Jovem do campo

Seminário discute agricultura familiar e pedagogia da alternância

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
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Na última quarta-feira (7), aconteceu em Açailândia (MA) o I Seminário Tocantino da Pedagogia da Alternância. O evento foi organizado pela Associação Tocantina de Formação por Alternância e Desenvolvimento Rural (ATAR), pelas quatro Casas Familiares Rurais (CFRs) da região e pela Justiça nos Trilhos. O objetivo era demonstrar como a agricultura familiar e a pedagogia da alternância se consolidam com as CFRs.

As CFRs buscam o desenvolvimento rural por meio da formação do jovem do campo (Foto: Idayane Ferreira)

A Casa Familiar Rural é um centro educativo comunitário que busca o desenvolvimento rural sustentável, investindo na formação do jovem do campo.  Como explica Maria da Luz Sousa Estácio, coordenadora da Casa Familiar Rural Padre Josimo Tavares, que abrange os municípios maranhenses de Bom Jardim, Buriticupu e Bom Jesus das Selvas.

“Nós temos uma proposta pedagógica que vem valorizar a identidade camponesa, fortalecer a agricultura familiar e trabalhar o senso comum dos jovens egressos e ingressos. Que [o jovem] venha aqui na escola se prepare para a vida, se fortaleça enquanto sujeito da própria história e retorne pro campo, pra família, pro lote, pra pequena propriedade com um trabalho qualificado, dominando tecnologias que ele vem buscar o domínio aqui na escola pra  aplicar na propriedade. E o nosso lema principal é sustentabilidade: produzir sem agrotóxico, cuidar do meio ambiente, não queimar e fazer com que os sujeitos da própria história valorizem o que tem que é a terra”.

Na Região Tocantina existe quatro Casas Familiares Rurais, que juntas atendem cerca de 240 estudantes, dos municípios de  Bom Jesus das Selvas, Buriticupu, Bom Jardim, Açailândia, Cidelândia, Imperatriz, João Lisboa, Senador La Rocque e Amarante. Os jovens ingressos nas Casas Familiares Rurais estudam em regime de alternância: durante uma semana são internos das CFRs, voltando para suas famílias na semana seguinte. Esta metodologia possibilita uma educação de qualidade para o jovem rural sem tirá-lo de seu ambiente familiar e profissional e de modo que haja a participação dos pais em sua formação.

Maria da Luz Sousa é coordenadora da Casa Familiar Rural Josimo Tavares (Foto: Maju Silva)

Além de aprender novas técnicas de cultivo e de manejo de animais, os estudantes realizam trabalhos de extensão em comunidades de pequenos e médios produtores, aplicando o que aprenderam não apenas nas propriedades de suas famílias. Jéssica Morais Campelo, de 18 anos, é filha de agricultores e concluiu o ensino médio em uma CFR. Ela afirma que essa experiência modificou sua visão com relação à vida no campo. “Eu cheguei lá com uma visão assim, eu não conhecia o campo e já hoje a gente pensa com um olhar diferente, a gente quer criar o nosso próprio projeto, ter o nosso cantinho”.

A duração completa do ciclo de estudo é de três anos e ao final o aluno pode se inserir no mercado de trabalho como técnico em agropecuária com registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (CREA-MA) ou prosseguir os estudos universitários, como é o caso do jovem Natanael Leal Brito, de 22 anos. Ele é ex-aluno de uma CFR e atualmente estuda licenciatura em Educação do Campo com Habilitação em Ciências Agrárias. Acredita que a formação dos jovens rurais é o caminho para a continuidade da agricultura familiar e que “é importante retornar para o campo, porque se você for olhar para os índices da década passada para os dias atuais, hoje praticamente só têm pessoas idosas na zona rural. É importante nós, alunos egressos da CFR, retornarmos para o campo para dá seguimento aos projetos desenvolvidos pelos nossos pais, que são analfabetos mesmo, muitos não sabem nem assinar o nome. Nós é que daremos continuidade, mas uma continuidade com um conhecimento diferenciado”.

Estudantes das CRFs, professores e agentes públicos estiveram reunidos no evento (Foto: Idayane Ferreira)

O seminário reuniu professores, secretários de agricultura e estudantes das CFRs da região e contou também com a participação de um representante da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (AGERP). Além de contextualizar a situação da agricultura familiar no Maranhão e na Região Tocantina, o evento trouxe um panorama geral da Pedagogia da Alternância no estado, os desafios atualmente enfrentados na educação do campo e como os municípios podem ser parceiros e contribuir para o fortalecimento das CFRs e, consequentemente da agricultura familiar.

Segundo dados da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, existem no Brasil aproximadamente 4,4 milhões de famílias agricultoras, o que representa 84% dos estabelecimentos rurais brasileiros. “A agricultura familiar é econômica, vem dela 38% do valor bruto da produção agropecuária e o setor responde por sete em cada dez postos de trabalho no campo”. Além disso, a agricultura familiar é responsável pela produção de mais de 50% dos alimentos em nosso país.

Por Idayane Ferreira

 

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