Igreja promove encontro de comunidades atingidas por mineração em Açailândia

terça-feira, 6 de novembro de 2018
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No dia 09 de novembro terá início o grande encontro de Comunidades Atingidas por Mineração em diálogo com a Igreja no Norte e Nordeste. O evento ocorrerá no salão da paróquia de Santa Luzia, no bairro Piquiá, na cidade de Açailândia (MA) e contará com participação de aproximadamente 60 membros de comunidades atingidas por mineração, líderes de pastoral que acompanham essas comunidades, religiosas/os, padres e bispos.

O encontro é realizado pelo Grupo de Trabalho sobre Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a rede Iglesias y Minería e a rede Justiça nos Trilhos, com apoio da 350.org Brasil e da Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida (COESUS). Serão três dias de atividades reunindo pessoas das dioceses maranhenses de Imperatriz, Zé Doca, Coroatá, Caxias, Bacabal, Balas, Viana e Grajaú, as dioceses de Floriano e Picos, do estado do Piauí e a diocese de Marabá, do estado do Pará. Representantes de organizações sociais também foram convidadas.

O encontro também contará com a participação do bispo de Caxias, Dom Sebastião Lima, o bispo de Floriano, dom Edivalter Andrade, o bispo de Tocantinópolis, dom Giovane Pereira de Melo, o bispo de Imperatriz, dom Vilson Basso,  o assessor das Pastorais Sociais da CNBB, Frei Olavio Dotto,  o assessor do GT Mineração da CNBB Reginaldo Urbano, a secretária executiva do Regional Nordeste 5, Martha Bispo, com representante do Conselho Indigenista Missionário (CIME) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Os participantes contarão com hospedagem solidárias nas casas de famílias do bairro. Essa é uma das formas de promover um intercâmbio entre a comunidade de Piquiá e os demais que chegam de outras localidades, estimulando as trocas de saberes. A solidariedade das famílias ao receberem os participantes demonstra o espírito de fraternidade e partilha buscado nesse encontro, que tem como objetivo “aproximar e sensibilizar” ainda mais a igreja católica à temática da mineração e os impactos negativos desse setor na vida das comunidades onde a igreja está inserida.

O encontro oferecerá momentos de estudo da encíclica Laudato Si’, de Papa Francisco, e da carta pastoral da Conferência Episcopal Latinoamericana, “Discípulos missionários custódios da Casa Comum”.

Dentro da programação está prevista uma visita à comunidade de Piquiá de Baixo, conhecida internacionalmente por sua luta contra a poluição gerada pelo polo siderúrgico e para reassentar as famílias do bairro longe das mazelas provocadas por esse setor. Para os organizadores, essa visita é importante, devido à simbologia que representa a luta de Piquiá de Baixo, que, para muitos, é um sinal claro de esperança e resistência ao modelo de desenvolvimento que viola direitos e a vida.

Durante todo encontro haverá espaços para que os participantes também relatem como é a realidade de suas comunidades, promovendo uma troca de experiências e fortalecimento de laços entre pessoas que passam por situações de violações de direitos semelhantes. Cada diocese irá expor e partilhar símbolos, materiais impressos e vídeos, que retratam os modos de vida e conflitos enfrentados em cada localidade.

Para os missionários da paróquia de Santa Luzia, que recebe o encontro e tem na sua história um forte envolvimento em temáticas socioambientais, esse é um momento muito importante, por novamente reafirmar o compromisso com a vida, permanecendo ao lado do povo.

O encontro encerra no domingo (11), com uma celebração eucarística as 11h, aberta ao público e com um almoço comunitário, onde todas e todos estão convidados a partilharem alimentos e celebrar a vida em comunhão.

Grupo de Trabalho Mineração da CNBB.

O Grupo de Trabalho sobre Mineração é um órgão de assessoria criado em 2016 pela Conferência Episcopal dos Bispos do Brasil, para auxiliar a Igreja Católica em sua missão de solidariedade com as muitas comunidades que pedem ajuda por terem seus direitos violados a causa de empreendimentos mineiros.

Composto por leigos-as e religiosos especializados neste setor, é presidido por dom Sebastião Duarte, bispo de Caxias (MA) e atua com diversas iniciativas de formação, denúncia das violações, busca de alternativas à mineração e mitigação dos impactos socioambientais provocados pelos grandes projetos extrativos.

Iglesias y Minería

A Rede ‘Igrejas e Mineração’ é um espaço ecumênico formado por comunidades cristãs da América Latina, equipes pastorais, congregações religiosas, grupos de reflexão teológica, leigas, leigos, bispos e pastores que buscam responder aos desafios dos impactos e violações dos direitos socioambientais provocados pelas atividades minerárias nos territórios.

Desde seu nascimento, em 2013, a Rede tem trabalhado para empoderar as Comunidades afetadas pela mineração; aprofundar e divulgar uma teologia e espiritualidade ecológica; comunicar as violações provocadas pela mega-mineração, a resistência das comunidades afetadas, assim como suas propostas e alternativas orientadas ao bem viver; dialogar com as Igrejas, em todos seus níveis hierárquicos, para incidir nas suas ações em defesa das comunidades e territórios afetados pela mineração.

Justiça nos Trilhos

Criada em 2007, Justiça nos Trilhos é uma organização que promove diversas atividades no sentido de problematizar junto à sociedade o modelo de desenvolvimento hegemônico, baseado na exploração desmedida dos bens naturais, imposto no Corredor de Carajás. Atua para exigir o respeito, a proteção e a efetivação de direitos humanos e da natureza frente as violações decorrentes da cadeia de mineração (estruturas logísticas, empreendimentos siderúrgicos, monocultivo de eucalipto, etc.).

Tem como missão institucional é fortalecer as comunidades ao longo do corredor Carajás e denunciar as violações aos direitos humanos e da natureza, responsabilizando a Vale e o Estado, prevenindo novas violações e reafirmando os modos de vida e a autonomia das comunidades nos seus territórios.

Por Mikaell Carvalho

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