Canaã dos Carajás

sábado, 25 de setembro de 2010
558 visualizações


1. Maiores conflitos:
Cinco projetos de mineração da Vale: Serra Sul, 118 (cobre), Sossego (cobre), Niquel do Vermelho, Cristalino. Os empreendimentos já existentes e os programados estão gerando muitos impactos: 
queda da produção agrícola e pecuária, conflitos entre a empresa e os pescadores, isolamento das famílias de agricultores que não quiseram vender suas terras para a Vale, desvio de várias estradas e atravessamento da ferrovia, destruição e perda dos valores históricos e culturais das comunidades acumulados durante mais de vinte anos antes da chegada da mineradora, atitudes truculentas dos “guardas florestais” a serviço da Vale junto com IBAMA e a policia, interrupção do projeto Luz Para Todos próximo das áreas compradas pela Vale, conivência do Estado e do poder público municipal com o desmando da Vale, poluição do ar e das águas subterrâneas.

O município de Canaã cresceu do 198% de 2005 a 2010. É difícil gerenciar esse crescimento.


2. Resistência da comunidade
A experiência do reassentamento da Vila Racha Placa é um marco importante para todo tipo de negociação entre comunidades e empresas mineradoras. Veja anexo.


3. Entrevistas a agricultores de Canaã

Alagamentos
(veja na foto a marca da água do enchente, logo abaixo do quadro na parede)

“Ah!, agora tá demais, eu preparei uma parte da minha terra mas não consegui plantar, com medo de tornar acontecer o que aconteceu no ano passado. A água quase inundou a minha casa, ela vinha distante cem metros daqui, e agora ela veio até na biqueira da casa. Aqui morreu capim demais, eu perdi pés de mandioca, perdi 200 pés de caju que morreu tudo…” 

“É nós que conhece aqui essa região há mais de vinte anos, já vimos anos com mais intensidade de chuva do que esse ano de 2009…mas nós descobrimos que o maior problema dessas águas aumentar tanto pro nosso lado aqui foi o problema dum dique que eles fizeram lá do lado deles…como houve esse dique lá, ai foi que aumentou mais a pressão da água caindo mais pro lado daqui das colônias”.

Explosões
“Foi, soltaram a bomba, eu senti um baque tão grande que levantei, engoli o fôlego quase eu morro, foi nesse dia que rachou a casa toda, telha correu, telha de vidro quebrou, eu troquei, viu, complicado essa, a telha de vidro, essa daqui rebentou, ali daquele quarto escuro que tem ali onde que tem a dispensa ali também já foi trocada"

“A gente já teve muita reunião com a Vale, há mais de uma ano atrás a gente tinha reunião direto, todo mês e a gente sempre falando a mesma coisa e eles inclusive aqui em casa mesmo colocaram um aparelho aqui muitas vezes, eu creio que eles tem certeza disso aqui, mas no dia que eles colocaram o aparelho o estouro era bem mais baixo, pode não ter detectado bem por isso.”

 

 

 

 

 

 

 

Poluição

“Eu sinto falta de ar, quando eu chego no rio parauapebas, eu tenho que levar minha garrafa de água, eu não guento beber a água de lá, se eu beber eu dô até uma agonia, que nem quando eu bebi e passei o dia vomitando… E aqui dentro a maioria das pessoas dá cansaço, e se muitas pessoas não fala sobre isso, é porque não tem coragem de falar, porque fica com medo de não arrumar emprego ai dentro”

Isolamento das comunidades

“No implantamento do projeto sossego aconteceu que no fazer da estrada pra ter acesso lá no projeto eles fizeram este desvio da estrada que a via principal era aqui, e tinha todo acesso pra onde é que a gente fosse, Canaã, Parauapebas ou Marabá”

Expropriação das terras

"Agora a Vale, a primeira vez que ela veio ta com cinco anos. Ela veio com a justiça, ou a gente aceitava ou não, eu morava nesse barraco bem aqui, aí eu disse que não fazia negócio. Aí veio o Altamiro que era vereador nesse tempo, veio o prefeito e o pessoal da Vale. Aí me botou na justiça e disse: ou você vai aceitar ou então seu dinheiro vai ficar lá no banco, no dia que você resolver aí você vai buscar seu dinheiro, porque a história dela é essa. Eu digo: eu não fiz negócio pra botar dinheiro em banco. Eles perguntaram o número da minha conta, eu disse que não tenho conta em banco. Aí ficou. Então eles vieram de novo então eu disse que deixava por 15 mil, então eles me pagaram 12 mil e 500.” 

“Se acontecer um desbravo assim que a Vale tire nós, essa é a coisa que mais me dói, que eu fico calado lá pensando, meu deus o que pode acontecer depois dessa parada, com a Marilene, cumpade Cabral, cumpade Luis, um ficar praqui, outro praculá, em lugar que nós não sabe nem como vai começar…”.


4. Documentos anexados e links no site

Investimentos da Vale na região de Canaã (projeto Serra Sul)

Seminário I Encontro dos Atingidos pela Vale em Canaã dos Carajás

Experiência de resistência no re-assentamento Racha Placa

 

0 Comentários

Deixe o seu comentário!