Saberes e Resistência

Seminário debate conflitos ambientais no Corredor de Carajás

quinta-feira, 10 de novembro de 2016
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Durante os dia 15 e 16 de outubro, treze comunidades atingidas pela Estrada de Ferro Carajás se reuniram no auditório da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) para falar das problemáticas enfrentadas por eles, seus saberes e resistência a partir do processo de lutas. O seminário foi idealizado pela Rede Justiça nos Trilhos e pelo Grupo de Estudos Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA), que acompanham povos e comunidades atingidas por projetos de desenvolvimento que impactam o meio ambiente e modos de vida de grupos sociais como ribeirinhos, indígenas, pescadores, camponeses, quilombolas e moradores e de áreas urbanas, afetadas por empreendimentos.

O evento é resultado do Projeto de Extensão Formação Política: Cidadania, Educação Ambiental e Direitos Humanos no Corredor Carajás, que tem como objetivo dar visibilidade às violações de direitos e fortalecer as lutas e resistências desses povos e comunidades em seus territórios. Pensando nisso, Gedmma e Justiça nos Trilhos, desenvolveram durante dois anos, um curso de “formação” realizado de forma itinerante nos municípios de São Luís, Santa Rita, Itapecuru Mirim, Arari, Igarapé do Meio, Buriticupu, Açailândia e Terra Indígena Pindaré, envolvendo jovens e lideranças das comunidades Taim, Cajueiro, Sitio do Meio, Outeiro dos Pires, Retiro São João da Mata, Santa Rosa dos Pretos, Mata dos Pires, Capim Açu, Assentamento Vila Diamante, Aldeia Tabocal e Januária, Pequiá de Baixo, Buriticupu (sede) e Vila Ildemar.

A implantação do Programa Grande Carajás implicou em violações de direitos humanos e sociais que alteraram os modos de vida dos grupos citados, intensificaram conflitos territoriais existentes e provocaram novos conflitos, como: deslocamentos compulsórios, desmatamentos, poluição, disputa por terra e território, privatização dos bens naturais. Considerando esse contexto, o curso foi desenvolvido através de encontros com discussões e vivencias focadas nas problemáticas locais apontadas pelos cursistas.

Para a cursista Francivânia, que mora na comunidade do Taim, zona rural de São Luís o projeto de formação política foi fundamental para seu crescimento pessoal. “Eu aprendi muito, fortaleceu meus conhecimentos e fez crescer ainda mais a vontade de lutar pelo território onde eu vivo e conhecer a luta de outros colegas de curso. Agora pretendo repassar para outras pessoas da comunidade tudo que eu aprendi, me percebo como uma nova liderança, e me sinto mais forte e firme nessa luta que é de todos nós”, argumentou.

Para falar de sua luta, integrantes do Quilombo Santa Rosa dos Pretos apresentaram ao som dos tambores e, vestindo indumentárias tradicionais, sua história em forma de cordel, contando suas trajetórias de luta, deixando que a sua cultura falasse por si só.O seminário contou ainda com a apresentação de representantes de cada comunidade atingida que puderam mostrar suas trajetórias e debater sobre os problemas e também como reagem à eles.

Veja o cordel produzido pela família Pires Anacleta, Joseane Joerson e Josicléia que transformaram luta em poesia

Por Lidiane Ferraz

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