Água para os povos lança podcast com narrativas de comunicadoras e comunicadores originários, quilombolas e tradicionais do MA

“Um gole seguro de reflexão política, cultural e sobre o bem viver feita por povos e comunidades originárias e tradicionais do Maranhão”, assim é descrito o podcast Cacimba D’Água, ferramenta de comunicação que brota da campanha internacional Água para os povos e tem realização da Justiça nos Trilhos.  No primeiro episódio, dividido em cinco blocos, a jornalista Sabrina Felipe conversa com seis jovens que fazem comunicação popular desde as suas comunidades e para as suas comunidades.

As falas do episódio “Cuspindo flecha: narrativas insurgentes de comunicadoras/es originários e tradicionais no MA” traduzem séculos de ancestralidade e luta e abrangem os territórios da Terra Indígena Rio Pindaré (Bom Jardim), Quilombo Rampa (Vargem Grande), Piquiá de Baixo (Açailândia), Buriticupu e Quilombo Santa Rosa dos Pretos (Itapecuru-mirim).

Com o olhar da fotografia, na dinâmica do vídeo, pelas ondas do rádio, com o pé no palco do teatro, nas paletas de cores da ilustração e na criatividade para transformar e ressignificar realidades, as comunicadoras e os comunicadores populares contam as histórias dos territórios e dos povos. Como afirma a documentarista Djelma Viana Guajajara, da TI Rio Pindaré, entrevistada para o podcast: “a gente abre a boca para firmar a história, a verdadeira história da gente, desde de quando a gente vem sofrendo, de quando a gente vem morrendo e quantos já morreram, isso é como flecha, né? É como flechas que saem da nossa boca”.

A comunicação é a ferramenta usada para a denúncia e o anúncio por Djelma (documentarista), Genilson Guajajara (fotógrafo), Raimundo José (repórter e criador da TV Quilombo Rampa), Kelly da Silva (liderança jovem e comunicadora popular), Uriel Menezes (ilustrador e chargista) e Zica Pires (educadora e ilustradora). A partir da comunicação popular combatem a falta de espaço em outros veículos e a deturpação narrativa do opressor; buscam a mobilização para a luta e a reconexão com a ancestralidade viva e presente nos territórios. A comunicação é fluida e pura como água de cacimba e aplaca (um pouco) suas sedes de bem viver.

Idayane Ferreira

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