Intercâmbio proporciona troca de experiências entre comunidades

sexta-feira, 6 de Maio de 2016
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As comunidades maranhenses não são os únicas a lidar com os males trazidos pela mineração, comunidades do Rio de Janeiro e do Pará também compartilham dos mesmos problemas.


_mg_0658-2.jpg No último mês de abril, duas comunidades maranhenses realizaram um intercâmbio cultural com outras comunidades do Rio de Janeiro e do Pará. O intercâmbio promovido pela Rede Justiça nos Trilhos, com o apoio da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), teve como objetivo a troca de experiência no enfrentamento dos problemas ocasionados por grandes empreendimentos do segmento da mineração e agronegócio e suas respectivas logísticas, que ocasionam problemas como a poluição do ar e da água, falta de travessia segura na ferrovia, dentre outros problemas.

O primeiro intercâmbio ocorreu no dia 6 e 7 de abril, entre duas comunidades quilombolas do Pará, Laranjetuba e África que visitaram a também quilombola Santa Rosa dos Pretos, no município de Itapecuru-Mirim (MA). As comunidades paraenses estão passando por um conflito bem conhecido pela comunidade Santa Rosa dos Pretos, pois em breve, a ferrovia Norte Sul irá cortar seu território e eles pouco sabem dos impactos que isso vai ocasionar para suas comunidades, pois esse empreendimento vai afetar seus modos de vida e atingir os igarapés e a floresta, de onde tiram seu sustento. Economicamente retiram a maior parte da renda para sustento da colheita do açaí, da pesca e a lavoura, que complementa a alimentação.

Santa Rosa dos Pretos convive com esses problemas há décadas, quando a então Estrada de Ferro Carajás (EFC) foi construída e até hoje recorta seu território, gerando grandes impactos. A comunidade descreveu o conflito com a empresa Vale, desde sua instalação na região, e como poderá afetar ainda mais com o processo de duplicação da ferrovia, como a falta de travessia segura, assoreamento dos Igarapés e atropelamentos. Foi discutido também as estratégias de desmobilização que empresa utilizou para que a comunidade fosse favorável ao empreendimento, como promessa de empregos e projetos de compensação, mas que desvinculados aos impactos causados pela empresa, e divisão das comunidades atingidas. Relataram ainda sua forma de resistência.

Intercâmbio Piquiá de Baixo e Santa Cruz
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No segundo intercâmbio, que ocorreu no dia 15 e 16 de abril, a comunidade de Santa Cruz (RJ) recebeu a visita dos moradores da comunidade Piquiá de Baixo do município de Açailândia (MA). O que mais chamou a atenção da comunidade maranhense foi a evidência dos impactos logo na chegada ao bairro da capital fluminense, impactos estes, bem parecidos com os que ocorrem em Piquiá de Baixo. A semelhanças entre os dois bairros surpreendeu, principalmente pela presença das chaminés de onde saem a poluição que invade as moradias, e a passagem do trem. Segundo os moradores de Piquiá de Baixo, mesmo estando, longe os problemas enfrentados por Santa Cruz são os mesmos, de forma que tiveram a sensação de estarem em casa.

Outra impressão extraída desse intercâmbio, foi a dimensão do bairro Santa Cruz, que mesmo sendo bem maior que o de Piquiá, poucas pessoas então envolvidas na luta por melhores condições de vida. No entanto, o modo como diversas entidades se integram e se apoiam, despertou grande admiração na forma de resistência encontrada em Santa Cruz. Exemplos como a Rede Carioca de Agroecologia que envolve comunidade quilombola Cafundá, no Rio de Janeiro é uma importante iniciativa que permite ao mesmo tempo produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, e também incentiva a defesa e valorização dos seus territórios.

Foi discutido ainda durante a troca de experiência as estratégias que a empresa Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) utiliza para dividir a comunidade, alguns são críticos, devido os impactos e outros a favor de um suposto ‘desenvolvimento’ trazido pela empresa. A maioria dos que permanecem na luta são pescadores e suas famílias, que dependem da pesca para sobreviverem, mas a poluição tem afastado os peixes do local.

A importância de ações que promovem o intercâmbio entre comunidades não reside apenas nas trocas de experiências a partir dos impactos gerados por grandes empreendimentos, mas na herança histórica e nos desafios econômicos, políticos e sociais enfrentados por essas comunidades. Permite também uma aproximação de organizações e movimentos que possibilitam o fortalecimento da luta, pois nos leva a perceber que não estamos sozinhos e que não existe fronteiras para nossos sonhos.

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