Justiça nos Trilhos recebe prêmio Direitos Humanos e Empresas

segunda-feira, 26 de novembro de 2018
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A Fundação para o Prêmio Direitos Humanos e Empresas 

26 de novembro de 2018, Genebra

Hoje foi anunciado que a Justiça nos Trilhos receberá o recém-criado PRÊMIO DIREITOS HUMANOS E EMPRESAS, acompanhado de um subsídio no valor de US$ 50.000.

A Justiça nos Trilhos é uma organização que trabalha de perto com as comunidades locais, em áreas remotas do Brasil — incluindo povos indígenas, camponeses e afrodescendentes — para examinar os abusos de direitos humanos e ambientais cometidos por empresas mineradoras e siderúrgicas, especialmente a multinacional Vale.

As empresas mineradoras e siderúrgicas poluem os rios, que são fonte de obtenção de água potável e sustento para aquelas comunidades; poluem o ar, causando problemas respiratórios e de visão; contaminam o solo com descartes industriais; desalojam comunidades e exterminam a cultura e as vidas indígenas.

Os membros do conselho administrativo da Fundação para o Prêmio Direitos Humanos e Empresas — Christopher Avery, Regan Ralph e Valeria Scorza — relataram, hoje, em um comunicado conjunto: “Lançamos este prêmio anual para reconhecer ‘o trabalho de maior destaque realizado pelos defensores de direitos humanos, ao tratar dos impactos causados pelas empresas.’ A Justiça nos Trilhos simboliza este grupo, que há anos trabalha de maneira rigorosa e consciente em circunstâncias desafiadoras — sempre em estreita colaboração com as comunidades locais, cujos direitos fundamentais buscam proteger”.

Os defensores de direitos humanos da Justiça nos Trilhos e as comunidades locais com as quais trabalham têm sido alvo de vigilância e processos retaliatórios pela Vale.

O prêmio será entregue à Justiça nos Trilhos no dia 27 de novembro de 2018, em Genebra, no Fórum das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos. Danilo Chammas, advogado da Justiça nos Trilhos, aceitará o prêmio em nome da organização. Chammas comentou: “Nós trabalhamos para fortalecer os princípios de direitos humanos, que são a base da democracia. Penso, no entanto, que nos falta um longo caminho a percorrer. Ainda há muito a se fazer para proporcionarmos oportunidades reais de acesso à justiça àqueles cujos direitos foram violados por estas empresas”.

Alexandra Montgomery, membro do Conselho Consultivo da fundação que indicou a Justiça nos Trilhos para o prêmio, observou: “As operações diárias dos projetos da Vale em Carajás têm prejudicado mais de 100 comunidades. O trabalho da Justiça nos Trilhos é feito de modo bastante sólido e organizado, acessando os mecanismos legais, pesquisando, elaborando estratégias e avaliando as suas ações atentamente. Trabalham com centros universitários e profissionais que pesquisam e analisam os dados. As suas reivindicações não são espontâneas, são baseadas nas experiências das comunidades”.

Sobre a fundação

A Fundação para o Prêmio Direitos Humanos e Empresas é uma fundação independente e sem fins lucrativos. Hoje seu site será lançado em sete idiomas. Para assegurar sua independência, a fundação não aceita doações provenientes de quaisquer governos ou empresas. Os membros dos conselhos administrativo e consultivo estão listados aqui.

Contato: contact@humanrightsandbusinessaward.org

Mais sobre Justiça nos Trilhos

Estes relatórios fornecem mais informações sobre a Justiça nos Trilhos — o segundo e o terceiro incluem links para as respostas da empresa mineradora Vale às questões levantadas:BRASIL: Quanto Valem Os Direitos Humanos? Os impactos sobre os direitos humanos relacionados à indústria da mineração e da siderurgia em Açailândia. FIDH, Justiça Global e Justiça nos Trilhos, agosto de 2011.

Centro de Informação sobre Empresas e Direitos Humanos entrevista Danilo Chammas – advogado e militante da Justiça nos Trilhos (Brasil)”, 6 de março de 2015.

[inglês] “Confronting asymmetrical power: Empowering Brazil’s rural communities to assert their legal rights & challenge corporate impunity – Interview with Danilo Chammas – lawyer and activist for Justiça nos Trilhos”, Business & Human Rights Resource Centre, março de 2015.

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