Mulheres

I Encontro de mulheres atingidas por grandes projetos acontece no MA

segunda-feira, 4 de setembro de 2017
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O encontro reuniu quase 60 mulheres (Foto: Daniel Sena)

Entre os dias 31 de agosto e 02 de setembro ocorreu em Imperatriz (MA), o primeiro encontro de mulheres impactadas por grandes empreendimentos. “Poesia, memória e resistência: olhares sobre os impactos diferenciados dos grandes projetos sobre a vida das mulheres” reuniu cerca de 60 participantes, atingidas diretas ou indiretas por grandes empreendimentos dos setores de mineração e siderurgia, barragens, produção de energia elétrica, monocultura e etc. e assessoras de entidades e movimentos que tratam sobre as temáticas.

O encontro foi realizado por oito organizações, com apoio de Fastenopfer : Justiça nos Trilhos (JnT), Instituto Pacs – Políticas Alternativas para o Cone Sul, Conselho Indigenista Missionário Goiás– Tocantins (CIMI – GOTO), CIMI Norte 1, Comissão Pastoral da Terra Araguaia – Tocantins (CPT – AT), CPT – PI, Comissão Pró Índio de São Paulo (CPI – SP), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional do Pará (Fase- PA) e Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC). Participaram também organizações convidadas: CPT-Marabá, Instituto Terramar e Operação Amazônia Nativa (OPAN).

A proposta do encontro foi discutir os impactos que as mulheres têm sofrido pelo ciclo de grandes projetos chamados de “desenvolvimentistas” e que trazem uma série de violações sobre populações e ecossistemas inteiros. De maneira geral, esses impactos sociais, ambientais, políticos e etc. quando são apresentados não diferenciam e muito menos citam que há diferenciações entre homens e mulheres impactadas. No máximo falam da prostituição nos canteiros das megas obras, ao tratar sobre as mulheres, por exemplo.

A arte do encontro reúne violações e resistências (Foto: Idayane Ferreira)

Como os grandes empreendimentos afetam a vida das mulheres? Que impactos são esses? Quais têm sido os mecanismos usados para resistir? Estas são algumas das questões que irão nortear o evento e que justificam um encontro com mulheres diretamente envolvidas ou no acompanhamento ou nos territórios diretamente afetados.

Identificar os elementos comuns que atravessam a realidade das mulheres nos contextos dos grandes projetos ajuda a construir entendimentos das realidades, assim como alianças e estratégias de ações articuladas e colaborativas, considerando a condição e lugares de classe e raça, presença e formas diferenciadas de atuação.

A ideia é que a partir do encontro seja formado um grupo de educadoras, com participantes das organizações e comunidades, que possam ser referência no monitoramento pedagógico e registro desses impactos durante e após o encontro, tendo em vista a temática dos grandes empreendimentos e suas nuances nos diferentes territórios e realidades.

Por Idayane Ferreira

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