Exposição

Do Rio que era Doce ao outro lado dos trilhos

terça-feira, 29 de agosto de 2017
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Durante uma semana Açailândia (MA) discutiu o modelo mineral brasileiro por meio de fotos, palestras, aulas abertas, pintura e maquetes. A exposição chega agora a cidade de São Luís (MA).

Maquetes mostram o antes e o depois do rompimento da barragem (Foto: Edmara Silva)

A semana passada foi marcada pelo fim da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), uma área com mais de 4 milhões de hectares entre os estados do Amapá e do Pará. O fim da Renca permite a exploração de minério na região, além de incentivar o crescimento do setor mineral. Diante disso, se faz mais do que necessário discutir o sistema mineral brasileiro, é vital. Com o intuito de discutir casos como esses – e, de forma mais ampla, o modelo adotado pela exploração mineral no Brasil – é que a exposição “Do Rio que era Doce ao outro lado dos trilhos: os danos irreversíveis da Mineração”, em conjunto com a cidade de Açailândia (MA) discutiu a temática durante a última semana.

A exposição, que é organizada pelo Comitê em Defesa dos Territórios Frente a Mineração e pela rede Justiça nos Trilhos, contou com aulas públicas, documentários e uma diversidade de fotos e instalações, sempre tendo a mineração – seu modelo e suas potenciais consequências – como foco.

Alunos observam a tela O Rio que era Doce, de Leila Monségur (Foto: Edmara Silva)

Açailândia (MA), sofre diretamente com as mazelas ocasionadas pelo setor de mineração, em decorrência das siderúrgicas localizadas na região de Piquiá de Baixo, bairro industrial do município. O caso da comunidade é um retrato do descaso proporcionado pelos altos níveis de poluição sonora, do ar, água e solo. Os índices de doenças respiratórias e a degradação do ambiente só cresceu na última década com a intensa atividade mineradora e siderúrgica tornando o bairro impossível de ser habitado.

Piquiá e outras comunidades ao longo do trajeto do minério desde a mina em Carajás (no Pará), onde é extraído, até o porto de Itaqui, em São Luís- MA, sofrem com o rastro de violações, tanto sociais como ambientais, deixadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC). Outro exemplo é Bento Rodrigues, subdistrito de Mariana (MG), um dos maiores exemplos de crime ambiental brasileiro. Com o rompimento da barragem de Fundão, da empresa Samarco Mineração S.A., áreas foram cobertas pelos rejeitos, matando pessoas e ecossistemas inteiros. Quase dois anos depois esses danos estão longe de serem reversíveis.

Karilene Costa, professora do Instituto Federal do Maranhão – Campus Açailândia (MA), ressaltou a relevância de se discutir sobre a temática da mineração no município. “ Debate de fato a realidade da maioria dos nossos alunos, que são de Açailândia e de Piquiá de Baixo. E como essas comunidades sofrem de racismo ambiental, no sentido de que essa comunidade foi impactada por tais siderúrgicas. O racismo ambiental ocorre quando existe um grupo de pessoas com o poder aquisitivo que vão se instalar em comunidades, vão impactar diretamente tais populações que de certo modo não vão ter um apoio do estado, ou da sociedade, porque são comunidades carentes que não vão ter o poder de se opor as indústrias”.

A estudante Eulina Sátiro, do curso de Meio Ambiente do IFMA, pontuou que, por meio da exposição, ficou sabendo de uma realidade até então desconhecida para ela. “Estou ganhando conhecimento, mostrando a realidade não como convém a mídia, não como a maioria da população achava que conhecia, mas a verdade é que a realidade é totalmente diferente”.

O ciclo da exposição inicia hoje em São Luís– MA, depois de ter passado por Belém (PA) e por Açailândia (MA). Estará aberta ao público de 29/08 a 04/09 no Centro de Criatividade Odylo Costa Filho – Rua da Feira Praia Grande, 162 – Centro Histórico, das 10h até às 20h.

 

Por Edmara Silva

 

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