Carta dos Atingidos pela Vale à direção da empresa sobre retaliação a sindicato | Justiça nos Trilhos
5 de maio, 2012

A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale lamenta a posição ofensiva da VALE contra seus trabalhadores, bem como contra as comunidades direta e negativamente impactadas por seus projetos. Temos a informação de que a Vale Fertilizantes, em Araucária (PR), num ataque à representação sindical e como clara forma de retaliação, vem intimidando e demitindo seus trabalhadores desde o inicio das negociações trabalhistas, em outubro de 2011. (…)

À Diretoria da VALE:

Sr. Murilo Ferreira, Diretor Presidente 

Sra. Vania Somavilla, Diretora Executiva de RH, Saúde & Segurança, Sustentabilidade e Energia  

Sr. Eduardo Bartolomeo, Diretor Executivo de Fertilizantes e Carvão 

Sra.Maria Gurgel, Diretora de Departamento de Planejamento de RH & Remuneração

Sr. Djalma Jorge, Diretor de Recursos Humanos

Prezados, 

A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale lamenta a posição ofensiva da VALE contra seus trabalhadores, bem como contra as comunidades direta e negativamente impactadas por seus projetos. 

Temos a informação de que a Vale Fertilizantes, em Araucária (PR), num ataque à representação sindical e como clara forma de retaliação, vem intimidando e demitindo seus trabalhadores desde o inicio das negociações trabalhistas, em outubro de 2011. Até agora, foram doze trabalhadores demitidos: dois, em janeiro; três, em fevereiro; sete, em abril (sendo que seis teriam sido advertidos e dezesseis ameaçados). Há denúncias de humilhação e tortura psicológica no ato das demissões que serão devidamente apuradas.

Coincidentemente, todos os doze trabalhadores demitidos eram sindicalizados e se manifestaram contra a tentativa de retirada pela Vale de direitos historicamente conquistados. Entre os quatro últimos trabalhadores demitidos estão um trabalhador com afastamento médico, um membro da CIPIA, indicado pela empresa, e outros com 25 anos de experiência. Estranhamente, as demissões ocorreram em um cenário de reduzido quadro de operadores, que estariam, inclusive, trabalhando sob coação por até 16 horas por dia (confirmado pelas autuações do fiscal de trabalho da SRTE-PR).

Tal política de retaliação resulta no maior número de demissões de trabalhadores desde a privatização da empresa, em 1993. Um número altíssimo considerando-se que em uma planta petroquímica de grau de risco 3 é necessária uma alta especialização e tempo para formar um trabalhador.

A Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale repudia o que vem ocorrendo na Vale Fertilizantes e pede um posicionamento da Vale com relação a essas denúncias de abuso.

Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale, 26 de abril de 2012