Revista Não Vale – I edição

quarta-feira, 14 de maio de 2014
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nao_vae_1.jpgEssa revista pretende revelar outro lado da Vale, oferecendo a documentação básica para entender as contradições a partir do contexto do ‘sistema Norte’ da empresa (Pará e Maranhão), mas alcançando logo sua dimensão internacional. A revista completa-se com um filme sobre o impacto da Vale no corredor de Carajás: é uma região emblemática, exemplo em negativo daquilo que já aconteceu em outras regiões do País e vai acontecer em várias partes do mundo.

Por isso, o documentário foi produzido em três idiomas e já está circulando nos diversos cantos do mundo. O trabalho de pesquisa do movimento é de fundamental importância e ainda procede, na produção de um dossiê mais detalhado sobre os maiores impactos da empresa no Brasil e em outros Países atingidos.

O Objetivo dessa revista é também articular as comunidades e entidades em conflito com Vale, oferecendo a experiência de um grupo regional, que se identificou na campanha ‘Justiça nos Trilhos’. O I Encontro Internacional dos Afetados pela Vale (Rio de Janeiro, 12-15 de abril de 2010) é mais um nó para o tecido dessa rede entre todos os movimentos. Naturalmente, há diversas formas de resistência, devido aos contextos diferentes e às prioridades que cada comunidade local se dá.

Vamos aos textos

O advogado Guilherme Zagallo analisa as numerosas críticas à privatização da Vale, ressaltando as consequências sociais e ambientais de seu crescimento descontrolado. Encontramos em seu artigo também uma importante análise crítica do Relatório de Sustentabilidade, que a empresa emite a cada ano. Trata-se de um estudo importante, que poderia ser repetido e divulgado anualmente como crítica às operações de greenwashing da Vale.

Em seguida, o sociólogo Marcelo Carneiro estuda as consequências, trinta anos depois, do Programa Grande Carajás. Evidencia a ligação direta entre as atividades da Vale e o ciclo da siderurgia, protagonista de parte do enorme desmatamento da região de Marabá (PA) e Açailândia (MA), e hoje da implantação da monocultura de eucalipto.O sindicalista Nazareno Godeiroenfrenta o tema do violento crescimento econômico da Companhia, apesar da crise internacional. Mostra com evidência como esse crescimento baseia-se sobre a transferência dos custos aos trabalhadores e aos municípios afetados pelas suas atividades. O segredo da Vale é a alta produtividade do trabalhador e a exploração da mão de obra.De novo Guilherme Zagallo estuda o impacto da poluição da Vale na cidade de São Luís.

Numa comparação simples e extremamente interessante, mostra com dados oficiais as consequências em mortes e doenças por cada micrograma de partículas inaláveis emitidas. Temos assim uma referência definitiva para aplicar o principio poluidor-pagador.Não se pode falar de Vale na região de Carajás sem contemplar os numerosos conflitos pela terra, com as comunidades locais e os projetos de assentamento.

O jornalista Rogério Almeida analisa no detalhe a grande contraposição entre empresas, corporações de agronegócio e latifundiários de um lado, as populações tradicionais, os pescadores e trabalhadores rurais do outro.O texto é ilustrado com fotografias emblemáticas, todas tiradas ao longo dos trilhos da Estrada de Ferro Carajás, por missionários combonianos e o fotógrafo Nils Vanderbolt.

Boa leitura, unidos na luta por mais Justiça nos Trilhos.

Revista Não Vale I

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