Igarapé do Meio, Santa Inês, Buriticupu, Bom Jesus das Selvas, Bom Jardim, Açailândia e Imperatriz. Os encontros são realizados em média a cada dois meses, com o objetivo de proporcionar trocas de saberes entres as realidades dos jovens e suas comunidades.
E com essa intenção além do debate sobre políticas públicas, foi feita uma visita pela comunidade de Piquiá de Baixo, guiada por moradores locais. O ponto que mais chamou a atenção dos participantes da formação foi o rio que corta o bairro, onde puderam se refrescar dando um mergulho na água gelada. “Que rio bonito, imagina se não tivessem essas siderúrgicas aqui para poluir, seria mais lindo ainda! ”, conta Aldeny Ferreira, moradora da comunidade Sítio do Meio II, do município de Santa Rita (MA).
Após a visita houve um momento de partilha e avaliação do encontro. Nesse momento os jovens também decidiram algumas tarefas para a próxima etapa da formação política que acontecerá na cidade de São Luís, no mês de outubro.
É importante destacar que a realidade de Piquiá de Baixo, não chocou apenas de forma negativa. A luta dos moradores para reassentar o bairro longe da poluição, também deixou os jovens animados para retornar as suas comunidades e continuar travando suas lutas dentro dos seus territórios. “O povo que mora aqui tem força para lutar contra qualquer coisa, temos que ser assim, nos unir para lutar contra os projetos que nos desrespeitam!”, ponderou Antônio Guajajara.
“Essa comunidade é forte! ”, falou uma jovem.
“Só sei que essa luta agora também é minha ”, disse outra.
Por: Mikaell Carvalho
Fotos: Genilson Guajajara e Antônio Guajajara
A mineira brasileira Vale inicia no domingo a produção de carvão em Tete, no centro de Moçambique, província que vai passar a sua produção de 30 mil toneladas para um milhão de toneladas por ano, anunciou a ministra dos Recursos Naturais.
Veja no Dossiê dos Atingidos pela Vale (pág. 126) os principais conflitos gerados por esse projeto.
“Até agora falávamos do projecto de carvão de Moatize, mas queremos passar a dizer que Moçambique vai passar à produção em grande escala”, disse Esperança Bias, falando na Cidade do Cabo, África do Sul, onde participa na Fórum Económico para África.
“Essa produção vai dar um contributo importante não só pelos impostos que a empresa vai pagar mas também pela geração de emprego. Queremos também que este empreendimento traga outras indústrias não só baseadas no carvão, mas que possam também prestar serviços”, disse.
Esperança Bias disse que o governo de Maputo pretende um investimento de empresas que acrescentem valor aos minerais moçambicanos e que o seu país não pode ficar “eternamente” um exportador de minerais não processados.
O início das operações da Vale em Moatize fará com que a região aumente das 30 mil toneladas de carvão por ano, actualmente produzidas pela pequena empresa britânica Beacon Hill, para um milhão de toneladas anuais.
Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/dinheiro_digital/news.asp?section_id=10&id_news=157873, 4 de maio de 2011
Comentários