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Livro retrata o desastre de Mariana, seus antecedentes e consequências

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
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Os professores Bruno Milanez (PoEMAS/UFJF) e Cristiana Losekann (ORGANON/UFES) são os organizadores do livro .

“Desastre no Vale do Rio Doce: antecedentes, impactos e ações sobre destruição” traz resultados de pesquisadores e articulação dos movimentos sociais pela garantia de direitos.

Após um ano do desastre de Mariana (MG), os pesquisadores Bruno Milanez e Cristiana Losekann organizaram um livro sobre o maior crime ambiental do Brasil. Sob o título Desastre no Vale do Rio Doce: antecedentes, impactos e ações sobre a destruição, o livro traz múltiplos aspectos do crime e as ações para enfrentamento dos impactos. Logo no primeiro capítulo, o Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS), apresenta antecedentes econômicos e institucionais do rompimento da barragem. Do ponto de vista econômico, eles associam o rompimento das barragens com a queda dos preços dos minérios, pois as mineradoras produziam muito minério para manter suas taxas de lucro, isso acontece a partir de 2013.

Sob o aspecto institucional o PoEMAS identifica ainda que naquele momento a Samarco se encontrava altamente endividada, e adotavam uma política de contenção de gastos, passando a ignorar os riscos de sua operação, demonstrando fragilidades e inconsistências do processo de licenciamento ambiental da barragem do Fundão. Com relação à questão social, os pesquisadores chamam a atenção para o racismo ambiental, onde a distribuição dos riscos operacionais recai sobre populações tradicionais, quilombolas e indígenas associados à proximidade da barragem.

O livro ainda nos permite fazer reflexões sobre o modelo de exploração que tem grandes consequências e impactos físicos, ecológicos e sociais em detrimento de sua contrapartida econômica. Como as transformações irreversíveis do ambiente físico trazem consequências drásticas para toda a sociedade. A realidade dos trabalhadores da mineração e as implicações trabalhistas do desastre, visto que se está diante de típico acidente de trabalho na definição da legislação específica. Dentre as consequências da estruturação atual do capital está a precarização da força humana que trabalha, sendo esta tragédia um símbolo importante dessa precarização.

Outros temas que merecem destaque são as descrições e os impactos do desastre sobre comunidades tradicionais que vivem em ligação profunda com o Rio Doce e esbarram no poder econômico e político das empresas BHP Billiton e Vale S.A, proprietárias da Samarco, associando os interesses desta Vale ao Estado brasileiro, particularmente devido ao papel do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na tomada de decisões da mineradora. A partir dessa situação, ela demonstra como o Estado se ausentou do atendimento às populações atingidas, transferindo toda a operação de apoio a Samarco.

O livro já está disponível em nossa seção de publicações.

 

Por Lidiane Ferraz

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